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Grupo Pitangueiras

Segunda-feira, 24 de junho de 2019

Cooperaliança dá início à Expedição Pecuária no PR

A Cooperaliança Carnes Nobres deu início, no dia 26 de abril, com um dia de campo sobre pecuária de corte, na Chácara Bela Vista, no distrito de Entre Rios, em Guarapuava, a uma iniciativa inédita na cooperativa: a Expedição Pecuária. Voltada a cooperados, a ação prevê até novembro deste ano, em todas as regiões do Paraná, uma série de encontros técnicos sobre a produção.

Em entrevista à REVISTA DO PRODUTOR RURAL, a gerente de Divisão Técnica, veterinária Marina Azevedo, que falou sobre o evento na abertura da programação, detalhou a expedição: “Esperamos contribuir com a produção de nossos cooperados, levantar dados, pontos de gargalo, que podemos enxergar como oportunidades para melhorias, e também estar em contato com o produtor, disseminando tecnologia, conhecimento, junto com essa equipe multidisciplinar que temos dentro da equipe da expedição. Nosso objetivo é ajudar o cooperado a produzir mais, com maior rentabilidade”, disse.

Alinhado com aquela meta, o dia de campo trouxe, de manhã e à tarde, palestras de técnicos da cooperativa e de convidados de empresas parceiras, divulgando a visão de que a propriedade precisa ser eficiente tanto na parte de manejo quanto na rentabilidade e na gestão de pessoas. As atividades tiveram início com apresentações dentro da sede da chácara. Ainda antes do almoço, no local, houve visitação a campo, com o detalhamento dos manejos do gado a pasto, do calendário sanitário e do confinamento para terminação.

À tarde, o evento enfocou os indicadores econômicos e produtivos da Chácara Bela Vista – a propriedade alcançou índices que na avaliação de técnicos demonstram alta produtividade e rentabilidade na pecuária de corte. Outro assunto de destaque foi a necessidade de se adotar, também nas propriedades rurais, diretrizes de recursos humanos para um ambiente de trabalho sem estresse, mais gratificante e mais eficiente. O presidente da Cooperaliança e proprietário da chácara, Edio Sander, proferiu palestra sobre como implantou um sistema de gestão de pessoas, melhorando seu desempenho naquele quesito. Segundo especificou, uma divisão de tarefas dos colaboradores com base em suas aptidões, no espírito de equipe e no engajamento na realização das rotinas melhorou o clima de trabalho e aumentou a eficiência. Sander respondeu também a várias perguntas dos participantes, abrindo espaço para uma troca de idéias e de experiências. 

Apoiaram o dia de campo a Agrária e a Tortuga (uma marca DSM). A REVISTA DO PRODUTOR RURAL conversou com alguns dos palestrantes e traz um resumo do que eles destacaram.

 

Direcionando a genética ao sistema de produção da Cooperaliança

Miguel Abdalla, gerente de Produto Corte Taurino – ALTA Genetics

“Estamos numa era que é a dos números. Claro que para começar a entender o que está acontecendo na fazenda precisamos medir. Medir para saber onde a gente está. E, fazendo planejamento, para vermos como chegar naquele objetivo que estamos almejando. Com isso, temos algumas ferramentas. Entre elas, a genética. Não necessariamente um touro que dá certo numa fazenda dá certo na outra. Por isso, a importância de se olhar característica por característica, para que você possa fazer uma pressão de seleção dentro daquelas características que atendem o seu sistema. Existe o touro ideal para o seu sistema”.

 

Modelo produtivo da Chácara Bela Vista

Rodolfo Carletto, agrônomo da Cooperaliança

“Creio que o trabalho que o sr. Edio Sander mostra a extrema viabilidade de se intensificar áreas agricultáveis com a exploração pecuária. Hoje tem investimento pesado em adubação para o manejo desta pastagem, mas graças a isso ele consegue lotações altíssimas, em torno de 20 novilhos por hectare, e com um ganho de peso, na fase de recria, de mais de um quilo e 200g por animal/dia. Em torno de quatro meses, os animais estão na recria – e mais 100 dias confinados. Então, o sr. Edio é um dos produtores que abatem animais na faixa etária hiper e super precoce, média de 14 ou 15 meses. Se não fosse o confinamento, a gente não ia conseguir a uniformidade de gordura na carcaça”.

 

Modelo produtivo (Confinamento)

Luiz Fernando Menegazzo Gheller – Veterinário da Cooperaliança

“O grande desafio dos confinadores, dos terminadores, é encontrar o ponto ótimo de abate, ou seja, abater o animal no momento em que ele começou a dar prejuízo dentro do negócio. Nem sempre o animal mais pesado é o que deve ir para o abate. Porque às vezes a fisiologia genética dele é para crescer mais, para ele atingir esse ponto de abate com 580 quilos. E esse animal, quando está em crescimento, tende ainda a estar deixando resultado positivo dentro do sistema. Tenho que deixar os animais que dão resultados positivos dentro do sistema, tirar os que já estão negativando o resultado e mandá-los para o abate”.

 

Construindo uma equipe engajada e comprometida

Marina Azevedo, veterinária da Cooperaliança

“Às vezes, as pessoas querem começar uma gestão de pessoas já implantando programas de remuneração, sem antes ter toda a organização da sua gestão. Sem ter processos implantados, funções bem definidas, reuniões de feed back. Essa base de conhecimento, que passamos da questão geral, foi justamente para nortear, porque o case de hoje tem a gestão desta forma aqui, na Chácara Bela Vista, depois de anos de planejamento, de organização, de processos, de funções definidas. Os participantes precisam entender realmente em que nível eles estão, o que ainda precisam fazer para conseguir implantar todas essas questões dentro da propriedade”.

 

Gestão de pessoas na Chácara Bela Vista

Edio Sander, produtor rural, contador e pres. da Cooperaliança

“O modelo de gestão de pessoas é o resultado das observações que fizemos do perfil de cada colaborador. E dentro da descrição de todas as atividades que devem ser exercidas aqui dentro, encaixamos cada funcionário, com a sua aptidão, em uma determinada descrição de função. Aí, conseguimos acertar. Foi um pouco demorado para fazer isso, levaram alguns anos de observação, mas chegamos a um modelo que para nós é interessante, interessante para o colaborador e dá resultado para a propriedade. Porque cada um, tendo a sua função devidamente descrita, no dia a dia exerce a sua tarefa, que está dentro da sua aptidão e aí o conjunto funciona”.

 

Indicadores produtivos e econômicos – Chácara Bela Vista

Robson Kyoshi Ueno, agrônomo da Cooperaliança

“É preciso controlar, planejar, conhecer os números, para se poder promover melhorias no sistema produtivo da pecuária de corte. O número que não é conhecido não pode ser melhorado. Isso é o que todo mundo fala. E é uma realidade. Quem não conhece seus números ou quem não planeja os seus números, está nadando num barco furado. Existem vários centros de custos, que compõem o custo total da pecuária. Preço de milho, soja, ração, sal mineral. Dentro de um mercado futuro para estes insumos, o produtor, sabendo quanto vai gastar com esses insumos, pode usar um indicador de qual seria a margem que teria para gastar com bezerros. Então, isso é um balizador interessante”.

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