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Segunda-feira, 25 de março de 2019

Família aposta no Compost Barn e já contabiliza resultados positivos

A Agropecuária Lanzini (Reserva do Iguaçu - PR) tem um longo histórico com a atividade leiteira. Tudo começou com a sociedade entre as irmãs Thelma e Terezinha Lanzini, há 15 anos. Depois de um período entre o sistema de produção a pasto e confinamento em freestall, a sociedade entre as irmãs foi desmanchada. Thelma resolveu então passar a leiteria para a filha Heloize Lanzini Losso e o genro João Francisco Santos.

A partir de então, há aproximadamente um ano e meio, o casal investiu no Compost Barn. A escolha foi pelo fato do sistema oferecer um melhor conforto e bem-estar para as vacas leiteiras. “Como já tínhamos tido o freestall na propriedade e não estava dando certo, optamos em tentar algo novo, mas que dessa vez desse certo”, comenta Santos.

O investimento, de acordo com a família, foi de R$ 800 mil. São dois barracões com o compost barn e outro, que antes abrigava o sistema freestall, está recebendo adaptações para que também seja compost barn. “Nosso projeto é que o investimento se pague em 10 anos. É um investimento de longo prazo”, ressalta Thelma.

Investir no bem-estar dos animais, segundo os proprietários, tem sido a palavra de ordem. “Só em ventiladores, foram R$ 30 mil. Além disso, temos um sistema de molhar elas quando está muito calor, enquanto estão comendo. Higiene também é algo que priorizamos na nossa rotina, tanto nos cochos com água, como na higienização da cama, na sala de ordenha. Nos preocupamos o tempo todo em manter os locais limpos”, observa Santos. Heloize, sua esposa, complementa que até a vontade das vacas são respeitadas. “Percebemos que elas não gostam que os homens ordenhem, então agora só as mulheres vão para a ordenha”. Na propriedade, a ordenha acontece às 5h30 e às 16h, todos os dias.

As vacas, atualmente, são separadas em lotes de acordo com a idade. A separação é feita para que elas recebam os cuidados e a alimentação necessária para cada fase. O sistema obedece a seguinte ordem: as bezerras mamam até 90 dias e ficam em “caminhas” separadas umas das outras; depois desse período elas vão para outro barracão com o sistema compost barn e ficam até cinco meses (quando iam ao pasto, com esta idade contraiam a Tristeza Parasitária Bovina, conhecida como amarelão – com o novo sistema, o problema acabou). Após os cinco meses vão para outro barracão e são separadas com a idade de oito e 11 meses. Quando estão aptas para inseminação (peso ideal) com 1 ano/1 ano e 2 meses seguem para outro lote, depois são separadas entre prenhas e pré-parto (30 dias antes de terminar a gestação elas recebem só feno e ração). Quando estão no período de lactação, as novilhas são separadas novamente entre primíparas e vacas com mais de uma prenhes.

Na propriedade, o rebanho leiteiro é de 150 animais, sendo que 77 são lactantes, alcançando a média de 28l/dia/animal atualmente. “Antes do compost barn, nossa média era de 22l/dia/animal”, comenta João Francisco. Todo o leite coletado é entregue para o Laticínio Szura.

No geral, a família avalia que, apesar de ser um investimento alto, o compost barn foi uma boa opção e vem demonstrando resultados positivos. "A sanidade melhor, mortalidade nula dos animais, na média e nos índices de qualidade do leite. Mas ainda temos muito que melhorar e aprender – estava entrando muita chuva nos barracões e isso prejudica a cama, por isso estamos investindo novamente para melhorar este problema”, destaca Thelma.

Para João Francisco, outros fatores também têm levado a um resultado melhor na produção de leite. “Além do conforto animal, investimos na qualidade da comida. No inverno, fizemos um pré-secado de centeio e tivemos um excelente resultado na produção de leite. Fizemos um investimento bem alto no silo, com paredes de pedra, para não desperdiçar comida. Investimos na alfafa, que é cara, mas vale a pena. Investimos também em genética. A taxa de prenhes está bem melhor. Hoje estamos com 75% de taxa de prenhes no verão. E para o gado de leite isso é fantástico”.

Para Heloize, o sucesso da atividade está ligado à rotina estabelecida. “São os nossos olhos. Colocamos câmeras nos barracões para monitor as vacas. Escutamos um berro diferente, vamos olhar, mesmo que seja à noite. Faz toda a diferença nós, os proprietários, estarmos de olho na atividade 24 horas”.

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