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Quarta-feira, 01 de novembro de 2017

Milho: Centro-Sul do PR segue com redução de área

Guarapuava e região encerraram a safra de milho 2016/2017 com um balanço triste para o produtor em termos de rentabilidade. Considerando-se que o centro-sul do Paraná é classificado por vários agricultores e pesquisadores como uma das melhores regiões do Brasil para aquele cultivo, com produtividades por hectare quase três vezes superiores à média brasileira (5,5 mil kg/ha), o fato dá uma ideia do quadro do setor em nível nacional. E para trazer mais nervosismo ao segmento neste quadrante do Estado, onde o inverno frio impede a realização de safrinha, o período de plantio 2017/2018 para lavouras tecnificadas, pouco antes da primavera, trouxe uma estiagem com calor fora do comum.

Ao conversar com a REVISTA DO PRODUTOR RURAL, no dia 12 de setembro, um tradicional produtor de milho relatou que era neste cenário de expectativas secas que ele se preparava para mais uma safra. Roberto Pfann comentou que na propriedade, em Guarapuava, a terra já estava pronta para a semeadura. Mas temia que, sem chuva, colocar a semente no solo, naquele instante, seria plantar prejuízo.

O milho, avalia, tem representado desafios, tanto na comercialização interna quanto na externa. No Brasil, uma grande oferta: “Aumentaram muito as áreas de inverno, que seriam a região Norte do Paraná, Mato Grosso do Sul e Mato Grosso, até Goiás e Minas Gerais. Este é um mercado que está suprindo o consumo nacional e a exportação”. O produtor aponta ainda que os prazos de pagamento, mais longos do que no setor da soja, também desestimulam o produtor: “Você fica até 30, 40 dias para receber. Tem alguns casos em que os compradores estão negociando para 60 dias”.

Pfann recorda que, mesmo na venda externa, que poderia amenizar a situação, a cotação da saca é a do milho colocado no porto – na composição do montante, quanto mais longa a distância entre a lavoura e o mar, menor o preço do milho na origem e maior o do frete até o embarque. Com áreas também no Centro-Oeste, ele conta que já vendeu o produto por preços ainda mais baixos do que os do Paraná.

Frente à repetição de qualidade alta e preço baixo, o resultado, concluiu o agricultor, tem sido a redução do espaço da cultura: “Começamos, na década de 90, a plantar o milho fazendo meio a meio (com soja). Próximo de 2010, 2011, a gente foi diminuindo. Nossa meta era ficar em um terço da área de milho e dois de soja. Ano passado, tivemos 26%. Este ano, em torno de 23%”.

Para quem como ele insiste na atividade para obter os benefícios agronômicos do milho na rotação de culturas, Pfann defende que é preciso cautela: “Para você ter algum lucro, teria de colher acima de 200 sacos (por hectare). A margem está muito pequena. Por isso, não podemos fazer nada que venha a dar errado, senão podemos não fechar as contas”, justificou.

A regional da SEAB em Guarapuava confirma o quadro que o produtor vê no campo. Um dos técnicos locais do DERAL, Dirlei Manfio informou em entrevista no dia 18 de setembro que, para 2017/2018, a secretaria vê nos 12 municípios abrangidos uma redução de área de milho de cerca de 22% em relação a 2016/2017: de 71.600 para 56.000 hectares. A causa seria o preço. Ele relembra que, em maio de 2016, na região, a saca chegou a cerca de R$ 40,00. Após as safrinhas paranaense e brasileira, a cotação despencou e, em agosto de 2017, atingiu R$ 17,50. O quadro, esclarece Manfio, já vinha se configurando nas médias de anos recentes (números do DERAL): em 2013 e 2014, cerca de R$ 20,00; em 2015, em torno de R$ 21,00; em 2016, R$ 33,73; e, neste ano, até agosto, média de R$ 21,53 a saca.

Em paralelo, para 2017/2018, também já se verificava atraso no plantio, por causa do clima seco. “Na comparação com a mesma época do ano passado, teríamos de estar com 20% a 25% do milho já plantado. Estamos hoje com praticamente apenas 5%. A última chuva generosa foi dia 19 de agosto, quando tivemos em torno de 50 milímetros”, completou.

Em nível estadual, a SEAB informou, no começo de setembro, que esta deverá ser a menor safra de milho verão do Paraná. Com retração de 33%, a área passa de 513.627 para 344.520 hectares. A produção cai 37%, passando de 4,9 milhões para 3 milhões de toneladas. No entanto, a SEAB estima que não haverá impacto para as principais cadeias produtivas consumidoras de milho (aves, suínos e leite) porque o mercado está abastecido. Segundo a secretaria, a queda na 1ª safra representa 10% de redução, quando computados os volumes das duas safras plantadas no Estado.

 

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