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Segunda-feira, 28 de agosto de 2017

Nova safra, os mesmos problemas

O principal cereal de inverno do país perdeu espaço nas lavouras brasileiras. No levantamento do mês de julho a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) a retração no plantio do trigo foi de 9,1%. A perspectiva é que a produção sofra uma queda de 17,1% (1,148 milhões de toneladas) na produção do grão, em relação à safra de 6,726 milhões de toneladas colhidas no ano passado.

A instabilidade do mercado foi um dos principais fatores que desestimularam os produtores a cultivar o trigo. Em abril, o Governo Federal anunciou redução de 3,6% nos valores mínimos para o trigo da safra 2017/18. Mais um fator que contribuiu para redução de áreas do cereal.

No Paraná, o maior produtor de trigo do país, segundo o Departamento de Economia Rural (Deral), a produção deve cair 9%. Serão 3,1 milhões de toneladas, ante as 3,4 milhões de toneladas colhidas no ano passado.

Na região de Guarapuava, o cenário não foi diferente. Nos municípios atendidos pela unidade da Secretaria de Agricultura e Abastecimento (Seab) a área baixou de 60.570 hectares para 41.000 hectares.

 Deodoro Marcondes, produtor rural no distrito de Palmeirinha (Guarapuava), reduziu pela metade sua área de trigo. “Plantamos apenas 200 hectares esse ano”. Segundo ele, a opção por continuar plantando o grão se deu porque já possuía a semente e porque acha importante ter uma opção de cobertura no período do inverno. “Esperamos que os preços subam e que a qualidade e a produtividade da safra passada sejam mantidas”.

Marcondes conta que em 2016 a lavoura de trigo se superou. “Tivemos uma ótima produtividade, colhendo em média 4.200 Kg/ha de trigo de boa qualidade. O clima colaborou e o desenvolvimento da cultura foi tranquilo, sem muita ocorrência de pragas e doenças. Já o preço deixou a desejar. Fizemos negócio a R$ 690,00/t, preço inclusive mais baixo do que o obtido no ano anterior”, revela.

Para o produtor, o que desestimula a produção de trigo no Brasil é a falta de incentivo por parte do Governo Federal. “O trigo da Argentina entra no Brasil por um preço muito baixo, o que dificulta a nossa negociação visando preços melhores”.

O produtor Guinter Estefan Duch, do Grupo Duch, no distrito de Entre Rios – Guarapuava, também reduziu sua área de trigo nesta safra de inverno 2017.“Minha área de trigo diminuiu de 62% para 46% nesta safra. Diminuímos por dois motivos: o custo elevado e o preço do trigo. Já sabemos que lucratividade o trigo não vai ter. Estamos trabalhando apenas para diluir nossos custos fixos. Se não plantássemos o trigo, a soja teria que carregar tudo e o custo da safra de verão seria muito elevado”, explica.

O plantio nas áreas do Grupo Duch terminou nos primeiros dias de julho. Segundo o produtor, o desenvolvimento da cultura estava indo bem até as geadas que aconteceram na segunda semana de julho. “Praticamente 70% da área foi atingida, chegando a matar a maioria das plantas pequenas. Estamos esperando para ver como vai ser o rebrote. Mas temos consciência que a produtividade será menor”, observa.

O cenário no ano passado foi bem diferente, quando o Grupo Duch bateu recorde de produtividade. “O clima colaborou muito para este resultado. Minha produção média foi de 4.920 kg/ha”. Apesar da excelente produtividade, o mercado não colaborou.  “O preço não estava bom. Ainda tenho 50% da produção de trigo do ano passado estocada, a espera de um preço melhor.Obtive apenas 8% de lucratividade nos outros 50% que vendi. Deu lucro apenas devido à alta produtividade, caso contrário, não teria dado”.

Segundo Duch, outro fator negativo da safra passada foram os custos altos. “Se ano passado correspondesse a média de produtividade dos últimos cinco anos, que era de 4.020 kg/ha, não teríamos lucro, pois o custo de produção foi muito alto, chegando a R$ 2.950,00/ha”. Para esta safra, ele prevê o mesmo custo de produção, já que, segundo o produtor, não houve redução de preços dos insumos. 

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