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Segunda-feira, 29 de outubro de 2018

Encontro de Inspeções Sanitárias atraiu médicos veterinários e acadêmicos de todo Estado

Durante os dias 13 e 14 de setembro, a Sociedade Paranaense de Medicina Veterinária – Núcleo Centro-Oeste, com o apoio do Conselho Regional de Medicina Veterinária (CRMV), promoveu o 7º Encontro de Inspeções Sanitárias e 4º Encontro de Saúde Pública do Estado do Paraná, no Sindicato Rural de Guarapuava.

A programação envolveu palestras e mesas-redondas sobre temas importantes e atuais para os profissionais da vigilância e inspeção sanitária. “Nós propomos um trabalho conjunto nesses novos temas que estão causando uma angústia nos profissionais, como o Selo Arte, produto sem inspeção, sem fiscalização. As pessoas estão fazendo confusão, achando que a partir de hoje vai ser tudo liberado, sem garantia nenhuma de qualidade ou sanidade nos produtos para o consumidor. A discussão é ampla. Organizamos um evento mais focado, para que as vigilâncias, os serviços municipais, estaduais e os responsáveis técnicos entrem em um consenso sobre o assunto e possam trabalhar juntos”, disse a presidente da Comissão Estadual de Segurança Alimentar e Nutricional de Produtos de Origem Animal – CRMV – PR e da Sociedade Paranaense de Medicina Veterinária – Núcleo Centro-Oeste, Ana Lúcia Menon de Lima, uma das organizadoras do evento.

A REVISTA DO PRODUTOR RURAL esteve presente no evento e fez a cobertura completa do encontro. Confira o resumo dos temas discutidos:

Implantação de Programas de Autocontrole

(FOTO MESA REDONDA 1)

Mesa redonda: Ricardo M. Calil, presidente da Comissão Técnica de Alimentos do CRMV de São Paulo; José M. dos Santos Filho, presidente da Comissão Nacional de Tecnologia e Higiene Alimentar do CFMV; Leonardo Napóli, secretário do CRMV; Camila Demarco Maito, médica veterinária; Roseli C.Holberath Hoppen, membro do CRMV; Ana Lúcia Menon de Lima – presidente da Comissão Estadual de Segurança Alimentar e Nutricional de Produtos de Origem Animal – CRMV – PR. 

Leonardo Napóli – secretário do Conselho Regional de Medicina Veterinária

“Abordamos o tema autocontrole e abrimos a discussão para que fossem expostas as práticas dos colegas nos diversos sistemas. Isso permite a troca de experiência e de proposições para que a gente possa encaminhar essas demandas do Estado para o Conselho Federal, para que ele articule novas regulamentações, modifique-as e aprimore-as. Pelas discussões, percebemos uma falta de interação e comunicação entre os profissionais que atuam na fiscalização com os responsáveis técnicos, que são justamente os que fazem um link do processo de fiscalização com os empresários. Outra demanda é a falta de padronização que também é recorrente na fiscalização. Um fiscal atua de uma forma, outro profissional de outra forma no mesmo município ou na mesma região e isso é uma reclamação tanto dos RT’s, como dos empresários”.

Monitoramento de Listeria monocytogenes em plantas de processamento de aves e suínos

Luciano dos Santos Bersot – DCV/UFPR

Listeria monocytogenes é um patógeno ambiental importante em indústrias de produtos de origem animal pela capacidade que ela tem de persistir no ambiente. E essa persistência se dá principalmente nas superfícies que entram em contato com o alimento e de duas formas: numa contaminação contínua ou pela formação de biofilmes (estruturas de resistência que o microorganismo fica inerte e resistindo a ação de sanitizantes). O monitoramento de Listeria é importante, pois é um patógeno que acomete humanos, provocando uma sintomatologia grave, podendo variar entre uma gastroenterite até a morte por meningoencefalite. A grande indústria de produto de origem animal tem, dentro da gestão de qualidade, se dedicado a monitorar a Listeria. Porque não tem como erradicar, A gente monitora e tenta atender procedimentos de padrão de higiene operacionais, com objetivo de controlar sua existência dentro da planta de processamento”.

Aspectos valorizados pelo comprador de carne bovina brasileiro

Vinicius Cunha Barcellos – DCV/UFPR

“Na nossa pesquisa, tentamos detectar os fatores que as pessoas levam em consideração ao comprar a carne bovina. Fizemos entrevistas com as pessoas no mercado, depois que elas colocavam a carne no carrinho. Os aspectos citados nas respostas não estão relacionados diretamente à qualidade no momento do consumo. Isso mostra que o consumidor conhece pouco o produto e o que seria importante avaliar na hora de comprar para ter uma boa qualidade na hora de consumir a carne. Por exemplo, a idade do animal e a raça são informações que não tem como ele saber só de olhar a carne. Só pode se ter certeza dessa informação se ela estiver descrita no rótulo. E eles dão pouca importância para as informações contidas nos rótulos, aliás, a grande maioria não acha importante comprar a carne embalada e que tenha rótulo, prefere comprar carne cortada pelo açougueiro”.

Resolução SESA 469/2016 – Regulamentação autosserviço

Gilberto Quadros – SESA

“A resolução estadual da SESA 469/2016 trata do fracionamento em estabelecimentos na modalidade chamada de autosserviço, que nada mais é que estabelecimentos que fracionam os produtos de origem animal e reembalam. Existem duas modalidades: o autosserviço que faz o fracionamento na frente do consumidor, que não precisa de responsável técnico; e aquele que faz o fracionamento na ausência do consumidor e, desta forma, precisa de responsável técnico, como açougues, padarias, mercados, peixarias, etc. Desses estabelecimentos que fracionam na ausência do consumidor, têm aqueles ainda que industrializam, usam processos tecnológicos que alteram as características organolépticas dos produtos e isso é considerado um processo industrial. Esses estabelecimentos, mesmo na modalidade de autosserviço, terão que ter a inspeção municipal ou estadual. A gente tem uma adesão mediana a essa resolução, porque depende de fiscalização, que é responsabilidade do município e muitas vezes é um serviço bastante espinhoso. Faltam funcionários e também conscientização da própria população em cobrar essa fiscalização nos estabelecimentos”.

Visão Holística sobre Produtos Artesanais diante da lei 13680/2018

Mesa redonda: José M. dos Santos Filho – presidente da Comissão Nacional de Tecnologia e Higiene Alimentar – Contha/CFMV; Ricardo Moreira Calil – presidente Comissão de Alimentos CRMV-SP; Gilberto Quadros – Secretaria Estadual de Saúde do Paraná – SESA

Ricardo Moreira Calil – presidente Comissão de Alimentos CRMV-SP

FOTO RICARDO

“Com a criação do Selo Arte é importante ressaltar que há insegurança jurídica, porque ao mesmo tempo em que a lei federal foi modificada, criou um problema muito sério que é colocar para um setor da vigilância sanitária a responsabilidade de uma inspeção que é industrial e feita por outros setores. Outro problema é que na lei está previsto que o individuo pode começar a comercializar antes de sair a regulamentação da lei. O que nos parece que do ponto de vista sanitário é um grande risco para a população, porque na medida em que você compra um produto que tem apenas uma expressão escrita Selo Arte, não significa necessariamente que este produto foi produzido dentro das normas de segurança dos alimentos. Então, o consumidor estaria consumindo um produto de alto risco. Acredito que essa situação terá que ser resolvida rapidamente para que não se crie uma grande dificuldade nos municípios de executar a legislação. Isso porque se existe uma insegurança jurídica, como você executa seu trabalho? A vigilância sanitária de alimentos e a inspeção de produtos de origem animal estão em dúvida de como resolver a questão deste selo. Não foi criado um sistema para controlar esses produtos, foi criado apenas um selo, o que não significa nada. Isso cria, além de uma instabilidade jurídica, um risco enorme sanitário e higiênico para o consumidor. E ele precisa fica atento sobre essa situação”.

Saúde Única e Análise de Risco na Interface Humano-Animal

Jéssica Lopes – médica veterinária e membro da Comissão de Saúde Única do Paraná do CRMV - PR

“Falamos sobre a saúde única e a análise de risco na interface humano-animal. A saúde única ainda está gerando muita confusão para as pessoas, porque é um conceito antigo, que foi recentemente estabelecido. Já a análise de risco também é muito importante. É uma metodologia que varia de acordo com o tema, então pode ser uma análise de risco para zoonose, para segurança alimentar, para catástrofes naturais... tem várias aplicabilidades”.

Febre Amarela

Walfrido Kühl Svoboda – Universidade Federal da Integração Latino-Americana (UNILA)

“Recentemente ocorreram mortes dos primatas não humanos pela Febre Amarela. Sobre isso é importante destacar a vigilância das epizootias, que são as epidemias, mas nos animais. Os médicos veterinários de todas as áreas de atuação precisam se sensibilizar em relação a esse controle da febre amarela nos primatas não humanos. Precisamos dar importância cada vez mais no conceito de saúde única, não focando só na saúde humana ou na saúde dos animais, mas entendendo a saúde como única, ligando a questão humana, animal e ambiental. E a febre amarela é um bom exemplo de como a saúde única pode ser colocada em prática. Ela contempla tanto casos humanos, como casos de animais, os macacos e os mosquitos que transmitem. E com isso, queremos contemplar a Febre Amarela numa visão mais holística e nesse conceito de saúde única”.

Queijo Artesanal no Paraná

Mary Stela Bishof – Emater/PR

“A Emater – PR promoveu o 1º Concurso de Queijos Artesanais do Paraná esse ano. Esse projeto tem o objetivo de valorizar a produção do queijo artesanal que está bem invisível no Paraná. Os agricultores familiares tinham deixado de produzir os queijos devido ao difícil acesso ao processo da legalização. A organização do concurso foi justamente para identificar quem ainda está fazendo o queijo artesanal no Estado, de maneira simples, como faziam seus antepassados, com estruturas bem simplificadas, mas com sabores diferentes e únicos. A gente não tem um queijo tradicional de uma região do Estado, por exemplo. A partir do concurso, estamos organizando um processo para desenvolver e aprimorar a produção dos queijos. A etapa final do concurso aconteceu em julho e escolhemos os três melhores queijos do Paraná”.

 

 

 

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