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Quarta-feira, 26 de agosto de 2020

Manejo de pragas no morangueiro foi tema de live do Sindicato Rural de Guarapuava

Levar informação para o produtor rural é uma das missões do Sindicato Rural de Guarapuava. Com informação e tecnologia, o produtor tem a oportunidade de ter uma produção mais eficiente, gerando mais rentabilidade.

Em tempos de pandemia do Covid-19, a entidade continua levando informação por meio das redes sociais, da Revista do Produtor Rural do Paraná e de lives por meio do seu canal do Youtube.

Uma delas aconteceu no dia 30 de junho, com o tema Manejo de Pragas no Morangueiro. O tema foi debatido pela engenheira agrônoma e instrutora do Senar – PR, Karina Calil Caparroz e pela engenheira agrônoma Maria Aparecida Cassilha Zawadneak, professora da Universidade Federal do Paraná (UFPR) e coordenadora da Produção Integrada de Morangos do Paraná.

Segundo Karina, no morangueiro há três sistemas de cultivo principais: solo a céu aberto, cultivo protegido e cultivo protegido em substrato. “No solo a céu aberto há a maior ocorrência de doenças fúngicas na parte aérea e no sistema radicular. Neste sistema, ocorrem muitas pragas se não tiver um bom manejo e o clima for desfavorável. No cultivo protegido com aberturas laterais há a diminuição da incidência de doenças, principalmente, as da parte aérea. Nesta forma, favorece o aparecimento de ácaros e pulgões, pois não há dispersão das colônias com a água das chuvas ou irrigação por aspersão. Já no cultivo protegido em substrato ocorre diminuição de doenças características de solo, nematoides e corós. Ácaros, pulgões, fungus gnats, lagarta da coroa, percevejo dos frutos são favorecidos nesse sistema”.

Mas a agrônoma ressalta que essas são tendências variáveis, pois os fatores decisivos para pragas são o clima da região e o bom manejo do produtor. “Entender o ciclo de vida de cada praga e manejar tanto as pragas quanto os inimigos naturais e utilizar todos os tipos de controle disponíveis são garantias do sucesso do bom manejo das pragas no cultivo do morangueiro”.

A professora Maria Aparecida Cassilha Zawadneak (UFPR) complementa que desde o transplante das mudas até a colheita muitas pragas estão associadas à cultura do morango. “A infestação depende de muitos fatores. Para cada estádio há um complexo de pragas que devem ser monitoradas. Desde o desenvolvimento vegetativo até o início da frutificação há uma maior ocorrência de lagartas pulgões e tripé. À medida que a frutificação ocorre, há maior ocorrência de tripés, ácaros, drosophila, entre outros. Com o amadurecimento dos frutos tem-se observado uma maior ocorrência de drosophila e lesmas que, se o produtor não monitora, há perdas significativas”.

Entre as ferramentas de monitoramento, Maria destaca a observação visual, o uso de lupas para visualizar melhor os insetos, pois eles são de tamanho reduzido, armadilhas adesivas coloridas, batida de planta, armadilhas atrativas com iscas alimentares. “Tudo depende da praga que há na região”, explica.

A professora cita que uma ferramenta importante no morangueiro é o Manejo Integrado de Pragas (MIP). “O MIP consiste na utilização de várias ferramentas disponíveis ao produtor de forma a manter a população da praga em um nível populacional baixo, sem causar perdas. Essas ferramentas devem ser de fácil implantação e de fácil condução, pois é importante o monitoramento semanal ou quinzenal. Com o monitoramento e o MIP o produtor terá melhor qualidade de frutos e melhor aceitação no mercado”.

Para finalizar, Karina resume seis ações para não fazer, se o produtor quiser evitar a incidência de pragas: “1 - Trabalhar sem orientação de um engenheiro agrônomo responsável; 2 - Plantar o morangueiro sem levar em conta as características ideais do local para a cultura; 3 - Comprar mudas e substrato bem barato e sem certificação de qualidade e se for no solo, plantar sem análise de solo e sem correção e adubação; 4 - Fazer a fertirrigação sem critério, sem pesagem, sem instrumentos para medir condutividade elétrica e pH e sem levar em conta o momento da planta, com solução nutritiva engessada (sempre a mesma); 5 - Não fazer as podas necessárias, não fazer poda de limpeza, deixar frutos podres debaixo das bancadas; 6 - Não realizar o monitoramento com lupas, microscópios e armadilhas. As pragas do morangueiro são realmente pequenas, não podemos enxergar os danos primeiro para só depois examinar, pois fica mais difícil o controle, as plantas sofrem demais com isso e, com certeza, o produtor sofrerá mais ainda e gastará horrores”.

 

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