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PR entre os destaques das exportações do agro nacional

PR entre os destaques das exportações do agro nacional

Diante da pandemia do coronavírus, que segue influenciando a agenda mundial, na economia,uma minoria de segmentos conseguiu encerrar 2020 registrando um resultado positivo.

Mas mesmo neste contexto, no Brasil, o agronegócio prosseguiu suas atividades e se destacou nas exportações: do total de vendas externas do país, de quase US$ 209,82 bilhões, o setor rural contribuiu com US$ 100,81 bilhões – o que também representou um crescimento de 4,1% frente a 2019. Outros números apontam para o desempenho das cadeias produtivas da agropecuária: segundo levantamento da CNA e do Cepea, o PIB do Agro, em novembro passado, já acumulava alta de 19,66%, o que indicava que o resultado, em 2020, deve ser recorde. A entidade divulgou ainda, em 12 de fevereiro, que o VPB da agropecuária nacional deve alcançar R$ 1,14 trilhão. Ao mesmo tempo, o 5º Levantamento de Safra da CONAB (fevereiro) indica um crescimento de 4,4% sobre 2019/2020, com 268,3 milhões de t.

O agro Paraná também seguiu esta tendência e finalizou o ano passado entre osestados brasileiros que mais se destacaram nas exportações. Conforme divulgou o governo estadual, dia 15 de janeiro, mencionando números da Secretaria de Comércio e Relações Internacionais do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, as vendas externas do agronegócio paranaense, em 2020, aumentaram 3,98% em relação ao patamar do período anterior (US$ 12,78 bilhões) e alcançaram a marca de US$ 13,29 bilhões. Com isso, o estado contribuiu com 13,18% dos produtos agropecuários brasileiros dirigidos ao mercado externo e ficou em 3ª posição no ranking nacional das exportações do segmento do ano passado (na primeira colocação está o Mato Grosso, com 17,73%, e na segunda, São Paulo, com 17,09%). Ainda de acordo com os dados, também a participação da agropecuária paranaense no comércio externo do estado se elevou, passando de 77,6% em 2019, para 80,9% em 2020.

Sobre os resultados das exportações do agro brasileiro, a REVISTA DO PRODUTOR RURAL conversou, dia 18 de fevereiro, com o economistaLuiz Eliezer Ferreira, do Departamento Técnico Econômico (DTE) do Sistema FAEP/SENAR-PR.

Ele recordou que ano passado, no começo do alastramento do coronavírus por todos os continentes, as vendas no mercado internacional foram impactadas:“No início da pandemia, houve a paralisação quase que total das cadeias globais de produção”. Retomar as exportações, prosseguiu o economista, exigiu que o país se adaptasse ao novo momento:“Não foi instantâneo. Isso levou dois, três meses, até para as exigências para controle da pandemia”.

Ferreira assinalou que,no período, o desempenho das exportações do agro brasileiro foi diferente, de setor para setor, mas avaliou que o quadro foi bom: “Então, apesar do ano difícil, foi positivo para as exportações do agronegócio – não de forma linear para todas as cadeias produtivas”. O ponto alto, lembrou, ficou com o segmento de uma das principais culturasdo Brasil: “O destaque foi realmente o complexo soja”. No segmento de carnes, ele apontou que o panorama se mostrou diverso: “A gente vê um bom desempenho apenas da suinocultura. As exportações de carne bovina, estáveis, mas com tendência de queda –Esse é o cenário que tivemos em 2020”.

Já a relação entre as moedas brasileira e norte-americana, que influencia decisivamente as trocas comerciais do Brasil com o mundo, esteve, segundo o economista, no lado dos fatores que ajudaram o país a colocar também seus produtos agropecuários no mercado global no ano que passou. Situação que comparou com um passado bastante recente: “Tivemos um dólar médio, em 2020, de R$ 5,15, contra R$ 3,94 em 2019: alta de 30%.Então, apesar da queda, em dólar, de algumas cadeias produtivas, em reais, houve aumento das receitas com exportações desses produtos. Ao mesmo tempo em que, internamente,tivemos o aumento de custo de produção.Então, em reais, o resultado é positivo, mas em dólar, para algumas cadeias, houve recuo”.

Neste contexto, o agro paranaense, para o economista do DTE da FAEP, também se sobressaiu: “O Paraná exportou, em termos de valor, em 2020, 4,1% a mais do que no ano anterior: US$ 13,3% bilhões. Isso é um recorde. 90% das exportações do Paraná são de produtos do agronegócio.Temos um porto aqui que movimentou mais de 50 milhões de t em 2020.Recorde também”.

Nestas vendas externas, ele destacou dois segmentos:

“A gente teve um aumento muito expressivo da soja e do complexo sucro-energético, puxado principalmente pela China”.

Mas se o ano passado as exportações do agro brasileiro e paranaense foram expressivas em volume e receita, o tempo não para e, com ele, surgem novas situações nos âmbitos nacional e global. A realidade da pandemia e da economia continuam se modificando, o que leva ao desafio de saber: que cenário estaria se desenhando para as vendas externas do segmento no Brasil e no Paraná nos próximos meses?

Sem deixar de assinalar que estamos ainda na etapa inicial de 2021, e que portanto é difícil “cravar” uma estimativa exata, Ferreiracomeçou sublinhando que a imunização das pessoas contra o Covid-19 já é um fator importante e analisou que o reaquecimento econômico deve ocorrer de acordo com o alcance das campanhas:“A gente está avançando na vacinação. Toda a recuperação da economia e do comércio está dependendo da vacinação em massa da população”.

E considerando o quadro do comércio global no momento de sua entrevista, ele citou o que se apresentava como tendência para o agro brasileiro:“As perspectivas são de aumento das exportações, puxadas pela China. Ela deve continuar muito forte nas compras de produtos do agronegócio brasileiro, principalmente carnes, açúcar e etanol e complexo soja.Internamente (no Brasil), há uma perspectiva de aumento do consumo de produtos do agronegócio, sobretudo por conta do aumento do emprego e da renda – sempre calcado no aumento da vacinação da população. A perspectiva de um novo auxílio emergencial também deve reforçar a demanda por produtos do agronegócio. No mercado externo estáhavendo uma inflação dos alimentos e o Brasil tem oferta para atender essa demanda internacional.Então a perspectiva é de aumento, sim, das exportações brasileiras –Claro que a gente está ainda em fevereiro.Mas senão aumento, pelo menos que a gente siga o resultado de 2020”.

Por outro lado, Ferreira recordou também a projeção de fontes de referência na análise econômica e agropecuária no Brasil: “O IPEA estima um crescimento do PIB da agricultura em 1,5% em 2021. A CONAB projetou para cima a produção de grãos: devem crescer 4,4% em 2021 e as exportações devem ser recuperadas, daqueles produtos que tivemos queda em 2020”.

Para as exportações do setor agropecuário paranaense, o economista do DTE da FAEP vê da mesma forma um cenário favorável: “Inclusive, o Paraná tem uma pauta tanto de produção quanto de exportação bastante diversificada. O FMI está projetando que o comércio global avance 5% esse ano, contra uma queda de 9,5% em 2020, ou seja, todas as agências oficiais de pesquisa estão projetando uma recuperação do comércio global e o Paraná está inserido nisso. Tem importantes portas de saída de produtos do agronegócio, é o estado que mais produz alimento por metro quadrado no mundo, com qualidade e diversificação”.

Também na estimativa para 2021, Ferreira frisou a influência do câmbio no Brasil: “O dólar está num patamar elevado, o que favorece as nossas exportações. Por outro lado, a gente tem internamente um custo elevado de produção, principalmente das carnes, que são muito dependentes de soja e milho. E no ano passado exportamos muita soja. Tivemos necessidade de importar um pouco. Por conta do bom preço, a gente aproveitou para exportar.Realmente, em resumo, a perspectiva é de melhora em 2021”.

Entretanto, no complexo ambiente da economia, ele enumera outros fatores que têm também sua influência, não só no agro, mas nos mais diferentes atividades: “Internamente ainda temos algumas mudanças, as reformas administrativa e tributária que dão um pano de fundo para a formação de preços e para o crescimento da economia. A gente tem um dever de casa para fazer”.

 

Portos do PR: saldo positivo

de US$ 6,52 bilhões em 2020

 

Segundo informou o governo do Paraná, na Agência Estadual de Notícias, dia 5 de fevereiro,o comércio pelos terminais portuários paranaenses obteve, em 2020, um saldo positivo de US$ 6,52 bilhões.As exportações, de US$ 17,27 bilhões,ultrapassaram as importações, de US$ 10,75 bilhões, em 60,65%. Mais de 90% das exportações corresponderam a produtos do agronegócio. Nos terminais portuários, em 2020, a movimentação alcançou 57,34 milhões de t, numa elevação de 8% frente a 2019, que registrou 53,2 milhões de t – um patamar histórico. As exportações chegaram a 36,33 milhões de t, enquanto as importações a 21 milhões de t. Mencionando dados do Ministério da Economia (ComexStat), o governo estadual observou que a soja gerou a maior receita de exportações do Porto de Paranaguá, com quase US$ 5,12 bilhões, da exportação de 14,26 milhões de t. Produtos que mais geraram receita entre as exportações entre as exportações pelos portos do Paraná:

 

 

Soja

US$ 5.118.068.216

Frango

US$ 2.349.099.340

Farelo de Soja

US$ 1.934.199.450

Açúcar

US$ 1.346.885.271

Carne bovina

US$ 1.297.583.446

Óleo de soja

US$ 507.561.715

Automóveis

US$ 482.292.092

Milho

US$ 453.140.321

Celulose

US$ 433.468.278

Papel

US$ 210.746.879

(Fonte: dados da ComexStat)

 

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