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Terça-feira, 02 de março de 2021

Preço de leite pago ao produtor tem queda drástica no início de 2021

O preço do leite pago ao produtor de leite caiu em janeiro. Produção em excesso de matéria-prima (leite cru), principalmente nas regiões sul e sudeste, foi um dos principais motivos para a queda. O presidente da Comissão Técnica de Bovinocultura de Leite da Federação de Agricultura do Estado do Paraná (Faep) e da Câmara Setorial do Leite e Derivados do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), Ronei Volp,i afirmou que desde o ano passado as projeções apontavam que o início de 2021 seria difícil para o setor leiteiro. “Essas dificuldades vieram mais rápido do que imaginávamos. Estoques altos, produção alta em função da própria época do ano e consumo que caiu muito rapidamente, foram os principais fatores. Então, estamos enfrentando nesse momento um período difícil, com quedas importantes de preço de leite”, observa.

Segundo Volpi, os preços pagos aos produtores variam muito. Algumas empresas diminuíram até R$ 0,20, desde dezembro. Outras mais conservadoras continuaram sustentando um pouco do valor. “Estamos prevendo pelo menos o primeiro semestre com bastante dificuldade. Preços caindo de patamar e os custos sem nenhuma indicação de queda”, avalia.

O representante do setor afirma que o momento para o produtor de leite é de cautela. “Não é o momento de fazer investimentos exagerados e eles devem procurar mitigar ou reduzir suas ineficiências para que possam mais uma vez passar por um período difícil. Coisa que infelizmente os produtores de leite estão mais ou menos acostumados, porque de tempos em tempos, temos essas oscilações”.

Em compensação, 2020 foi um ano considerado positivo para o setor, avalia Volpi. “Entre altos e baixos, 2020 se revelou bom para o produtor de leite”. Os principais fatores para as altas de preços foram o consumo maior de leite e derivados e o auxílio emergencial. Ele comenta que em janeiro de 2020 o Conseleite – PR tinha um valor de referência de R$ 1,27, em setembro esse valor de referência foi para R$ 1,95 e fechou o ano em R$ 1,86, com aumento de praticamente 50%.

Custo alto

Produtora de leite em Guarapuava, Juliana Scherer, comenta que apesar dos preços recordes pagos aos produtores de leite em 2020, os custos de produção também aumentaram. “Principalmente a ração aumentou expressivamente, devido à falta de milho e soja no mercado, tornando a atividade estagnada ou inviável”, conta.

Para Juliana, a atividade leiteira fica cada vez mais inviável e um dos motivos, na sua opinião, é a falta de organização da cadeia como um todo. “O setor lácteo vem se arrastando há décadas por problemas econômicos e organizacionais, devido à formação de cartéis pelas indústrias compradoras de leite, que ditam as regras para a formação de preço da matéria prima, deixando os produtores de leite sem saber quanto receberão a cada mês. Assim como as importações por parte das multinacionais de leite em pó sem taxa alguma. Além do descaso dos governantes pela indefinição de políticas públicas que nos respaldem de manobras maléficas para o nosso negócio”, avalia.

Segundo Volpi, recentemente a FAEP se reuniu com a ministra de Agricultura e Abastecimento, Tereza Cristina, e apresentou sete sugestões para reduzir os custos de produção e também alavancar os recursos para o setor do leite. “Entre eles, a proibição por um período temporário de importações, seja na questão de compras governamentais de lácteos e o prolongamento dos pagamentos nas linhas de crédito para os produtores. Isso para que os produtores se ajustem a essa situação difícil para esse primeiro semestre”, informa.

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