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Quarta-feira, 14 de setembro de 2022

Dedicação ao mundo da pesquisa

Produtos de controle biológico são estudados há mais de 30 anos por professora da Unicentro

Doutora e mestre em Fitopatologia, Cacilda Marcia Duarte Rios, professora do Departamento de Agronomia da Universidade Estadual do Centro-Oeste (Unicentro), se dedica, há mais de 35 anos, a pesquisas de controles alternativos de doenças em plantas, especialmente o controle biológico. Desde seu ingresso na Unicentro como professora, há 19 anos, ela busca implementar diversas linhas de pesquisa nesta área.

Dentre as frentes, uma das pesquisas de destaque coordenada por Cacilda é um isolado do fungo Trichoderma. A pesquisa iniciou há oito anos e depois de muito trabalho, o fungo, adaptado as condições da região de Guarapuava, desde o solo até o clima ameno, já apresentou bons resultados para doenças de parte aérea da cultura de trigo, antracnose no feijoeiro e pinta preta nas culturas de tomate e batata.

Mais recentemente, o isolado de Trichoderma está sendo testado para controle de Nematoide-das-galhas (Meloidogyne). Diante das boas perspectivas, essa linha da pesquisa recebeu uma proposta de parceria da companhia química japonesa, a multinacional Sumitomo Chemical. A intenção é, por meio da tecnologia da empresa, descobrir a melhor maneira de transformar o que foi produzido no laboratório no produto adequado para aplicação no campo.

Isso foi possível através do Programa de Mestrado e Doutorado Acadêmico para Inovação – MAI/DAI do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPQ). “Estamos na fase inicial dessa parceria e com uma expectativa muito boa. O interessante é que apesar de ser voltado para nematoides, sabemos que o controle biológico quando tem eficiência para uma doença, pode ser usado para muitas outras. Então, podemos ampliar futuramente”, observa.

Um produto biológico, assim como um produto químico, “não nasce de um dia para outro”, ressalta Cacilda. Ela explica, por exemplo, que a linha de pesquisa com o Trichoderma, apesar de já existir há oito anos, agora é que chegou na fase de ser testada a campo.

Paciência é uma palavra chave para a pesquisa. A professora conta que são muitas fases e para se ter uma ideia, quando tudo começou, a aluna, que na época era uma doutoranda do Programa de Pós-Graduação de Agronomia da Unicentro, fez mais de 400 isolados do fungo e depois de diversas seleções, se chegou no isolado do Trichoderma atual.

“Tudo começa com a procura da doença nas áreas. Então, faz os isolados tentando identificar os microrganismos. Com essa seleção, testamos todos em laboratório, no que chamamos de confronto direto, que é o primeiro teste que fazemos, colocando os microrganismos e o agente patogênico da doença, para ver se ele tem uma ação direta sobre esse fungo. E aí selecionamos alguns. Depois vemos se há produção de metabólitos. Aqueles que tiveram bom desempenho no laboratório, passamos para casa de vegetação. Nesse momento, temos que selecionar quais culturas temos que trabalhar e quais doenças. Nessa fase também testamos a concentração do produto, a quantidade que tenho que utilizar e a forma que vou aplicar, se é na parte aérea, tratamento de sementes ou incorporar no solo”, detalha Cacilda.

Para realizar todo esse trabalho, ela conta com um grupo de acadêmicos. Atualmente, são cinco alunos de doutorado, três de mestrado e 13 alunos de graduação de Agronomia que fazem Iniciação Científica no tema de controles alternativos de doenças das plantas.

Outra frente de pesquisa que Cacilda coordena, dentro do tema de controle alternativo de doenças, é a utilização do substrato exaurido para a produção de cogumelo. “Temos muitos produtores de cogumelo na região e esse substrato acaba sendo descartado. Estamos testando para que ele seja utilizado como condicionador de solo e começamos algumas pesquisas para utilização desse resíduo no manejo de nematoides”, explica.

Há também pesquisas buscando estudar quebra de dormência para tirar o produto químico e indução de resistência, entre outros temas. “Nossas pesquisas parecem muito de base, mas fornecem dados muito importantes para quem está trabalhando na defesa vegetal. Pois conseguimos falar porque aquele produto faz efeito e porque ele tem que ser aplicado naquela época. Conseguimos verificar isso através dos processos fisiológicos da planta, onde está ativando, onde está diminuindo. Há toda uma base científica nos dados que a gente passa”, conclui.

 

Satisfação

Diante de uma longa caminhada na pesquisa de controle biológico, Cacilda diz que fica feliz por estar presenciando a valorização destes tipos de produtos na busca de uma agricultura mais sustentável. “Muita gente me questionava, desde o meu mestrado, quando comecei a pesquisar sobre o tema: você acredita em controle biológico? E eu fico feliz porque eu nunca desacreditei dele, sempre soube da importância e só tenho a felicidade de ver hoje que ele está sendo bem colocado”.

Ela pondera que realmente há muitos benefícios com os biológicos, de uma sustentabilidade econômica e ambiental, mas que eles não devem ser pensados como uma maneira de substituir totalmente os produtos químicos. “É preciso essa perspectiva que o biológico deve entrar em um programa de manejo. Ele não vem substituir, vem somar. Precisa usar os dois, aumentando a eficiência e diminuindo o número de aplicações de produtos químicos”, finaliza.

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