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Sexta-feira, 10 de maio de 2019

Dia de campo discutiu manejo e produção

A cultura da Nogueira-Pecã vem sendo aderida por produtores rurais de Guarapuava e região há alguns anos. A parceria entre Sindicato Rural de Guarapuava e Viveiros Pitol vem fomentando este tipo de cultura na região, por meio da comercialização das mudas e assistência técnica aos interessados.

Buscando levar mais conhecimento para produtores e interessados no assunto, o Sindicato e o Viveiros Pitol promoveram o Dia de Campo sobre a Produção de Nogueira-Pecã no dia 25 de abril, na propriedade de Geraldo Ceccon (Vila Jordão).

Cerca de 100 pessoas estiveram presentes, dentre elas, produtores rurais de Guarapuava e diversos municípios, como Itapejara do Oeste, Francisco Beltrão, Catanduvas, Turvo, Prudentópolis, Cascavel, Palmas, Laranjeiras do Sul, Rio Bonito do Iguaçu, Piraí do Sul, Virmond, Uraí, Goioxim, além de técnicos, estudantes do Colégio Agrícola e acadêmicos do curso de agronomia de Laranjeiras do Sul.

Planejamento, implantação e manejo do pomar foram alguns dos assuntos abordados pelo engenheiro agrônomo Julio Medeiros. “O planejamento é muito importante para que a pessoa possa ter noção de como iniciar o pomar. Apresentamos informações sobre o tipo de solo, profundidade, drenagem, textura, disponibilidade de água para irrigação, correção de solo, profundidade de plantio, escolha de variedades, combinação das variedades, manejo inicial de poda, controle de formiga, de ervas daninhas e doenças. Procuramos oferecer uma noção para o produtor que já está cultivando e também para aqueles que têm interesse em ingressar na cultura, para que possam decidir com mais segurança a respeito do manejo a ser feito”.

Além disso, Medeiros buscou dar um breve panorama sobre o mercado da noz-pecã, que segundo ele, tem bastante potencial de expansão, pois há muito mais demanda do que produção do fruto.

A região Sul do Brasil, segundo Medeiros, tem uma condição extremamente favorável para o cultivo da nogueira. Sobre a região de Guarapuava, especificamente, ele detalhou que o Viveiros Pitol presta ou já prestou assistência para mais de 50 produtores e que a região já possui pomares em produção do fruto (as árvores começam a produzir frutos a partir do sexto ou sétimo ano de plantio). “A região de Guarapuava tem um clima muito favorável para a cultura da pecã, com pouca umidade e frio. A nogueira-pecã exige pelo menos 300 horas de frio, abaixo dos 7°C. Guarapuava atende plenamente essa necessidade. Inclusive temos verificado que na região a incidência de doenças foliares é bem menor do que em outras regiões produtoras do Sul, que é uma vantagem competitiva grande”, observou.

O produtor rural Geraldo Ceccon, anfitrião do evento, optou por implantar a nogueira-pecã na propriedade há mais de quatro anos. “Eu tinha uma área de pasto, mas começou a ficar degradada, então ou renovava o pasto ou procurava outra alternativa que me desse lucro nessa área. Eu comprei apenas quatro mudas e observava na revista do Sindicato Rural algumas matérias sobre a nogueira-pecã. Vi que estava dando resultados para alguns produtores e conheci a parceria da entidade com o Viveiros Pitol. Assim, procurei adquirir mais mudas”, relatou.

Neste ano, Ceccon fará o quinto plantio de mudas, que totalizará um pomar de 2 mil árvores. “Essa área é dobrada, é um solo mais seco, uma área que não serve para o plantio de soja, por exemplo. Mas para a nogueira é excelente. Então além do pasto, eu estou aproveitando para ter uma atividade lucrativa. Fica em consórcio com os ovinos, proporcionando um bem-estar para os animais pela sombra das árvores. E ainda valoriza minha área”.

Sobre o dia de campo, o produtor disse que foi uma surpresa muito gratificante quando recebeu o convite de sediar o evento. “É importante a integração dos produtores. Consigo mostrar o que eu estou fazendo e ouvir o que eles estão fazendo. Conhecimento foi o que me proporcionou, desde o início, o desenvolvimento de um bom pomar”. Ele complementou que além da assistência técnica do Viveiros Pitol, sempre procura participar de cursos e eventos na Universidade Federal de Santa Maria (RS), onde recebe informações de especialistas na nogueira-pecã.

O técnico e produtor rural Valdomir José Gnoatto, de Itapejara do Oeste, conta que há dois anos implantou um pomar com 300 árvores em sua propriedade. “Vim para conhecer a cultura um pouco mais a fundo, pois pretendo ampliar meu plantio. Me interessei pela pecã por vários motivos: primeiro pela questão do possível ganho econômico a médio e a longo prazo e também pela facilidade do manejo. Mesmo em pequenas áreas, é possível ter uma fonte de rendimento contínua com o pomar, pois depois que ela começa a produzir, a partir dos sete anos, a mesma árvore pode produzir até 150 anos”, observou.

Já o produtor rural Luciano Zin, de Catanduvas, ainda não implantou o pomar, mas vem buscando conhecimento sobre a cultura para começar o plantio. Quando soube do evento em Guarapuava, viu uma boa oportunidade para obter informações. “Foram tratados temas excelentes para quem está interessado ou começando na atividade. Vejo que é uma boa alternativa para diversificação da propriedade e a longo prazo, um bom investimento”.

A professora Claudia Simone Madruga Lima, do departamento de Agronomia da Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS – Laranjeiras do Sul) participou do dia de campo com mais 30 alunos do 7º período do curso de agronomia, disciplina de fruticultura. “Quero agradecer a oportunidade de participarmos do evento. É importantíssimo que os acadêmicos vivenciem o que está acontecendo no campo. No caso da nogueira, ela se encaixa bem na realidade produtiva da região e tem tudo a ver com a formação e o futuro profissional deles. É uma cultura muito promissora e com potencial. Os acadêmicos precisam conhecer para futuramente fazer recomendações e auxiliar no manejo”.

Ao final do evento, também foram feitas demonstrações de equipamentos que podem auxiliar na colheita e na aplicação de insumos na nogueira-pecã. Confira como os implementos podem ajudar no manejo e produção da cultura:

Rudimar Luiz Kavagnoli

RR Agrícola – Desenvolvedor da máquina

“A máquina é um shaker (implemento que faz vibrar a árvore), que fabricamos. O que ela faz? Em questão de três segundos, ela derruba todas as frutas da nogueira. Isso agiliza muito. Coloca uma sombrita embaixo, chacoalha com a máquina e em três segundos está feita a colheita. Pode ser usada em árvores na faixa de uns sete anos, que é quando a árvore começa a produzir. E depois, pode ser em árvores de 100 anos também. Não tem problema. Ela é uma máquina que fizemos com regulagens, conforme o tamanho das árvores. Você vibrar mais ou menos, conforme achar melhor. Essa máquina já foi testada há muitos anos. Ela não teve problema de machucar a raiz da nogueira. Se a árvore for pequena, tem que usar a vibração menor. Quando a gente vai entregar a máquina, fazemos a entrega técnica, para não ter problema, até de não cair galho, porque às vezes tem galho seco que cai. Tem que ter esses cuidados – usar trator com teto”.

Cristine Liesenfeld

Sistema de Pulverização Eletroestática – SPE

“A nossa tecnologia é baseada em eletrostática. Trabalhamos com sistema de pulverização de defensivos eletrostática, no qual instalamos um equipamento novo no pulverizador que o produtor já tem. Esse equipamento traz várias vantagens: a principal delas é que a gente trabalha com uma carga positiva nas gotas, de forma que elas são atraídas pela planta. Essa atratividade faz com que possamos trabalhar com gotas finas. Trabalhar com gota fina faz com que a gente possa reduzir o volume de calda. Na verdade, as janelas de pulverização tendem a ser bem curtas. É testado que 80% das intoxicações em pulverização são durante a mistura. Uma vez que a gente faz esse pulverizador, ao invés de render meio hectare, começa a render dois, três hectares, com o mesmo volume de calda e o mesmo pulverizador. Diminuímos a exposição do operador e também fazemos com que o rendimento dele seja maior a campo”.

 

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