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Paran Silos

Quinta-feira, 30 de setembro de 2021

Guarapuava participa do Projeto Campo Futuro com análise de custos de bovinocultura de corte e grãos

O projeto da CNA levanta custos de produção em diversas atividades, em todas as regiões do Brasil.

Guarapuava foi uma das cidades participantes do Painel de Custo de Produção Bovinocultura de Corte – Ciclo Completo e Grãos do Projeto Campo Futuro, realizado pela Confederação Nacional de Agricultura (CNA) e Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar), em parceria com o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea). No Paraná, o projeto tem apoio do Sistema Faep/Senar. Confira a seguir os principais resultados das duas reuniões.

Bovinocultura de Corte – Ciclo Completo

O encontro sobre a Bovinocultura de Corte – Ciclo Completo foi realizado de forma online com pecuaristas e técnicos da região de Guarapuava, no dia 23 de junho.

O Sindicato Rural de Guarapuava foi responsável pela mobilização da reunião, que contou com mais de 20 pessoas. O presidente do Sindicato Rural, Rodolpho Luiz Werneck Botelho, acolheu e agradeceu a participação de todos, destacando a importância do gerenciamento de custos na atividade de bovinocultura de corte.

O agropecuarista comentou que apesar de ser complexo mensurar os custos na atividade, a gestão eficiente aliada ao investimento de tecnologia e conhecimento é o único caminho para tornar a pecuária de corte mais profissional e rentável. “O que temos visto acontecer nessa ultima década é a pecuária sendo pressionada e empurrada pelos grãos, em áreas mais marginais ou no centro-oeste do Brasil, em áreas mais baratas. Mas também têm pecuaristas com tecnologia, competindo de igual para igual com rentabilidade para soja”, comentou.

A reunião foi conduzida pelo analista de custos de produção do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), Giovanni Penazzi.

Ao final da reunião, Penazzi conversou com a REVISTA DO PRODUTOR RURAL avaliando preliminarmente os dados obtidos durante as discussões. “Em resumo, quando estamos analisando a pecuária de corte na região de Guarapuava, os resultados que obtivemos durante a reunião, onde montamos duas propriedades modais, ou seja, aquelas que mais representam a produção no âmbito de pecuária de corte na região, vemos que em Guarapuava há muita competição pelo uso da terra. Vocês possuem terras facilmente agricultáveis, o que fazem com que estes pecuaristas de corte, principalmente nestas áreas de maior valor agregado, tentem se tecnificar ou até mesmo se adaptar à realidade da competição com a sojicultora”.

Além disso, Penazzi destacou que a região já utilizava bastante o Sistema de Integração Lavoura-Pecuária e que com o aumento do preço da arroba do boi, mais produtores têm optado por este sistema de produção. “Assim, provando que estas duas atividades conseguem coexistir dentro de uma mesma propriedade de forma harmônica e até mesmo sinérgica. Esse sistema faz com que o produtor consiga possuir uma taxa de lotação mais elevada na média do ano. Sabemos que quando estamos falando de pastagem em áreas tropicais ou até mesmo em áreas temperadas, grande parte da produção de forragem ocorre durante o verão, que é o período onde nós temos a safra ocorrendo. Porém, durante o inverno, temos a liberação dessa maior área que anteriormente era agrícola para o acesso dos animais. Então esse produtor consegue rodar o ano com uma maior carga animal. Com isso, a região de Guarapuava obtém índices de taxa de lotação por área superiores a outras regiões do Paraná e até mesmo do Brasil”, explicou.

Quanto aos índices produtivos, o analista avalia que a região também possui bons números. De acordo com os debates e na formação da propriedade modal de cria, o desmame do bezerro fica em oito meses de idade e com média de 210 quilos. Já no ciclo completo chegou-se à conclusão que os animais são terminados, em média, com menos de dois anos de idade. “Estamos produzindo um animal de bom valor agregado e de forma eficiente, que é muito bom para o sistema de produção como um todo”, avalia Penazzi.

Na avaliação geral, no sistema de terminação a remuneração é melhor que no sistema de cria em Guarapuava e região. “Porém quando analisamos o capital investido, já que a maior receita não vem de graça, vamos ter também maior gasto para a terminação desses animais em comparação com a cria. Conseguimos ver comparativamente que estes dois sistemas de produção estão de igual para igual quando a gente compara o capital investido pela atividade e a remuneração recebida. Infelizmente, a gente não está ainda com um sistema de produção no seu top produtivo. Eles não conseguem pagar seu custo de oportunidade, ou seja, como nós levamos em consideração a margem deste sistema de produção em comparação ao capital investido desta atividade, observamos que este sistema ainda não atingiu todo seu potencial”.

Isso não quer dizer que este produtor esteja operando negativo. Penazzi afirma que as margens na região, no geral, são muito boas no sistema. No entanto, ainda tem potencial para crescer. “Ou seja, ainda existe margem de crescimento e agregação de valor ao produto gerado na região de Guarapuava”, conclui, complementando que por isso mesmo é importante o produtor calcular seu custo de produção. “Isso é o que a gente gostaria que os produtores retirassem dessa reunião: fazendo conta é que você vai conseguir ter uma previsão sobre qual será seu desempenho”, finaliza.

Produtor destaca importância da reunião

Para o pecuarista Ciro David Dellê, que possui propriedade rural no município de Pinhão - a pouco mais de 50 km de Guarapuava, a reunião é importante para analisar diversos dados e avaliar o que pode ser melhorado na pecuária de corte da região. “Tentar chegar ao custo de produção de bezerro, custo de produção da arroba, custos fixos, custos variáveis e outros. Todo o conjunto dessa conversa faz com que o pecuarista consiga ter uma visão do seu negócio. Se ele está rentável, se ele está deficitário, quais medidas terão que ser tomadas para corrigir. Finalizamos com um custo médio da região. Não é individual da propriedade, mas já gera um balizamento, gera um parâmetro para que o produtor possa comparar com a sua propriedade”, opina.

Dellê conta que utiliza o Sistema de Integração Lavoura-Pecuária e conta com uma gestão de custos da pecuária baseada em dados técnicos, reprodutivos, zootécnicos e financeiros. “Mas temos muito que evoluir ainda nessa parte. Eu percebo que na agricultura é muito mais fácil fazer esse controle, porque há menos fatores envolvidos”, analisa.

Custos de Grãos - Safra 2020/2021

O Sindicato Rural de Guarapuava também realizou a mobilização do Painel de Custos de Produção de Grãos do Projeto Campo Futuro. No dia 14 de julho, produtores de grãos e técnicos da área da região de Guarapuava se reuniram, de forma online, para discutir os dados da produção de soja, milho verão, feijão, trigo e cevada da safra 2020/2021.

Com o apoio do Sistema Faep/Senar, a reunião foi mediada pelo pesquisador de Custos de Produção na Agricultura do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), Renato Garcia Ribeiro.

Ele explicou que o clima foi uma das grandes variáveis que afetou a produção e produtividade da safra de grãos 2020/2021.  “Teve seca no plantio das lavouras de verão, depois bastante chuva próximo à colheita. Lavouras plantadas após fevereiro de 2021, como o feijão, enfrentaram bastante seca também”, pontuou.

No milho verão o ponto principal foi a cigarrinha, que apareceu com força nas lavouras, não só na região de Guarapuava, mas em muito locais de todo o Brasil.

 “Mesmo com todos esses problemas, o resultado ainda foi satisfatório. Sabemos que a média dos preços da soja vendida diminuiu, mas ainda assim, no geral, a produtividade e o preço proporcionaram receita positiva tanto para soja, quanto para o milho e feijão das águas. Para as lavouras de inverno, se olharmos o trigo e a cevada colhidos em 2020, o resultado também foi satisfatório, comparando com o que a gente vê tradicionalmente para cultura de inverno, quando ela tem certa dificuldade de pagar os custos totais de produção. No geral, a safra de grãos 2020/2021 na região de Guarapuava não obteve um resultado ruim, mas economicamente falando, poderia ter sido um pouco melhor”, concluiu Ribeiro.

Produtor ressalta importância da gestão de custos

O produtor rural da região e diretor do Sindicato Rural de Guarapuava, Carlos Eduardo dos Santos Luhm foi um dos participantes do painel. “A reunião foi muito produtiva. Guarapuava sempre tem contribuído substancialmente nessas apurações de custo. Como participam bastante pessoas, a visão é bem geral. As diferenças em termos de produtos utilizados e custos foi pequena, então no fechamento destes cálculos, haverá uma posição bem exata do que foram os custos 2020/2021. Foi tomada como parâmetro uma propriedade média de 300 hectares”, detalhou.

Luhm observa que a gestão de custos é algo imprescindível para os produtores rurais em suas propriedades e que reuniões como esta podem ajudar a nortear o produtor se está no caminho certo. “Há cinco anos eu comecei a implantar uma gestão de custos mais aprimorada na propriedade. Eu preciso saber o custo de produção no saco de soja, milho e feijão para eu saber meu ponto de equilíbrio ou quanto me dá dê resultado um preço x que tenha no mercado. Isso me ajuda a definir se vale a pena vender, garantir meus custos e ter uma margem x de lucro. Se eu não tenho esse custo, estou totalmente no escuro. Eu posso vender minha soja por R$ 100,00, mas se eu tiver um custo de R$ 95,00, o meu retorno vai ser irrisório”, destacou.

Projeto Campo Futuro

O Projeto Campo Futuro é realizado em todas as regiões do Brasil, baseando-se no levantamento do custo de produção de diferentes atividades agropecuárias. O propósito é aliar a capacitação do produtor à geração de informações estratégicas do setor rural, contribuindo para as tomadas de decisão no campo. “O projeto preenche uma grande lacuna no tocante a conhecer os custos de produção das mais diversas cadeias produtivas espalhadas por todo o Brasil, que é um país continental. E mesmo tendo realidades produtivas muito semelhantes, temos sistemas que diferem muito entre si. É fundamental conhecermos essa realidade para obtenção de uma fotografia da situação do campo, preenchendo essa grande lacuna que temos”, detalha o técnico da CNA, Guilherme Souza Dias.

Dias explica, que neste ano, por exemplo, o aumento do Plano Safra de R$ 415 mil para R$ 500 mil no faturamento dos produtores enquadrados no Pronaf foi baseado justamente no monitoramento dos custos de produção e dados coletados pelo projeto. “As informações levantadas pautam a atuação da Confederação junto aos órgãos reguladores, entre eles, o Ministério da Agricultura”, observa. 

 

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