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Grupo Pitangueiras

Quarta-feira, 18 de dezembro de 2019

Guarapuava sobre ao palco no Empreendedor Rural 2019

O Sindicato Rural de Guarapuava foi destaque na final do concurso do Programa Empreendedor Rural (PER) 2019. Além de 50% dos projetos finalistas serem de Guarapuava – cinco do total de dez projetos de todo estado – o município ficou com o primeiro e segundo lugar da competição.

Os três primeiros colocados foram conhecidos durante o Encontro Estadual de Empreendedores e Líderes Rurais, no dia 22 de novembro, no Expotrade, em Pinhais, região metropolitana de Curitiba. O evento reuniu mais 5 mil pessoas de todo o Paraná.

O primeiro colocado foi o projeto “Migração da avicultura para confinamento de ovinos de corte”, de Thais Fernanda Gavlak, de Guarapuava. Em segundo lugar, ficaram Ana Carolina Araújo Abreu e Elouise Cristine Rodrigues, com o projeto “Implantação de agroindústria e biodigestor na Fazenda Vassoural”, também de Guarapuava. O terceiro lugar foi para Mara e Marcelo Coletta, da regional Faxinal, com o projeto “Implantação de um confinamento na Fazenda São Pedro”.

Como premiação, os três primeiros colocados ganharam uma viagem técnica internacional, que será realizada em 2020, para aprofundar os conhecimentos relacionados aos projetos.

Os outros projetos finalistas de Guarapuava, além dos dois primeiros colocados, foram: “Implantação Compost Barn – Sítio Sepultura”, de Alexsandro B. Rodrigues e Gilso Mis; “Multiplicação e comercialização de sementes de aveia preta”, de Paloma Detlinger e “Otimização de terras através da integração: pecuária/ovinocultura/floresta”, de Igor Gabriel Modesto Dalgallo e Mariane Roepke.

Para o presidente do Sindicato Rural de Guarapuava, Rodolpho Luiz Werneck Botelho, os resultados que Guarapuava obteve revelam o trabalho bem feito de toda equipe envolvida com o Sistema Sindical Rural no município e região. “Batemos recorde tanto de projetos finalistas, como na obtenção dos primeiro e segundo lugares. Isso demonstra o comprometimento dos participantes ao longo do curso, o apoio das entidades que ajudaram o Sindicato a formar estas turmas, como Unicentro e Colégio Agrícola; o apoio do instrutor Josias, que conseguiu transferir esse desejo de conhecimento e informação aos participantes, a mobilização das turmas e a supervisão da regional Senar em Guarapuava. Todos fizeram a diferença, superaram metas e índices, trabalhando em prol do setor agropecuário”.

Botelho ressaltou ainda a importância do PER para o setor rural. “Esse programa auxilia o produtor rural a melhorar a questão de negócio, gestão e gerenciamento do sistema produtivo. Cada vez mais, o setor deve estar preparado para uma competição globalizada do setor agropecuário. E o PER leva conhecimento e capacitação aos alunos, fomentando a organização dos negócios e um gerenciamento mais claro, objetivo e assertivo”.

Também estiveram presentes no evento autoridades locais, como o prefeito de Guarapuava, Cesar Silvestri Filho, o vice-prefeito Itacir Vezzaro e o secretário municipal de Agricultura, Ademir Fabiane, além de diretores do Sindicato Rural de Guarapuava.  

Guarapuava dominou a torcida

A torcida para os finalistas no momento da premiação estava animada. Ao todo, cinco caravanas de Guarapuava e região prestigiaram o evento. Os participantes eram alunos além do PER, do curso Jovem Agricultor Aprendiz (JAA) e do Programa Liderança Rural.

Conheça os projetos vencedores de Guarapuava

A acadêmica do segundo ano de Medicina Veterinária da Universidade Estadual do Centro-Oeste (Unicentro), Thais Fernanda Gavlak, foi a primeira colocada do concurso PER 2019. Ela desenvolveu o projeto “Migração da avicultura para confinamento de ovinos de corte”, que será aplicado na propriedade de sua família em Fernandes Pinheiro.

Na propriedade com 318 hectares, a família possui dois aviários. “Por problemas na administração da empresa integradora, temos tido problemas de rentabilidade. Então, eu propus aproveitar a estrutura para fazer o confinamento de ovinos. Analisei que dá para aproveitar desde os silos, linha de água, ração, a estrutura praticamente inteira. O investimento vai ser bem pequeno, perto da capacidade de produção que a estrutura pode proporcionar”.

Thais pretende ter um rebanho com dois mil cordeiros para terminação. Ela imagina comprar ovinos recém-desmamados com 20kg e vender quando os animais alcançarem 40kg. “Quero vender para uma cooperativa”.   Além disso, a futura médica veterinária deseja fazer rotação de cultura com milho e azevém. Milho para produção de silagem para os ovinos e azevém para dessecar e fazer feno para venda e incremento para alimentação dos cordeiros. “Ao final do projeto, concluí que com a migração de atividade a renda da propriedade, a partir do quarto ano, subirá 14% na renda anual total”.

“Eu não esperava o primeiro lugar. Até porque fiz o projeto não pensando em ganhar. Mas fiquei muito feliz. Acho que deu pra perceber, pois eu não parava de sorrir”, declarou Thais. Quanto ao curso do PER, ela avalia positivamente. “O curso inteiro foi muito importante para o meu crescimento pessoal e profissional. Sempre tive interesse na propriedade da minha família e quero voltar para lá depois da graduação.  Com o PER, minha cabeça abriu para muitas ideias”, disse Thais.

O segundo lugar ficou com o projeto “Implantação de agroindústria e biodigestor na Fazenda Vassoural”, desenvolvido por Ana Carolina Araújo Abreu e Elouise Cristine Rodrigues, da regional de Guarapuava. A intenção das alunas foi otimizar a produção leiteira da propriedade, que fica em Guarapuava. “Ao diagnosticar toda a parte financeira da propriedade, nós vimos que ela tinha saldo e a queijaria artesanal já era uma ideia do meu pai”, contou Ana, filha dos proprietários.

Atualmente, a Fazenda Vassoural tem 80 vacas em lactação e produz cerca de 2 mil litros por dia. “Foi um projeto bastante trabalhoso e que tivemos que nos envolver em muitos detalhes. Checar as normas da Anvisa, ir atrás de materiais de construção para construir a fábrica, pensando em todos os detalhes de armazenagem do queijo, qual tipo de queijo seria produzido, funcionários, qualificação, orçamento de equipamentos, estudo de mercado”, detalhou Elouise.

O projeto tem como meta a implantação da queijaria até o final de 2020 e produção de 100 quilos de queijo por dia para venda em mercados maiores de Guarapuava e região. “O projeto se pagaria em cinco anos e desde o primeiro ano, daria rentabilidade”, ressaltou Ana.

Em paralelo, a dupla pensou na instalação do biodigestor como uma fonte de energia sustentável. “Acompanhando o dia a dia da propriedade, eu me deparei com o descarte incorreto dos dejetos produzidos pelas vacas. Elas estão no sistema de confinamento compost barn e produzem muito dejeto. Analisando, vimos que o tanto de dejetos que elas produzem dava pra mover a queijaria e ter energia de sobra para a propriedade”, observou Ana.

“Eu entrei no PER porque em nenhuma matéria da faculdade eu iria ter acesso a todo aprendizado e conhecimento que tive nesse programa. Faz falta esse aprendizado sobre gestão, porque o profissional de hoje tem que ter acesso a tudo da propriedade e esse tema deixa a desejar na graduação. O que eu aprendi no PER, tenho certeza que vou levar pra vida”, afirmou Elouise.

“É legal ganharmos um prêmio tão importante para o meio rural e mostrar que nós, ainda jovens, estamos interessados no campo”, complementou Ana. “Foi muito legal ter ficado com o segundo lugar. A gente não esperava. Quando ficamos entres os finalistas já foi uma emoção e surpresa, mas a segunda colocação foi demais”, completou Elouise.

 “Como filha de produtores, o PER foi muito importante pra mim. Eu aprendi a ver minha propriedade com outros olhos. Hoje eu consigo ver que tudo na fazenda tem um motivo. Consigo ver que as mãos dos meus avós e meus pais fizeram muito por mim. E que eu não preciso sair pra ganhar. Que tudo que a gente tem ali é valioso e podemos crescer cada vez mais. Hoje eu me sinto segura para gerenciar minha propriedade em um futuro próximo”, destacou Ana.

 A dupla finalizou ainda fazendo um agradecimento especial. “Queremos agradecer todos os nossos colegas do PER. Porque cada um contribuiu também para o nosso projeto. Eles também fazem parte dessa vitória. A nossa turma foi maravilhosa”, elogiou Ana.

 

Mais do que um instrutor, um mentor.

Além dos finalistas receberem os elogios, uma pessoa importante que permanece no backstage do PER, recebeu reconhecimento por todos os participantes de Guarapuava e região: o instrutor Josias Schulze.

Schulze foi responsável por conduzir as três turmas do Programa Empreendedor Rural (PER) do Sindicato Rural de Guarapuava e mais uma turma piloto do programa. Ele atua no Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar) desde 2016. 

“O Josias foi maravilhoso. Ele sabe repassar o conteúdo de uma maneira que todo mundo entende e absorve. A orientação dele fez toda a diferença no projeto”, elogiou Thaís Gavlak.

“O Josias é demais. Ele não era só o nosso instrutor, era nosso mentor. Ele tinha muita paciência e fez com que o curso não fosse pesado, mas prazeroso. Josias repassa o conteúdo de forma dinâmica”, complementou a outra finalista Elouise Cristine Rodrigues.

“Com cinco projetos entre os dez finalistas, o sentimento é de dever cumprido. O trabalho foi árduo, porque tivemos quatro turmas do PER em 2019, em paralelo a outros cursos que eu ministro. Mas a hora que você vê esse resultado, a sensação é de que apesar do sufoco e da correria, eu consegui trabalhar bem”, declarou Schulze.

Para o instrutor, o projeto é a consequência prática do esforço e dedicação do participante durante todo o curso. “Não tem turma melhor ou pior. Temos pessoas e turmas que se dedicam mais ou menos”.

Schulze ressalta que o PER é um programa valioso ao produtor rural, mas que exige comprometimento. “Eu sempre deixo claro desde a reunião de sensibilização das turmas que o curso é puxado, mas que vale a pena. Quando eles aceitam o desafio, em todos os encontros eu peço para que estejam em sala, 100% no PER. Só assim o programa trará um resultado prático ao participante. E não são só os premiados que sentem isso, mas todos os que terminam o PER. Todos são vencedores”.

PER

No total, o PER 2019 contou com 53 trabalhos considerados aptos a disputar o prêmio. Os projetos foram analisados e julgados por uma banca examinadora, que selecionou dez finalistas de diversas áreas do agronegócio, o que evidencia a pluralidade do Paraná no que diz respeito à produção rural e ao empreendedorismo do homem do campo.

Fruto de uma parceria entre o Sistema FAEP, Sebrae-PR e Fetaep, o Programa Empreendedor Rural tem como objetivo estimular o empreendedorismo rural em todo o Estado. Desde sua primeira edição, em 2003, o PER proporciona aos produtores paranaenses uma imersão no universo do empreendedorismo. Por meio de um curso, os participantes aprendem a colocar seu negócio – ou seu projeto de negócio – na ponta do lápis, atentando para aspectos de mercado e gestão, para que a propriedade rural seja encarada como uma empresa.

Desta forma, os produtores participantes identificam possíveis riscos, vislumbram oportunidades inexploradas e se propõem a construir um retrato real das suas atividades. Essa vivência permite uma nova visão do próprio negócio rural. Ao longo de seus 17 anos, o PER já formou mais de 31 mil produtores.

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