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Quinta-feira, 29 de outubro de 2020

Inoculação e coinoculação na cultura da soja

Por: Maurício dos Santos do Portal Mais Soja

A disponibilidade de fatores como água, radiação solar e nutrientes do solo é essencial para que uma planta possa expressar seu potencial produtivo. Com relação a nutrição, um dos nutrientes mais requeridos pelas plantas é o Nitrogênio, que segundo Taiz et al. (2017) é constituinte de aminoácidos, amidas, proteínas, ácidos nucleicos, nucleotídeos entre outros, desempenhando funções bioquímicas essenciais no metabolismo das plantas.

Para cada tonelada de grãos de soja produzidos, são extraídos cerca de 82 kg.ha-1 de nitrogênio e exportados cerca de 61 kg.ha-1 do nutriente. Sendo assim, a suplementação do nutriente via fertilizantes implicaria em um elevado custo de produção, comprometendo a sustentabilidade econômica do cultivo.

Uma forma menos onerosa e mais prática possibilita o fornecimento do nitrogênio necessário para boas produtividades de soja. Trata-se do processo de simbiose entre bactérias do gênero Bradyrhizobium e plantas de soja. Segundo Gitti (2016), a simbiose entre a soja e bactérias fixadoras de nitrogênio do gênero Bradyrhizobium pode fornecer todo nitrogênio necessário para produtividade médias de soja de até 3600 kg.ha-1, além de efeito residual de 20 a 30 kg.ha-1 de nitrogênio para a cultura sucessora.

As bactérias fixadoras de nitrogênio podem ser encontradas no solo, entretanto nem sempre em quantidades suficientes para promover uma associação simbiótica que forneça todo o nitrogênio necessário para altas produtividades de soja. A forma mais pratica e usual de aumentar a população dessas bactérias promovendo uma simbiose eficiente é por meio da inoculação da soja. O processo de inoculação pode ser realizado nas sementes, utilizando inoculantes líquidos e turfosos ou no sulco de semeadura.

Segundo dados da Embrapa Soja, o processo de inoculação da soja com bactérias do gênero Bradyrhizobium promove um incremento de produtividade na ordem de 8%, assim como a coinoculação com bactérias do gênero Azospirillum que também proporciona um aumento de produtividade médio de 8%. Somando-se as duas contribuições, o processo de inoculação e coinoculação da soja proporciona incremento de produtividade média de até 16% em condições adequadas aos processos simbióticos e associativos.

As bactérias do gênero Azospirillum promovem por meio de processos associativos o estímulo ao crescimento vegetal, especialmente nas zonas radiculares. A aumento do sistema radicular eleva a eficiência de absorção de água e nutrientes do solo em virtude do maior volume de solo explorado, além disso, a coinoculação da soja influencia na nodulação.

Avaliando a inoculação e coinoculação na cultura da soja, Gitti (2016) encontrou resultados que demonstram a eficiência dos processos de inoculação e coinoculação no incremento da produtividade e nodulação da soja. O autor avaliou a testemunha não inoculada e sem nitrogênio (NI), inoculação padrão da soja com Bradyrhizobium na dose de 100 mL.ha-1 (I), inoculação com Bradyrhizobium + Azospirillum nas doses de 100 mL.ha-1 e 150 mL.ha-1 (I + Azo 150 mL.ha-1), respectivamente, e o fornecimento de nitrogênio mineral – ureia (200 kg.ha-1 de nitrogênio) em cobertura no estádio R2 (Gitti, 2016).

Figura 1. Número de nódulos por planta, massa seca de nódulos por planta, massa seca de raízes por planta e massa seca da parte aérea da soja em 2015 e 2016 obtidos em tratamentos sem a inoculação de sementes, inoculação (Bra­dyrhizobium), coinoculação (Bradyrhizobium + Azospirillum brasilense) e aplicação de ureia em cobertura (200 kg.ha-1 de nitrogênio). Fundação MS, Maracaju, MS, 2016 (Gitti, 2016).

 

Conforme observado por Gitti (2016) e Prando et al. (2019), além do aumento da nodulação da soja, a coinoculação da cultura promove aumento da produtividade quando comparada a cultura não inoculada. Assim como esses autores, Vieira Neto et al. (2008) observaram o aumento da produtividade da soja quando inoculada com bactérias fixadoras de nitrogênio, corroborando as informações fornecidas pela Embrapa Soja.

Entretanto, as respostas da inoculação podem estar relacionadas a dose de inoculante, forma de inoculação e/ou processo de inoculação, sendo fundamental possibilitar condições adequadas de cobertura das sementes proporcionando boa distribuição do inoculante.

Quando as sementes são adquiridas já inoculadas ou coinoculadas, é fundamental atentar para o transporte e armazenamento dessas, sendo que condições inadequadas de umidade e temperatura podem comprometer a sobrevivência das bactérias. A inoculação ou coinoculação no sulco de semeadura, vem sendo bem aceita para o cultivo da soja, já que o processo promove maior praticidade e melhor contato bactérias/sementes/solo.

O processo de nodulação da soja tem início nos estádios V1-V2 conforme escala fenológica proposta por Fehr & Caviness (1977). Quando a presença de nós é perceptível, a verificação da viabilidade dos nódulos é fundamental para evidenciar a eficiência do processo simbiótico, sendo que nódulos sadios e funcionais devem apresentar coloração interior rósea em consequência da presença da leghemoglobina.

Com relação ao aumento da produtividade da soja, Gitti (2016) observou que a soja coinoculada apresentou maior produtividade em relação a soja inoculada e a testemunha, destacando a importante contribuição da prática na produtividade da cultura.

Figura 4. Produtividade da soja em 2015 e 2016 obtidas em tratamentos sem a inoculação de sementes, inoculação (Bradyrhizobium), coinoculação (Bradyrhizobium + Azospirillum brasilense). Fundação MS, Maracaju, MS, 2016 (Gitti, 2016).

Tendo em vista os aspectos observados, pode-se concluir que a inoculação e coinoculação da soja são práticas fundamentais para a sustentabilidade e rentabilidade do cultivo da soja, sendo uma ferramenta indispensável no fornecimento de nitrogênio para a cultura.

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Conteúdo produzido por portal mais soja: www.maissoja.com.br

 

Referências:

FEHR, W.R.; CAVINESS, C.E. STAGES OF SOYBEAN DEVELOPMENT. Ames: Iowa State University, (Special Report, 80), 12p. 1977.

GITTI, D. C. INOCULAÇÃO E COINOCULAÇÃO NA CULTURA DA SOJA. Tecnologia e Produção Soja 2015/2016, Fundação MS, 2016.

PRANDO, A. M. et al. COINOCULAÇÃO DA SOJA COM Bradyrhizobium E Azospirillum NA SAFRA 2018/2019 NO PARANÁ. Embrapa, Circular Técnica, n. 156, nov. 2019.

TAIZ, L. et al. FISIOLOGIA E DESENVOLVIMENTO VEGETAL. Ed. 6, Porto Alegre, 2017.

VIEIRA NETO, S. A. et al. FORMAS DE APLICAÇÃO DE INOCULANTE E SEUS EFEITOS NA CULTURA DA SOJA. Biosci. J., Uberlândia, v. 24, n. 2, p. 56-68, Apr./June. 2008.

 

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