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Grupo Pitangueiras

Sexta-feira, 23 de agosto de 2019

Golden Tree: visita técnica aborda mudas de pastagem

Se o plantio de pastagem é visto atualmente entre pesquisadores e empresas do setor como uma cultura, difundir este conceito é uma tarefa que consideram especialmente importante entre produtores, agrônomos e estudantes de agronomia. Com este objetivo, a Golden Tree Reflorestadora, recebeu, na manhã do dia 2 de agosto, em seu viveiro, em Guarapuava, visita técnica de alunos da disciplina de Forragicultura do curso de Agronomia da Unicentro, acompanhados do professor doutor e pesquisador Sebastião Brasil.

Ao lado da agrônoma Tayná Jornada Ben, da empresa, o especialista abordou o plantio de pastagem por muda e as características de alguns materiais que, na região, têm sido utilizados na estação mais fria do ano, como tifton 85, jiggs e a cultivar de capim elefante anão Kurumi, lançado pela Embrapa.  

Defensor de pastagens produzidas, implantadas e manejadas de forma agronômica, o pesquisador, em entrevista, comentou que no país esta abordagem ainda é nova: “O Brasil não tem uma tradição na produção de mudas de plantas forrageiras”. Conforme completou, esta forma de produção oferece, no entanto, pontos técnicos positivos: “A vantagem é a questão da uniformidade das mudas, a possibilidade de fazer o plantio mecanizado ou manual, em preparo convencional do solo ou em plantio direto”. Para Sebastião Brasil, ao pensar em implantar o pasto, o produtor rural deve ter também alguns dos mesmos cuidados já conhecidos na utilização de sementes, como recorrer a empresas do setor, que produzem materiais dentro da legislação e do crivo técnico de agrônomos, para que tenham qualidade, sanidade e vigor: “Consideramos que isso leva também a uma melhor velocidade de estabelecimento dessas mudas no campo. Então, se o produtor começa com um material já de maior vigor, maior capacidade produtiva, com certeza vai ter um desempenho bem melhor também na propriedade”.

Além de outras semelhanças com as lavouras, como analisar a eventual necessidade de correção de solo, sem contar a adubação de manutenção, ele chama a atenção para a questão da relação entre tamanho da área e produtividade: “Não é o aumento em escala de plantio, mas a qualidade do plantio, a qualidade do material propagativo, que vai auferir a receita ou o rendimento melhor”.

Sebastião Brasil recordou que outro passo necessário para uma pastagem bem estabelecida é considerar as demandas específicas dos materiais. “Pastagem nada mais é do que uma cultura. À exceção talvez da grama missioneira gigante, o tifton 85, o jiggs e também o capim Kurumi são plantas extremamente exigentes em termos de fertilidade, com exigências iguais ou até superiores à de uma planta de milho”, comparou.

Sobre os pastos apresentados – opções para plantio com muda –, ele considerou que tiveram bom desempenho nas geadas do início de julho, quando Guarapuava e região registraram frio de 4 graus negativos. “Todos os materiais se saíram bem. Todos conseguiram rebrotar. Numa condição sombreada, logicamente, a grama missioneiro gigante queimou bem menos. Na aberta, ela queima um pouco mais. O tifton 85, o jiggs e o Kurumi tiveram um comportamento muito interessante: queimaram, mas já rebrotaram nos primeiros dias. Estive aqui na primeira semana após a geada, já estavam rebrotando”, relatou.

Como pesquisador, ele resumiu a visita a campo como uma oportunidade para os estudantes verem de perto a produção de mudas de pasto. “A importância para mim, na minha visão de professor, foi trazer os alunos para vivenciar realmente a produção agronômica de mudas. Isso eu tinha que trazer para os meus alunos, essa geração nova que está aí, saindo agora da universidade, que está fazendo a disciplina de forragicultura. Eles têm essa oportunidade de visualizar uma coisa que a gente vê em países mais desenvolvidos”.

Para a agrônoma da Golden Tree, a atividade proporcionou aos participantes informações sobre diferentes materiais num único lugar: “O professor conseguiu mostrar, em um pequeno espaço de tempo, quatro, cinco espécies, o hábito de crescimento delas, como se restabelecem e quais são os prós e contras da condição climática. Isso, para a formação do acadêmico, é de suma importância”.

Tayná recordou que a agronomia também abrange a produção de mudas: “É uma área de atuação do engenheiro agrônomo e um campo de trabalho bem extenso. Ele tem inúmeras competências como profissional: é um fisiologista, um especialista de plantas. Realmente, a demanda maior é para a produção de grãos, pelo interesse econômico, mas essa área de produção de mudas é carente de profissionais. Então hoje, num campo de trabalho que é bem concorrido, ter um nicho de mercado específico é o diferencial”, analisou. Ela assinalou ainda que o agrônomo pode assessorar o produtor na escolha do pasto, selecionando materiais que resultem uma boa conversão, em carne ou leite, o que considera “diferente de uma pastagem nativa sem manejo”.

 

 

 

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