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Paran Silos

Segunda-feira, 24 de junho de 2019

Mercado sob influência de diversas tendências

Os produtores de trigo deverão encontrar neste ano, novamente, um mercado influenciado ao mesmo tempo por diversas tendências. Em Guarapuava, o Núcleo Regional da Secretaria de Estado da Agricultura e Abastecimento (SEAB), em levantamento de safra do dia 20 de maio, indicava que, nos 12 municípios abrangidos, a estimativa é de um aumento de 33% na produção: de 110,9 mil t para 147 mil t. Em todo o Paraná, em números divulgados dia 23 de maio, a SEAB também estima uma safra maior: de 2,8 milhões para 3,2 milhões de t, num crescimento de 15%.

Com dados que incluem o Brasil, o levantamento da CONAB, de maio deste ano, indica que, no Paraná, a safra de trigo teria redução de 1,6%, passando de 2,8 milhões para 2,7 milhões de t. Já em nível nacional, a estimativa é também de uma produção praticamente estável, passando de 5,42 milhões de t no inverno passado para 5,46 milhões de t em 2019.

Neste cenário, o economista Luiz Eliezer da Gama Ferreira, da Federação da Agricultura do Estado do Paraná (FAEP), em entrevista à REVISTA DO PRODUTOR RURAL, dia 4 de junho, destacou que os preços do trigo, naquele momento, seguiam influenciados tanto por fatores favoráveis quanto desfavoráveis. “Houve recuo na cotação, no Paraná, em maio deste ano – queda de 2,08% –, com o cereal encerrando o período em R$ 865,33 (por tonelada)”, disse, mencionando o indicador Cepea/Esalq. Ferreira lembrou que o patamar é 7,18% menor do que nesta época de 2018, mas ponderou: “Ainda é o segundo melhor preço dos últimos quatro anos”. Entre maio de 2015 e maio de 2019, segundo observou, o mesmo indicador mostra que a pior cotação foi em 2017: R$ 611,70 por tonelada. No entanto, o economista ressalta que o valor atual fica abaixo do investimento para produzir: “O custo total (por tonelada), quando são incluídas a remuneração dos fatores produção, como a terra, e a remuneração do capital próprio, sobe para R$ 1.266,17”.

Para os próximos meses, ele analisa que o cenário é de atenção e cautela: “Várias são as variáveis agindo de forma simultânea no mercado. Por um lado, a redução de área e as adversidades climáticas podem impulsionar as cotações no mercado interno. Por outro, o recuo do dólar e o aumento das importações devem pressionar as cotações. É difícil avaliar que fatores mais influenciariam a formação dos preços”.

Já no campo, se houve quem decidiu não plantar trigo nesta safra, houve também quem resolveu continuar, como o agropecuarista Márcio Araújo, de Foz do Jordão (PR). Mesmo com a lembrança ainda viva da chuva que em 2018 reduziu seus 150 hectares a uma produtividade de 40 sacos por hectare, ele afirmou que segue na cultura. Mas com menor área: “Diminuí um pouco. Este ano vou plantar 97 hectares”. Para esta safra, sua expectativa é de patamares mais elevados: “Ah, tenho que conseguir produtividade bem melhor”, declarou, esperando em torno de 75 sacos por hectare. Um ponto positivo, pelo menos, já se apresentava: em sua avaliação, o custo por hectare havia se elevado apenas ligeiramente: “No trigo, aumentou pouca coisa. Dando produtividade, cobre todas as despesas”, concluiu.  

 

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