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Segunda-feira, 28 de agosto de 2017

Uma raça rústica, adaptada naturalmente ao clima brasileiro

Na região de Guarapuava o produtor rural e empresário Odacir Antonelli é o pioneiro da raça Caracu

Uma raça adaptada trazida para o Brasil ainda quando o país era colonial. Em 1553, que os primeiros animais da raça Caracu foram trazidos para cá de Portugal e da Península Ibérica. A raça tem como diferencial a sua adaptação ao clima de Guarapuava. É a única raça europeia formada  no Brasil de forma natural. De natureza adaptada, o Caracu superou todas as condições climáticas até chegar ao nível de comercialização que se tem atualmente.

De acordo com a Associação Brasileira de Criadores do Caracu (ABCCARACU), o plantel no país, atualmente, é de 50.000 cabeças (animais puros). Sua produção está concentrada nas regiões centro e centro-oeste do país. O animal tem aptidão tanto para pecuária de corte como de leite.

No Paraná, a raça é bastante encontrada em Palmas, na região centro-sul do Estado, tanto que a sede da ABCCARACU fica no município. Já aos arredores de Guarapuava, pertencente à mesma macrorregião de Palmas, a raça é bem pouco criada. Mas na Fazenda Rincão da Trindade, propriedade de Odacir Antonelli, localizada próxima ao distrito de Palmeirinha, em Guarapuava, o Caracu está na propriedade desde 2000. A opção pela raça, segundo o zootecnista Marcelo Antonelli Guaragni, foi justamente por não existir muitos criadores na região. “Somos pioneiros na região”, afirma.

Guaragni conta que a adaptação da raça ao clima mais frio da região não foi problema para os animais, uma grande característica desta raça. “Das raças taurinas, sem dúvida, a Caracu é a melhor adaptada ao clima tropical do Brasil”. O que leva à segunda característica bastante importante da raça: ter uma alta resistência a endo e ectoparasitos. E menos doenças significa menor custo de produção.

A finalidade da raça na propriedade, atualmente, é para genética de sangue puro. O zootecnista afirma que a venda tem ocorrido para vários estados. “Vendemos muito para Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, mas já vendemos animais até para Rondônia. Para quem busca um cruzamento industrial, com uma matriz Caracu ou meio sangue, pela habilidade materna e mais o choque de sangue que a raça permite, o resultado é muito promissor”.

Outra característica que Guaragni faz questão de ressaltar é a docilidade desses animais, sendo assim, o manejo é bastante simplificado. “A condução dos animais é bastante fácil na transferência da mangueira para o pasto e por isso não tem nenhum tipo de estresse, nem para o animal, nem para quem maneja”.

Na Fazenda Rincão da Trindade, os animais são alimentados com pasto, silagem e ração. “A gente tem também o creep-feeding para os bezerros, que acabam tendo uma alimentação diferenciada. Se a vaca está produzindo muito leite e o bezerro está mamando demais, entra a suplementação com ração. Mas a alimentação é basicamente com silagem, pastagem no inverno e no verão. Não fazemos tratamento de cocho intensivo. Até porque os animais ganham peso com grande facilidade”.

De acordo com a ABCCARACU, em regime exclusivo de pasto, o peso médio das vacas fica em torno de 550 a 750 kg. Os touros pesam de 1.000 kg a 1.200 kg. Aos dois anos, as novilhas atingem cerca de 400 kg e os bezerros de um ano atingem uma média de 300 kg. Isso, justamente pela boa habilidade materna das matrizes, como já citada. Os bezerros nascem relativamente pequenos, pesando em média 30 kg, só depois ganhando peso, o que é uma vantagem na hora do parto.

Principais características da raça Caracu:

  • pelo curto;
  • resistência ao calor;
  • resistência a endo e ectoparasitos;
  • facilidade de locomoção;
  • cascos resistentes, tanto para solos duros quanto encharcados;
  • capacidade de digerir fibras grosseiras;
  • facilidade de parto

 

 

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