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Terça-feira, 02 de março de 2021

Consórcio Antiferrugem da Embrapa auxilia no monitoramento e prevenção da principal doença da soja em todo o Brasil

A ferrugem-asiática da soja foi identificada pela primeira vez no Brasil em 2001, segundo a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). Desde então, a doença vem sendo monitorada. Dentro de várias iniciativas para o controle da ferrugem, surgiu o Consórcio Antiferrugem, em 2004, uma iniciativa da Embrapa. “Foi uma iniciativa público-privada para o combate da doença. Além da ferramenta do site do consórcio, o objetivo inicial era uniformizar as informações sobre a ferrugem, uma vez que a doença tinha acabado de entrar no país e fazer o treinamento de técnicos e produtores com relação ao controle da doença”, explica a fitopatologista da Embrapa Soja, Claudia Godoy.

Na mesma época, foi criado um site com objetivo de compartilhar o monitoramento de focos da doença em todo o Brasil, além de reunir dados de pesquisa e orientações técnicas. “Desde então, o site vem evoluindo. Hoje utilizamos a ferramenta do Google para fazer esse mapeamento e para avisar ao produtor sobre as primeiras ocorrências. A gente sempre recomenda que ele faça o controle da ferrugem de uma forma técnica. À medida que ele tenha a ferrugem já relatada no site, o produtor pode saber que ela está ocorrendo na região, já que o fungo se dissemina pelo vento. Inicialmente a gente colocava só as ocorrências em lavouras comerciais, mas hoje a gente replica as ocorrências do Instituto de Desenvolvimento Rural (IDR) de monitoramento de esporos e o produtor pode acompanhar tanto esse monitoramento que é feito por esporos, como as ocorrências comerciais”, conta Claudia.

O registro dos focos de ferrugem geralmente é feito por fitopatologistas, universidades ou instituições de pesquisas e cooperativas. O Consórcio conta com aproximadamente 100 laboratórios cadastrados em todo o Brasil e 60 pesquisadores de instituições públicas e privadas. “As inserções não são feitas pela Embrapa e sim por parceiros que estão em vários locais do país. Nós temos um rigor muito forte nas primeiras ocorrências para evitar que seja um falso alerta para o produtor. As primeiras ocorrências são sempre checadas para que o produtor tenha certeza que a ferrugem começou a aparecer”, explica Claudia.

O site do consórcio recebeu recentemente duas atualizações: a inserção do monitoramento de esporos do IDR, como já citado e também a inclusão das coordenadas geográficas dos focos para que se tenha uma maior precisão ao visualizar o local do foco da ferrugem monitorado. Atualmente também existe o aplicativo do Consórcio Antiferrugem, disponível para Android e IOS. “Com o aplicativo, o produtor começa a receber alerta quando surgem os primeiros casos de ferrugem, ficando informado sobre os focos que estão aparecendo. É importante que o produtor fique alerta e receba as informações da sua região”, orienta a fitopatologista.

Ocorrência de ferrugem na safra 2020/2021

Avaliando a ocorrência de ferrugem asiática nesta safra 2020/2021 no Paraná, Claudia comenta que houve um atraso nos primeiros relatos de lavoura comercial por conta do atraso de semeadura. Segundo ela, a ferrugem iniciou em dezembro e até o fechamento desta edição foram 75 casos da doença no Estado. “Se olhar no site, 89% desses relatos diz respeito a lavouras a partir de R5, a partir do enchimento de grãos, o que é a situação mais comum. As primeiras lavouras semeadas geralmente estão tendo ferrugem só no final, porque elas se beneficiam muito da estratégia do vazio sanitário e das cultivares precoces. Portanto, elas acabam escapando. A ferrugem tem aparecido nesta safra, até porque as condições foram favoráveis em janeiro, mas tem aparecido nas lavouras que já estão no final. O mais preocupante são as lavouras que estão mais atrasadas, com plantios mais tardios, que acabam pegando inóculos dessas primeiras lavouras que serão colhidas”, avalia.

Na região de Guarapuava, segundo os monitoramentos no aplicativo Consórcio Antiferrugem, foram relatados três focos de ferrugem asiática em Guarapuava, três focos em Goioxim, duas ocorrências no Pinhão, dois focos em Candói, uma ocorrência em Cantagalo, um foco em Turvo, um foco em Boa Ventura de São Roque e um em Santa Maria do Oeste (confira no mapa abaixo).

O engenheiro agrônomo Leandro Bren, da Agro10 Assessoria Agropecuária, que presta assistência técnica na região, afirma que no momento, nas áreas atendidas por ele, foi observada infecção de ferrugem inicial em basicamente todos os talhões de soja. “Está sendo necessário realizar aplicação de fungicida de 13 a 15 dias, após a última aplicação”, comenta. Para ele, o aplicativo é de extrema importância, porque fornece a percepção, em tempo real, sobre onde está ocorrendo a doença. “Se vejo que em Candói, por exemplo, já tem um foco de ferrugem, preciso ficar mais atento. Se utilizava um residual de 20 dias de fungicida, preciso reduzir para 15 dias. Se começarem a ter muitos focos de ferrugem, já tenho que baixar para 13 dias... Portanto, o aplicativo é muito importante para auxiliar na tomada de decisões”, observa Bren.

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