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Grupo Pitangueiras

Quinta-feira, 29 de outubro de 2020

Com chuva irregular, produtor deve reforçar conservação do solo

O fenômeno La Niña deve provocar chuvas irregulares, de normal a abaixo da média, entre a primavera e o final deste ano no Paraná. Esta foi a principal perspectiva climática que o meteorologista Marco Jusevicius, do SIMEPAR, destacou, dia 18 de setembro, ao participar de uma transmissão ao vivo (live) que o Sistema FAEP/SENAR-PR realizou, na internet, para produtores rurais. Participaram também o presidente da FAEP, Ágide Meneguette; os secretários de estado da Agricultura, Norberto Ortigara, e do Desenvolvimento Sustentável e Turismo, Márcio Nunes; e o coordenador do Programa Grãos Sustentáveis do Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR-Paraná), Edivan Possamai.

O meteorologista do SIMEPAR comentou que a NOAA (National Oceanic and Atmospheric Administration – agência ligada ao Departamento de Comércio dos EUA), anunciou oficialmente, em 10 de setembro, que o Oceano Pacífico Equatorial havia entrado em mais um período de La Niña – resfriamento das águas. Ao mesmo tempo, contextualizou, a maioria dos modelos analisados pelo Instituto Internacional de Pesquisa do Clima e da Sociedade, aponta para aquele fenômeno. Com base em gráficos e mapas, Jusevicius explicou a tendência indicada por aqueles dados até o momento da live: “O que a gente observa é um período de La Niña de curta duração, basicamente dentro do período da primavera e início do verão (no Brasil), quando começa a ter o enfraquecimento, a probabilidade de diminuição da persistência do fenômeno de La Niña, para a volta da neutralidade climática”.

Se a previsão para setembro, segundo disse, era de chuva próxima ao volume aguardado, porém “com mais certeza abaixo do que se espera”, para outubro, ele pontuou que se estimava “uma pequena mudança para melhor”, entretanto ainda com fases de 10 a 15 dias sem chuva, enquanto para as semanas seguintes persistiria a tendência de precipitações irregulares: “Um novembro ainda com bastante irregularidade na chuva e temperaturas ligeiramente acima da média”.

Na virada do ano, completou o meteorologista, a expectativa é de alguma alteração da situação: “No trimestre novembro-dezembro-janeiro, essa anomalia diminui. Ela é bem mais persistente no sul do Brasil – o Rio Grande do Sul. No Paraná, a gente começa a ter sinais de reversão, para precipitações muito próximas à média”. No entanto, Jusevicius fez uma ressalva: “O que estamos esperando nesse cenário não é a volta da chuva como normal, mas um retorno ainda com bastante irregularidade na distribuição espacial, mas já não um cenário crítico, de dias tão secos”.

Para o período entre final de janeiro e início de fevereiro de 2021, ele afirmou não crer em precipitações num volume que possa interferir no momento de colher a soja. Entretanto, considerou necessário reavaliar a situação num momento mais próximo daquela fase, para se ter mais certeza do comportamento do tempo: “A princípio não acredito, olhando de uma maneira geral e neste longo prazo, que vai ter chuvas suficientes no verão, lá em fim de janeiro, a ponto de comprometer as colheitas. Mas isso, a gente realmente tem que acompanhar mais de perto, quando chegar mais próximo desse período, para fazer uma nova avaliação”.

MIP

Já o representante do IDR na live preconizou tecnologias voltada à sustentabilidade, não só para reduzir custos, mas também para preservar o meio ambiente. Possamai recordou que, no início dos anos 1970, antes do MIP (Manejo Integrado de Pragas), o sojicultor do Paraná realizava em média seis aplicações de inseticidas. O quadro se modificou a partir de 1975: “Com a introdução do MIP, passamos a ter de uma a duas aplicações”. A infestação de helicoverpa, em 2013, prosseguiu, elevou a média para cinco, patamar que a difusão daquela tecnologia conseguiu de novo diminuir: “Onde é adotado o MIP, no estado do Paraná, a gente tem uma média de 1,9 aplicações de inseticida, e onde não se adota, 3,9”.

Fato semelhante, relatou, se verificou no MID (Manejo Integrado de Doenças), voltado ao controle da ferrugem na soja: “Na última safra, tínhamos em torno de 250 coletores de esporos esparramados pelas principais regiões produtoras do estado do Paraná. Quando chega a ferrugem na lavoura, a gente dá um sinal para o produtor que aquele é o melhor momento para fazer o controle da doença. Na média, de quatro safras, onde se adota essa tecnologia, termos na média, 1,6 aplicações. E quem não faz o uso, acaba aplicando 2,4 vezes”.

Num momento de chuvas muitas vezes abaixo da expectativa em várias regiões no Paraná, o coordenador do Programa Grãos Sustentáveis do IDR fez questão de sublinhar a necessidade do produtor adotar também técnicas que ajudem a preservar seu principal patrimônio: “A grande questão, que precisa ser discutida, é a do solo. Ele funciona como caixa d´água, para armazenar para os períodos em que vai faltar”. Manejos mal conduzidos, frisou, têm compactado a terra, o que dificulta uma absorção adequada das chuvas: “A gente não está fazendo o verdadeiro sistema plantio direto, que é a rotação de culturas, plantas de coberturas, palhada, raiz nesse sistema. E não somente plantar sem revolver o solo. A taxa de infiltração é menor, a tendência da água é escorrer. Escorreu, é erosão”, alertou.

Nas propriedades, concluiu, situação afeta a produtividade: “Se temos um problema de compactação, isso está limitando a raiz das plantas de descer no perfil do solo. Não estamos aproveitando a água que está armazenada no subsolo. E aí, é muito comum observar: com cinco, seis, sete dias de estiagem, as lavouras já começam a apresentar sintomas de deficiência hídrica. Se tivessem raízes aprofundadas, e buscando água lá na nossa caixa d´água, poderíamos agüentar no mínimo 15, 20 dias sem ter esses reflexos” (acesse a íntegra da live em: sistemafaep.org.br).

Ágide Meneguette – Pres. Sistema FAEP/SENAR-PR

“Precisamos nos conscientizar que as tecnologias existem no mundo. Estamos investindo em tecnologia e precisamos também fazer este acompanhamento. Estamos tendo uma parceria muito grande, os produtores, o sistema sindical, as cooperativas, com o governo do Estado, para que nós, juntos, possamos elaborar projetos, processos, para melhorar a nossa produtividade e a nossa eficiência e sobrar mais renda circulando no interior do Paraná”.

Norberto Ortigara – Secretário de Estado da Agricultura do Paraná

“Estamos aqui calibrando forças para fazer a nossa safra 20/21 de forma sustentável, num quadro de possível La Niña, com falta de chuva, especialmente neste próximo trimestre ou quadrimestre, conhecendo exatamente todo o panorama de suporte, como seguro, Zoneamento de Risco Climático, conhecendo a capacidade de financiar. E temos de conciliar isso com a nossa realidade individual”.

Márcio Nunes – Secretário de Estado do Desenvolvimento Sustentável e do Turismo

“É muito possível o produtor rural ter altas produtividades e cuidar do meio ambiente. Isso não é tão difícil. Então, essas boas práticas que o IDR mostrou, mais a condição da recuperação das minas, das matas ciliares e áreas degradadas é que vão nos colocar num patamar para que nós possamos, produzindo, conseguir vender nossos produtos no mercado internacional”. 

 

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