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Sexta-feira, 23 de agosto de 2019

Trigo e soja: resultados são positivos dentro do sistema de produção

Como a rotação de culturas e o plantio de trigo impactou na produtividade da lavoura bicampeã do Desafio CESB de soja

Não existe uma receita exata para se dar bem na agricultura, mas é fato que a introdução de novas tecnologias, o avanço das pesquisas, novas opções de manejo, a parceria entre as culturas de inverno e de verão e ainda a visão do produtor sobre todo o sistema da propriedade está impactando diretamente no aumento das produtividades. As culturas da soja e do trigo, por exemplo, andam juntas, especialmente porque o cereal é o mais plantado no Rio Grande do Sul e possui um alto valor agregado para os produtores gaúchos.

O produtor de Cruz Alta (RS), Maurício de Bortoli, provou pelo segundo ano consecutivo que toda tecnologia utilizada na fertilização para as lavouras obterem maiores resultados no verão tem início no inverno. Maurício venceu, pelo segundo ano consecutivo o Desafio CESB (Comitê Estratégico Soja Brasil) de Máxima Produtividade de Soja, com a média de produtividade de 123,88 sc/ha. Ele colheu mais que o dobro da média nacional, que foi de 53,4 sc/ha na safra 2018/2019. A teoria do engenheiro agrônomo colocada em prática na sua fazenda foi projetar, preparar e aplicar na fazenda um contínuo processo de produção. “Pensamos na propriedade como um todo e investimos na rotação de culturas e manejo integrado de pragas, doenças e plantas daninhas”, relata. Nas fazendas da Sementes Aurora, o agrônomo cultiva nove mil hectares de grãos (soja, milho, trigo, cevada, aveia preta e branca).

Para conquistar esse resultado, o produtor investiu em tecnologias de manejo e no controle de pragas e doenças que pudessem diminuir o rendimento e na qualidade do produto final. No item manejo, não abriu mão de cobrir o solo no inverno. Na segunda safra, cultivou um mix de plantas de coberturas em um terço da área. Em outro terço, somente gramíneas, também para cobertura e no restante, quase três mil hectares de trigo e áreas menores aveia preta (1,3 mil ha), aveia branca (1 mil ha) e de cevada (500 ha). Maurício ressalta que o trigo é uma cultura de bastante investimento, de muita responsabilidade técnica e com inúmeros benefícios. “Tenho feito muita rotação de culturas. Proporciona fertilidade, descompactação e a proteção do solo através da palhada, bem como a reciclagem de nutrientes e a rotação de defensivos, gerando benefícios nas culturas de verão”, defende.

A recomendação do produtor é plantar cultivares recomendadas para cada região, utilizar uma tecnologia adequada e manejar as lavouras com o objetivo de produzir grãos. Durante a safra, ele afirma que é importante proteger a área foliar e, na hora da colheita, estar atento a qualidade, a maturação do cereal e, especialmente a segregação. “É muito importante separar o trigo em silos de unidades diferentes para que seja possível recuperar valor desse produto tão importante e com características produtivas tão distintas”, finaliza Maurício. 

 

Trigo contribuindo nos custos fixos da propriedade

O engenheiro agrônomo e supervisor comercial da Biotrigo Genética, Everton Garcia, reforça a contribuição da cultura na diluição dos custos fixos da propriedade. “O retorno financeiro da safra de inverno é importante para dividir os custos fixos diretos da propriedade, como funcionários, arrendamentos, impostos e outros”, defende.

Como o trigo é uma cultura considerada de risco, a indicação é trabalhar com estratégias para minimizar efeitos do clima, através do escalonamento da semeadura, contratação de seguro agrícola e investimento em tecnologias que impactem no aumento da produtividade.

“É preciso reduzir a dependência sobre o valor do trigo indústria no momento da comercialização. Se o produtor pensar em colher 40 sc/ha e vender a R$ 35,00, a margem será negativa. Porém, se aumentar o investimento e a produtividade chegar a 60 sc/ha, mesmo vendendo o trigo num preço mais baixo ou igual a R$ 35,00, a margem bruta fica positiva. Ao reduzir o custo unitário e aumentar a quantidade produzida por unidade de área, o produtor terá lucro sobre o trigo”, disse Everton, ressaltando, no entanto, que se o produtor optar por reduzir investimento, o ideal é diminuir a área de plantio, mantendo o nível tecnológico e  garantindo qualidade final do produto. 

Segundo o coordenador da assessoria do Grupo Agros, Carlos André Fiorin,o custo dos insumos desde 2002 até os dias atuais aumentaram cerca de 185%, porém o custo fixo - como impostos, arrendamento, mão de obra, maquinário e juros - teve aumento de 578%, pesando ainda mais nas despesas. “Sem uma cultura comercial no inverno, o custo fixo da propriedade é debitado todo na conta da soja. Por isso, ressaltamos que o trigo agrega receitas na propriedade rural, além de manter a sua estrutura ativa durante o inverno. É preciso pensar na melhor performance de todos as culturas envolvidas na propriedade. Isso não deixa o time ficar sem ritmo de jogo, fazendo uma analogia com o futebol”, comentou Carlos.

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