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Sexta-feira, 10 de maio de 2019

2ª Festa Campeira reforça laços de amizade campeira

Um evento cultural reviveu, no final de semana dos dias 23 e 24 de março, em Candói (PR), uma tradição que surgiu com a própria história da região. Realizada pelo Criatório Talavera, da Fazenda San Sebastian, naquele município, e pela Cabanha do Lageado, de Guarapuava (PR), com o apoio de empresas e do Núcleo de Criadores de Cavalo Crioulo de Guarapuava (NGCCC), a 2ª Festa Campeira trouxe atividades que relembraram a cultura tropeira. Competições de laço, promovidas durante o evento, valeram como provas oficiais da Associação Brasileira de Criadores de Cavalo Crioulo (ABCCC).

No sábado, por volta das 10h, aconteceu a apresentação de plantel, com animais da raça crioula. À tarde, a atração foi a Cavalgada, num trajeto de cerca de oito quilômetros, nas proximidades da sede da propriedade.  

Ao final do primeiro dia, um dos organizadores, o produtor rural e crioulista Gibran Thives Araújo, da Fazenda San Sebastian, já antevia um balanço positivo: “A gente percebe que estão todos gostando muito. O clima vem nos ajudando. Estamos muito contentes com tudo isso”. Ele acrescentou que a programação foi elaborada tanto para os participantes já experientes na arte do laço, quanto para aqueles que desejam tomar contato com toda a cultura que cerca o cavalo, como o passeio promovido após o almoço: “Essa ideia, tivemos junto com o Vinícius. A cavalgada é uma modalidade que não exige tanto desempenho de quem monta, pode ser iniciante. E foi um sucesso”, comemorou.

Ele observou que assim se alcançava o objetivo do evento: “Temos um criatório de cavalos crioulos. Isso nos motiva a mostrar a raça para as pessoas. A idéia da festa foi esta: criar um ambiente favorável ao uso do cavalo e para as pessoas se confraternizarem”.

Entre patrocinadores e entidades, todos os parceiros, destacou Gibran, se mostraram fundamentais. “Um evento deste demanda muitos profissionais”, citou, referindo-se a todas as pessoas que trabalharam na festa campeira.

Ao lado dele na organização, Vinícius Virmond Krüger, da Cabanha do Lageado, fez igualmente ao final do primeiro dia uma boa avaliação: “O intuito é reunir amigos e quem gosta de cavalo. Acredito que foi um sucesso. O laço já é um esporte muito conhecido e tradicional na nossa região. Este primeiro dia, estamos coroando com chave de ouro”, afirmou.  

E se, ao entardecer, na pista de provas, foi a voz do narrador que traduziu toda a emoção das armadas, ao anoitecer, nas rodas de chimarrão, foram as vozes do conjunto Rondas e Tertúlias, de Curitiba, que coloriram a festa. Os violonistas e cantores, André Novo e Eduardo Frasson, e o acordeonista, Cristian Souza, também interagiram com os participantes, num bate-papo sobre música e tradicionalismo. A afinidade, contou André Novo, era o mais importante naquele dia: “Antes de virmos como contratados, a gente vem pela amizade que temos pelo Gibran e pelo Vinícius. Eu mesmo trabalho com o cavalo crioulo. Para nós é prazeroso estar nessa terra maravilhosa que é Guarapuava, Candói e toda essa região”.

Arrancando aplausos com canções que falam de vidas e jornadas do passado, a música do conjunto encerrou o dia emoldurando, à luz do por-de-sol, histórias que recriam, nos dias de hoje, a mesma determinação campeira que marcou a trajetória dos antepassados das famílias presentes ao evento.

Sem conter o sorriso por estarem então ao lado um do outro, o casal de namorados Fernanda Cristina Elias e Geovani Rocha Teixeira aproveitava o cair da noite para uma volta, sobre seus cavalos, a passo lento, numa área ao lado da festa. Ao conversar naquele momento com a REVISTA DO PRODUTOR RURAL, eles mostraram que, tanto quanto o laço e a música, a tradição tropeira se mantém na determinação de vencer distâncias: para ela, de Uberaba (MG), e para ele, de família local, nada mais natural do que cruzar distantes rincões para se reencontrar – neste caso, cerca de 950 km. “Está sendo um prazer participar”, resumiu Fernanda, agrônoma que em sua região trabalha com as culturas de soja e de cana-de-açúcar. “Primeiro, eu vim por causa do meu namorado. Ele mora em Guarapuava, a família é daqui de Candói. É uma família de laçadores”, comentou. Mas também a jovem, como enfatizaram parentes e amigos, é vista por eles como uma revelação do laço. Um talento que ela reconhece com modéstia bem mineira – como se em apenas seis meses de treinamento já não tivesse obtido boas colocações em competições de que participou: “É bem recente. Tenho uns treinadores bons. A família do meu namorado, eles laçam e estão me ensinando. E agora estou começando no rodeio”.

Geovani, por sua vez, confirmou que seu contato com o laço dá sequência a uma antiga tradição que ele traz de casa: “Meu avô foi um dos pioneiros do laço no Paraná. Comecei aos quatro anos de idade e participava dos rodeios aos finais de semana”. Participar das competições ao lado de Fernanda, para ele, foi um dos pontos altos do dia. Naquela tarde, durante a cavalgada, destacou, ambos optaram por permanecer na sede da fazenda para comparecer às provas. “Ficamos laçando”, concluiu ele com um sorriso.

No domingo, a emoção da 2ª Festa Campeira ficou por conta do Crioulaço, nas categorias Dupla e Laço do Criador, e da Paleteada. O Sindicato Rural de Guarapuava foi um dos apoiadores do evento.

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