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Sexta-feira, 11 de março de 2022

Produtores rurais comercializam produção por meio de plataforma digital em formato de condomínio

Um grupo de produtores rurais da região de Campos Gerais encontrou uma solução digital para realizar a comercialização das suas produções. Por meio de uma plataforma digital de vendas, os produtores formaram um condomínio digital e assim estão conseguindo realizar as negociações de forma mais rápida e menos onerosa.

A plataforma de comercialização se chama e-camposgerais e é administrada pela startup OSalim Negociação Digital. O grupo Sementes Mutuca foi o pioneiro na ideia, com o projeto piloto da inovação. O processo de validação foi de 2012 a 2014. “Desde então, 100% da nossa comercialização de grãos e sementes passa, obrigatoriamente, pela plataforma”, conta um dos proprietários da Sementes Mutuca, José Bento Cavalcanti Germano.

Ao ser questionado sobre por qual razão optou-se por este tipo de comercialização, Germano explica que a partir da certificação do ISO 9001, havia uma demanda pelo melhoramento no processo de gestão de vendas e uma melhor rastreabilidade. “Então enxergamos no sistema um meio de otimizar o comercial e tornar nossas vendas mais eficientes, seguras e transparentes. Além disso, tínhamos um custo altíssimo com corretagem. A plataforma traz ao produtor não só essa redução de custos, mas também a independência de poder tomar as próprias decisões e agir com mais segurança”, conta ele.

Germano detalha que o custo por hectare por corretoras gira, em torno de 0,5% (R$100/ha) para milho e 0,3% (R$50/ha) na soja. “Se multiplicarmos isso pela quantidade de área que a Mutuca colhe hoje, o valor torna-se absurdo no final do ano agrícola. O corretor acaba se tornando sócio do nosso faturamento bruto”, explica.

Além da redução de custos, ele cita outras vantagens de realizar a comercialização pela plataforma digital: “Transparência/Processo auditável; Timing - importantíssimo para uma negociação, o produtor consegue acessar o comprador e vice-versa; Segurança: a negociação tem validade de contrato; Capilaridade; Protagonismo: é realmente tomar a liderança nas negociações, sem interferência de intermediários”.

Atualmente, 30.000 toneladas de grãos e sementes são negociadas pelo condomínio e-camposgerais e pela plataforma exclusiva da Mutuca, também pela OSalim. “Não temos intenção nenhuma de reverter isso. Com o nível de compromisso e necessidade de gestão que a Mutuca possui, não consigo imaginar sendo feito de outra maneira”, declara o produtor.

Outro grupo agrícola que está realizando a comercialização da produção pelo e-camposgerais é a Agropecuária T. Yanamoto. Álvaro Tatsuya Yamamoto conta que estão utilizando a plataforma desde julho de 2021. “Decidimos usar a ferramenta para comercialização, primeiro porque já tínhamos familiaridade com a ferramenta, outra por conhecer o grupo responsável (Sementes Mutuca). Então confiamos na segurança dos dados e das negociações”.

Para Yamamoto, a principal vantagem da maneira de comercialização são as taxas de comercialização que reduzem muito, se comparadas com as corretoras. Outra facilidade para ele é a agilidade na negociação. “De maneira ágil, conseguimos enviar as ofertas para vários compradores ao mesmo tempo, todos de confiança e garantia. Não precisamos nos preocupar se vamos vender e não receber. A própria escolha desses compradores para fazer parte do condomínio é feita por uma seleção criteriosa e a ferramenta gera o registro da negociação para formalização e garantia do negócio. A escolha dos produtores também passa por uma criteriosa avaliação e validação. Então é segurança e agilidade para os dois lados”, conclui.

 

OSalim: plataforma digital de comercialização

 

O diretor de Tecnologia da OSalim, Juan Pablo da Cruz conta que o Condomínio Digital de Produtores foi criado para otimizar o processo de comercialização de grãos, já que esse mercado é cada vez mais dinâmico e competitivo. “Ao fazer parte do “clube”, é possível ganhar relevância no contexto regional, rastrear o processo comercial e obter vantagens reais durante o processo de negociação da produção”, destaca.

Cruz complementa que os fundadores da startup entendem que, atualmente, o produtor não deve se dedicar apenas à uma boa produção, mas também ser protagonista fora da fazenda, participando ativamente na comercialização da sua safra. Além disso, as soluções digitais estão presentes mais do que nunca no agronegócio. “De acordo com uma pesquisa divulgada pela McKinsey & Company em 2021, as iniciativas digitais de comercialização são uma realidade cada vez mais presente, com adesão crescente pelos produtores brasileiros, estando à frente dos Estados Unidos e da União Europeia”, observa.

O diretor explica que para participar do condomínio na plataforma é interessante que os produtores tenham capacidade de armazenamento própria ou tenham onde armazenar sua produção. O participante contribui com uma mensalidade e quando uma negociação é efetivada, é pago um valor fixo por tonelada vendida. “Desta maneira, o custo da comercialização não fica atrelado ao faturamento do produtor, mas sim ao volume, o que representa mais previsibilidade e transparência no processo”, detalha Cruz.

Atualmente, o condomínio "modelo" da plataforma OSalim é o e-camposgerais, onde os produtores integrantes contam com mais de 20 mil hectares e uma alta capacidade produtiva. “Neste caso, além das vantagens na negociação de grãos, o fato dos produtores integrarem o condomínio de comercialização, também proporcionou a realização de parcerias com empresas de micronutrientes, onde são ofertados inoculantes e adjuvantes com preços especiais, por exemplo”, comenta o diretor de tecnologia.

Grupo de produtores rurais em Guarapuava

O Sindicato Rural de Guarapuava realizou em fevereiro uma reunião com um grupo de produtores interessados no modelo de venda. Na ocasião, Juan Cruz apresentou o funcionamento da OSalim.

A ideia é formar, futuramente, um grupo comprometido com a ideia aqui na região. Interessados devem entrar em contato com o Sindicato Rural de Guarapuava.

 

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