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Segunda-feira, 28 de agosto de 2017

Safra aumenta, apesar de ficar abaixo do potencial

Encerrado o primeiro semestre do ano, que teve muita chuva entre abril e início de junho e muito pouca chuva no mês de julho, o feijão no Paraná, principal produtor nacional, registrou um quadro peculiar: num balanço de safras abrangendo todo o Estado e divulgado em 1º de agosto, a SEAB informava que naquele momento a cultura, com toda a área colhida, registrava produção de 339 mil toneladas. O volume, de acordo com a Secretaria, é 14% maior do que a produção obtida no mesmo período do ano passado. Mas a SEAB observa que, no entanto, o potencial da cultura inicialmente estimado pelo DERAL indicava uma safra de 455 mil toneladas. Dois fatores contribuíram para a redução do potencial produtivo: as geadas que atingiram lavouras do sudoeste paranaense em abril e as chuvas em excesso, entre maio e junho.

Em Guarapuava e região, onde o feijão é também um produto importante, a regional da SEAB, que abrange 12 municípios, informou que 2016/2017 teve volume 17% maior do que a safra anterior, com 63.480 toneladas, frente a 54.174 toneladas em 2015/2016. Este patamar, entretanto, ficou 10% abaixo do potencial estimado inicialmente pela SEAB para a cultura.

Para o agrônomo Dirlei Manfio (DERAL), os números mostram também que a segunda safra não repetiu os bons patamares da primeira, devido ao clima chuvoso, entre abril e início de junho.

Conforme especificou, a primeira safra registrou área de 17.760 hectares, com produção de 35.165 toneladas. Na segunda, apesar de uma área maior, de 20.500 hectares, a colheita se mostrou menor, com 28.315 toneladas.

Já os números da comercialização, destacou, apontam que o feijão, cuja qualidade depende também de temperatura e umidade, segue registrando forte oscilação nas cotações. O preço ao produtor em janeiro foi de R$ 147,00, bem acima dos R$ 119,00 de janeiro do ano passado. Mas em maio, o valor ficou em R$ 122,00, contra os R$ 150,00 de maio de 2016.

Na avaliação do agrônomo, apesar da safra março-junho ser mais arriscada do ponto de vista de clima, vários são os agricultores que nela têm buscado uma oportunidade de renda.  “Tivemos um ano atípico, com este excesso de chuva, principalmente na época da colheita (da safra março-junho). A geada nem foi tão prejudicial neste ano para o feijão, porque a mais forte ocorreu após o encerramento da safra. Na colheita, quando a planta precisa de clima seco, pelo contrário, tivemos dois meses de chuvas ininterruptas”, relembrou. 

A REVISTA DO PRODUTOR RURAL conversou também com um dos produtores mais tradicionais do centro-sul do Paraná. Com uma trajetória de quem, com o tempo, passou do feijão-grão para a produção de semente, Roberto Eduardo Nascimento da Cunha, diretor do Sindicato Rural de Guarapuava, comentou em entrevista, dia 29 de junho, que ele segue um calendário que considera o “normal” para Guarapuava e região, começando por volta de 25 de novembro e prosseguindo plantio até 20 de janeiro. “Não vou entrar no risco”, afirmou. “Aqui em Guarapuava, pela média histórica, sempre é frio de março em diante. Quando a temperatura baixa de 15 graus, o feijão para de crescer. Ele só vai completar o ciclo de acordo com a soma térmica”, justificou. E completou: “O agricultor pode produzir normalmente se o ano for bom, não tiver problema de geada. Mas se no começo de abril der uma geada forte, ‘mói’ o feijão. Não tem o que fazer”.

No momento em que os olhares se voltavam para a comercialização, quando o preço se torna o principal assunto do setor, o produtor afirmou ver no feijão uma cultura interessante – mas com a ressalva de que são necessários capital, planejamento, profissionalismo e presença constante no setor. Exemplo do potencial de rentabilidade, contou, foi uma de suas recentes safras: “Há cinco anos, produzi 62 sacas por hectare de feijão carioca. Vendi a 220 reais naquela época. Isso deu 15 mil reais de receita por hectare. Você não consegue ter esse tipo de receita com soja. O comércio é mais difícil? É, mas tem comprador”, finalizou. 

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