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Sexta-feira, 23 de agosto de 2019

Senar e Sindicato Rural de Guarapuava têm mais uma turma de Herdeiros do Campo finalizada

O Programa Herdeiros do Campo, do Sistema FAEP/SENAR-PR, está realizando neste ano, em Guarapuava, mais um curso sobre sucessão familiar na propriedade rural. Desta vez, são produtores cooperados da Agrária que participam da capacitação, que prevê, após um período de aulas, uma fase de consultoria individual para os inscritos e suas famílias.

No último encontro antes daquele atendimento por aluno, dia 10 de junho, na Unidade Vitória, no distrito de Entre Rios, a REVISTA DO PRODUTOR RURAL conversou com a instrutora do curso, Samika Watanabe, de Londrina (PR). Graduada em psicologia, coach executiva empresarial e com especialização em marketing, comunicação e negócios, ela relembrou as três principais dimensões do Herdeiros do Campo: “O objetivo é despertar para o planejamento sucessório, considerando a família, a empresa e a propriedade – para fazer isso com planejamento, respeitando as competências de cada um”, explicou. Samika comentou que, nas aulas, “fica claro que nem todo herdeiro é sucessor”. Mas ela também ressaltou que os sucessores precisam de preparo, para realizar com êxito, ao longo do tempo, a gestão das atividades rurais. Neste enfoque, completou, conhecimentos sobre gerenciamento empresarial e o mercado de commodities fazem parte das aulas. “Eles tiveram oportunidade de conhecer administração, saber fazer o diagnóstico da empresa deles. Mas, antes de comercializar, aprender a fazer os cálculos, os custos fixos, variáveis, saber comercializar”, disse.

A instrutora observou ainda que nos dias atuais também os produtores rurais têm uma maior expectativa de vida e, com isso, se torna comum que gerações com diferentes visões de negócio trabalhem juntas na fazenda. Por esta razão, assinalou, o curso tem enfatizado a necessidade de entendimento: “O planejamento da sucessão não é um momento, é um processo. Com a longevidade, as pessoas adiando cada vez mais a aposentadoria, nós temos três gerações trabalhando no mesmo negócio, na mesma propriedade. E começam os conflitos”. A troca de idéias, apontou, surge como um caminho a ser seguido: “Se existe o conflito e não é bem administrado, dá problema. Mas quando é bem administrado, dele podem sair sugestões, inovações, soluções compartilhadas, muito melhor administradas, contribuindo para melhorar o patrimônio”.

Perguntada se considera que os produtores rurais estão começando a dar mais importância ao planejamento da sucessão na propriedade, Samika respondeu positivamente. Ela disse ver o Herdeiros do Campo como um início: “É um despertar, porque com o curso a gente deu oportunidade para as famílias que não conversavam sobre isso, conversar. Está ficando muito claro que é melhor planejar a sucessão do que, num falecimento repentino que pode acontecer, todos os sucessores e herdeiros estarem totalmente despreparados – ou aumentar muito mais o conflito. Então, as pessoas estão acreditando que o planejamento é muito melhor e a adesão ao curso tem sido boa”, considerou.

Entre os alunos, Tábata Stock, de uma família de produtores rurais da região, também falou à REVISTA DO PRODUTOR RURAL. Formada em Pedagogia, mas tendo decidido somar forças com seu pai, o agricultor Ernesto Stock, implantando em anos recentes um sistema de gestão de pessoas nas propriedades, ela ponderou que todos têm um significado relevante na hora da sucessão: “O curso mostra muito a diferença entre herdeiro e sucessor. Então, a importância não é focar só no sucessor, mas lembrar que temos contas a prestar e temos que ter um olhar muito atento, também, para quem está herdando junto conosco”. Tábata acrescentou que concorda com a visão de que as atividades do campo sejam gerenciadas de forma de forma empresarial. “Com certeza absoluta. Um erro muito típico no passado era levar as propriedades rurais, as fazendas, como uma extensão da casa. Isso não existe mais. A empresa tem que ser levada como negócio. Não é uma brincadeira. É o nosso ganha-pão, o nosso sustento”, afirmou.

Em Guarapuava, a regional do SENAR-PR, em parceria com o Sindicato Rural, organizou, já em 2017, uma turma do Herdeiros do Campo, com 25 aprovados. Na região, os interessados em novas edições do curso podem procurar o sindicato, para informações ou inscrições: Rua Afonso Botelho, nº 58, no Bairro Trianon (42 3623 1115) – a capacitação é voltada a produtores rurais e familiares.

 

Um programa voltado ao futuro da propriedade rural

O Programa Herdeiros do Campo é uma iniciativa do Sistema FAEP/SENAR-PR. O objetivo é contribuir para que as famílias de produtores realizem com êxito a sucessão das gerações na administração das propriedades. Iniciado entre 2015 e 2016, o programa ocorre na forma de um curso, com uma primeira fase, de aulas, e uma segunda, de consultoria individualizada para o participante. O conteúdo inclui aspectos da família, da fazenda e do gerenciamento das atividades. Entre os diversos temas, estão: sucessão e governança nas empresas rurais, herdeiros X sucessores, família X negócio, aspectos jurídicos do direito hereditário, planejamento sucessório e visão estratégica da família rural. Fazem parte também assuntos como indicadores de resultados econômicos, formação de preços agropecuários e estratégias de comercialização.

Considerando que a realização da sucessão é feita por pessoas que muitas vezes têm pontos de vista diferentes, o conteúdo visa dar a pais e filhos ferramentas para um diálogo construtivo. As aulas orientam sobre o comportamento humano e a gestão emocional dos negócios, a importância da atitude ganha-ganha na resolução de conflitos, além do processo de comunicação e a flexibilidade para acordos, entre diversos outros assuntos.

De acordo com a FAEP, neste ano, no Paraná, o Herdeiros do Campo formou sua primeira turma no município de Mercedes (região oeste), com a participação de 10 famílias de produtores. De 2016 a 2018, também em nível estadual, o curso teve, segundo o SENAR-PR, um total de 930 concluintes.

 

 

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