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Quarta-feira, 11 de janeiro de 2023

A força do agro

Um grande evento reuniu mais de quatro mil produtores rurais, com a intenção de fortalecer e integrar a classe. O Encontro Estadual de Líderes Rurais, promovido pelo Sistema Faep/Senar, na Expotrade Pinhais, região metropolitana de Curitiba (PR), ocorreu no dia 2 de dezembro.

Na abertura do evento, o presidente do Sistema FAEP, Ágide Meneguette, destacou a importância da união e do fortalecimento da liderança no setor agropecuário. Para ele, um dos pontos mais importantes é a representatividade rural, feita pela federação e sindicatos rurais, mas principalmente, pela participação dos produtores rurais.

Uma das conquistas recentes do Sistema Faep/Senar foi a rápida articulação da retirada da urgência da tramitação de um projeto de lei do governo do Paraná, enviado para a Assembleia Legislativa. Ele criava um fundo de infraestrutura, a partir da taxação de produtos do agronegócio. De acordo com Meneguette, este caso é só um exemplo do quanto é importante esta força e união da classe rural e de um sistema representativo atuante, defendendo os interesses dos produtores rurais.

Estiveram presentes produtores rurais de mais de 150 sindicatos rurais, de todas as regiões do Paraná. O Sindicato Rural de Guarapuava mobilizou caravanas para o evento.  Ao todo, a Regional do Senar de Guarapuava levou cinco ônibus com produtores rurais da região ao encontro.

As jovens produtoras de Guarapuava Luma Danguy e Lais Ribas participaram do evento. Para ambas, o evento mostrou que o produtor rural tem um lugar de apoio e pode contar com a FAEP e todo o sistema sindical, além de contribuir com informações técnicas de mercado e questões políticas que interferem na produção e comercialização agrícola.

“Outro ponto legal foi ver a valorização das mulheres do agro, mostrando que nós temos força e capacidade tanto quanto os homens. Temos construído um caminho importante”, comentou Lais.

As duas produtoras têm frequentado os cursos do Senar e se capacitado para construir uma realidade mais eficiente na propriedade rural. Elas já fizeram capacitações como o Programa Empreendedor Rural, Gestão de Pessoas e Mulher Atual. “Os cursos de gestão nos ajudaram a ser líderes de verdade. Eles são muito práticos. Após a aula, já podemos aplicar uma tarefa, pois fazemos um levantamento de dados, para implantação na propriedade, na família e na vida. Os instrutores nos preparam para ter esse dia a dia prático, além de poder observar a realidade de muita gente que está há mais tempo no ramo, ajudando a ter essa troca de experiência e networking, o que é muito válido para o crescimento”, exaltou Luma.

 

Programação contou com palestras e apresentações culturais

 

A programação iniciou às 9h, com as falas das autoridades presentes. Entre elas, esteve o deputado federal Pedro Lupion; o deputado federal eleito, Deltan Dallagnol; o senador eleito, Sergio Moro; o diretor superintendente do Sebrae-PR, Vitor Tioqueta; o secretário de Estado do Desenvolvimento Sustentável e do Turismo, Everton de Souza; o secretário de Estado da Agricultura e Abastecimento, Norberto Ortigara; e o diretor presidente da Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar), Otamir César Martins.

 

Tendências do agronegócio

A palestra magna foi conduzida pelo engenheiro agrônomo e especialista em planejamento e gestão estratégica, Marcos Fava Neves, conhecido como Doutor Agro. Ele comentou sobre as tendências do agronegócio.

Para o curto prazo, Fava Neves comentou que os produtores podem se tranquilizar em relação aos custos de produção, que já estão caindo e tendem a sofrer uma baixa ainda maior nos próximos meses. “Fertilizantes e produtos químicos já têm caído de preço. No meu ponto de vista, o produtor pode esperar já para a safrinha e com certeza para a safra 2023/2024, uma situação de custos mais acomodados”, comentou.

Quanto à safra em andamento, o agrônomo explica que vem alertando sobre uma leve queda no preço da soja, em torno de 5%, em fevereiro ou março. “Acredito que os produtores poderiam ter vendido um pouco mais de soja de forma antecipada. Porque o Brasil vai colocar muita soja no mercado mundial. Se o clima for bem, serão mais de 30 milhões de toneladas a mais”. O milho, segundo ele, se manterá estável e a arroba do boi tende a subir, alcançando um preço de R$ 290 a R$ 300.

“No geral, nessa safra 2022/2023 nós temos uma situação confortável. Para a próxima, estou prevendo preços um pouco mais baixos, com a oferta reagindo e aumentando o estoque. Mas como os custos vão cair, acredito que iremos acomodar bem”, afirmou Fava Neves.

No panorama macro, as perspectivas do engenheiro agrônomo é de crescimento exponencial do Brasil no mercado mundial de produção de alimentos. “Seremos responsáveis pela produção de 2/3 da soja, ¼ do bife, 75% do suco de laranja e o Paraná é importante fornecedor do produto e metade do açúcar. O crescimento está acontecendo, mas precisa ser feito com a nova regra do jogo, que é a sustentabilidade. No Paraná, isso já está muito expressivo na produção”, comentou. 

Gestão e tecnologia também não podem faltar para o produtor contribuir para esse crescimento, na opinião de Fava Neves. “Temos que jogar com tecnologia, inovação, cooperativismo, associativismo, união das federações. Trabalhar fortemente para ocupar estes cenários internacionais que estão abertos ao Brasil”, afirmou.

Comunicação no Agro

Camila Telles – produtora rural e influencer digital

“Nós já ficamos em silêncio por muito tempo. Quando falam uma barbaridade do agro, eu penso que estão falando do meu avô, do meu pai, da minha família. E isso faz com que eu queira falar bem e defender nosso setor cada vez mais. Então, eu rebato o que for preciso. Não tenho nada contra os famosos que falam mal do agro, mas eles têm que estudar um pouquinho mais. Eu queria levá-los para uma fazenda, para passar um dia de lida com a gente. Tenho certeza que não falariam mais mal. Todo mundo me pergunta como comunicar, como fazer vídeo, onde devemos estar. O agro precisa estar onde os jovens estão. E eles estão nas redes sociais, como o Tik Tok e o Instagram. Então, precisamos estar lá de alguma forma. E hoje, a simplicidade mostrada do nosso agro é o que chama atenção. Precisamos humanizar nosso setor. Temos que mostrar nosso dia a dia para as pessoas entenderem que estamos muito longe de sermos vilões. Então, se tem algo no dia a dia de vocês, produtores, em que acham que é óbvio ou que as pessoas não vão se interessar, elas vão se interessar. Porque pode não ser óbvio para elas e esse é nosso papel. Temos que pensar em comunicação e em marketing. Eu posso ter o melhor passador de slide na minha mão, mas se eu não souber vendê-lo, não vai vender. Eu posso ter o pior na minha mão, mas se eu souber vender, vou vender bem. E o agro não se vende bem para a sociedade, porque fica em silêncio. Precisamos mostrar que produzimos e preservamos da mesma forma. O agro não é perfeito, porque nenhum setor é. Mas a maioria está fazendo correto e essa maioria que deve ter voz e ser mostrada, senão nossa imagem será prejudicada no exterior. É preciso se questionar sempre: como posso defender o meu setor? Façam o que está ao alcance de vocês, da forma que se sentirem bem, mas façam. Porque temos que fazer a diferença, para nosso Brasil ser valorizado”.

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