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Segunda-feira, 28 de agosto de 2017

Empreendendo no campo

Na busca por culturas diferentes das commodities mais conhecidas, como soja e milho no verão, ou trigo no inverno, há quem escolha outras opções entre as incontáveis possibilidades da agricultura. Em Guarapuava, a REVISTA DO PRODUTOR RURAL encontrou produtores que resolveram apostar na produção de cogumelo, um produto ainda pouco comum nas propriedades rurais no centro-sul do Paraná. Seja começando neste cultivo, ou recomeçando, eles vêm buscando consolidar seus sistemas produtivos com uma visão empresarial, considerando tecnologia, custos, rentabilidade, divulgação, além da conhecida relação de oferta e demanda do mercado em nível local e nacional.  

 

Partindo do zero

À frente de uma produção de champignon de paris numa chácara no distrito do Jordão, o economista Ezequiel Metzger e sua esposa Luziane, agrônoma, contaram que decidiram partir para a cultura depois de conhecer um sistema produtivo na região de Curitiba, onde davam consultoria em agricultura. Mas avaliaram que em torno da capital já havia produtores e que por lá a concorrência seria grande. A decisão então foi por Guarapuava. Em 2014, compraram a propriedade. Em 2015, teve início a construção da estrutura, que hoje conta com quatro estufas e cozinha. Foi preciso ainda buscar informações técnicas da produção em si, que abrange uma série de detalhes, e por clientes, junto aos restaurantes locais. Com o tempo, conseguiram fornecer para várias pizzarias da cidade.

Para as embalagens, segundo Ezequiel, o casal procurou orientação junto à Secretaria de Agricultura, Vigilância Sanitária e EMATER. “Também em sites governamentais, principalmente para cumprir as exigências da ANVISA”, completou. “De uma maneira mais comedida”, como assinala, a ideia agora é ampliar a produção, que hoje, num ciclo de 90 dias, gera um volume bruto em torno de 900 quilos (antes do cozimento, quando o champignon perde cerca de 40% de seu peso). Sobre o retorno até o momento, o economista avalia que ainda precisa alcançar o patamar inicialmente imaginado: “Sempre que você planeja algo, espera talvez um pouco mais do que vem na realidade”.

Por outro lado, ele se disse realizado com a atividade, contou que pretende deixar as aulas numa faculdade em Pitanga para ter mais tempo para o negócio e antecipou que o próximo desafio é colocar a produção no supermercado. “O mercado varejista exige uma embalagem diferenciada, código de barras, um tempo maior de prateleira”, observou, reconhecendo que poderá ser necessária “até a compra de algum outro maquinário” para aquela finalidade.

Enquanto isso, Ezequiel e Luziane recebem assistência da EMATER. Na instituição desde setembro, atendendo as regiões de Ponta Grossa, Irati e Guarapuava, a engenheira de alimentos Estella Paula Galina contou que quando uma agroindústria familiar está se estabelecendo, o apoio é com a planta e o layout da fábrica. “Agora que a estrutura está pronta, a gente trabalha a parte de tecnologia, embalagem e também bastante a comercialização”, mencionou. Como exemplo disso, apontou, a EMATER incluiu a produção do casal de Guarapuava entre os itens que apresentou no Celeiro do Agricultor, um espaço na Expolondrina deste ano (30 de março a 9 de abril): “Levamos vários produtos aqui da região. Um deles foi o produto do Ezequiel. E vendeu super bem”.

 

Depois do vendaval

Com propriedade no distrito de Guairacá e tradição no cogumelo shiitake, o agrônomo Emmanuel Sanchez relatou que vive, no momento, um recomeço na atividade. Há tempos com produção de pequena escala, ele tem nas aulas, no Colégio Agrícola e numa instituição de ensino superior, além da assistência técnica a produtores de grãos, suas principais atividades. Sanchez rememorou que, em 2003, sua chácara foi um dos locais atingidos por um vendaval que causou destruição em várias propriedades rurais em Guarapuava e região. Antes, contou, a produção encontrava espaço no mercado local. Depois, vieram dificuldades. Ele manteve uma pequena produção e passou a pesquisar linhagens.

Nestes novos tempos, e com certificação orgânica do TECPAR, o agrônomo se mostra esperançoso: “Hoje, o consumo de cogumelos que sejam orgânicos, sem nenhum tipo de agrotóxico, é muito grande. Mesmo com uma pequena produção, que fui mantendo esses anos todos, não venço atender à demanda que tenho”.

No atual sistema de produção em toras de eucalipto, e que de acordo com ele ainda está focado em pesquisa, estima que o volume obtido gire em torno de 100 bandejas de 200g por semana – produção destinada a muitos de seus antigos clientes. Mas além de Guarapuava, Sanchez vê um mercado “enorme” em outras regiões, avaliando que teria demanda para cerca de 500 bandejas semanais, com preço ao produtor oscilando em torno de R$ 40,00.

Para voltar a crescer e viver da renda da propriedade, seu plano é modernizar sistema e estrutura. No sistema, trocar o cultivo em tora, onde o período da semeadura à produção leva 10 meses (oito a 10 colheitas), para o substrato axênico, no qual o tempo se reduz para 90 dias (máximo de três colheitas). “A estrutura vai ser toda em pré-moldado, parte dela em eucalipto tratado, e basicamente vão ser coberturas e estruturas de plástico, como estufas”, explicou. “É a minha meta de vida. Inclusive estou dando treinamento para agricultores que já estão começando comigo. Com esse grupo, vamos batalhar mercado fora”, afirmou.

 

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