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Quarta-feira, 28 de junho de 2017

Mulheres do Campo

A série de reportagens Mulheres do Campo tem o objetivo de homenagear mulheres que contribuem para o desenvolvimento da agropecuária regional.

As  homenageadas desta edição são Marinez Bona Muzzolon, Gabriela Abt Tratz, Verônica Dautermann Stötzer e Rosita Praetorius de Lima Malinoski.

 

Marinez Bona Muzzolon

Marinez Bona Muzzolon é filha dos produtores rurais Lydia e Octávio Muzzolon. Após o falecimento de seu pai, a fazenda localizada no município de Cantagalo foi dividida entre os quatro irmãos. Apenas Marinez e seu irmão Paulo Cesar Muzzolon continuaram na atividade. Ela conta que nem sempre esteve à frente da propriedade. “Quando estava casada, era meu ex-marido que tomava conta de tudo”. Mas há 15 anos, muita coisa mudou em sua vida. Ela se divorciou e precisou tomar as rédeas. Quem conversa com Marinez, com seu jeito sereno e calmo, nem imagina as dificuldades pelas quais passou. “Quando precisei virar uma produtora rural, de fato, foi um momento muito difícil na minha vida. Meu casamento não estava nada bem e, além disso, perdi minha filha mais velha em um acidente. Ela tinha 23 anos, havia se formado em agronomia fazia um ano e já estava trabalhando na área. Precisei segurar uma barra muito pesada”. Foi quando Marinez decidiu ser cooperada da Coamo para encontrar um apoio. “No começo eu chegava na Coamo, sentava na frente do gerente e chorava. Não sabia o que fazer. Tinha medo de me endividar, de não dar certo e de não dar conta de tudo”, relembra. Mas como tudo passa, Marinez superou aos poucos suas dificuldades e medo. Desde então, vem tocando a propriedade com êxito. “Me dei conta de que realmente precisava fazer isso. Então comecei a encarar as coisas, a  participar de tudo: reuniões e palestras que a cooperativa proporcionava. Até curso de regulagem de plantadeira eu fiz”, conta. Atualmente, ela cultiva 30 alqueires de soja e conta com a ajuda de um casal de funcionários, que estão há 20 anos na propriedade, além da filha Fernanda, que também atua na atividade. 

Gabriela Abt Tratz

Gabriela Abt Tratz, filha do casal de trabalhadores rurais Magdalena e Rudolf Abt, não planta soja, milho e nem produz carne ou leite. Seu produto não alimenta a boca, mas sim os olhos e a alma. O que ela faz é produzir flores, que enfeitam os locais e encantam a muitos.  Há 20 anos na atividade, ela afirma que tudo começou por acaso, quando as flores nem eram o objetivo principal. “Minha irmã, Hildegard Abt, me convidou para trabalhar com ela. Na época, eu era dona de casa e não gostava da atividade. A ideia inicial era a produção de árvores, mas na época não deu certo. Então, resolvemos investir em flores”. Mas mesmo por acaso, desde que começou com produção, Gabriela nunca pensou em desistir. Destemida é uma palavra que a define bem. Em 1998 surgiu um grupo de produtores de flores, no distrito de Entre Rios, em Guarapuava, local onde está instalado o viveiro de Gabriela, mas todos os produtores, ao longo dos anos, foram desistindo da atividade. Menos ela. “Nunca pensei na possibilidade de desistir”. Há nove anos, ela conduz sozinha o viveiro de flores, que atualmente, é uma empresa. São as flores de Gabriela que enfeitam os canteiros de Guarapuava e de muitas cidades da região. “Meu principal mercado hoje é a participação nas licitações de Prefeituras Municipais”. Persistência e prezo pela qualidade, segundo ela, são os segredos para que seu negócio tenha sobrevivido, mesmo quando todos desistiram. “Me sinto muito orgulhosa por estar indo tão bem com minha produção. Posso ajudar em casa, ajudar meus filhos, vivo uma vida confortável. Isto se deve a todo meu esforço  e digo pra qualquer um que queira começar um negócio: para sobreviver em meio a tantas dificuldades, é importante nunca perder a qualidade”.

Verônica Dautermann Stötzer

Verônica Dautermann Stötzer, filha de imigrantes alemães, sempre teve contato com o meio rural. Animada e de bem com a vida, ela conta que desde criança aprendeu a realizar muitas atividades na lavoura, inclusive a dirigir trator e colheitadeira em épocas de plantio e colheita. Casada com o produtor rural Erich Stötzer, ambos trilham um caminho de sucesso há 33 anos. As atividades são o cultivo de grãos e a ovinocultura. Enquanto o marido está na lavoura, Verônica cuida da parte administrativa e financeira da propriedade. Ela também se encarrega de cuidar da pecuária da fazenda, onde mantém um plantel de 300 ovelhas de corte. A produtora faz questão de ressaltar que as duas propriedades, em Guarapuava e Pinhão, são dirigidas somente pela família. Orgulhosa, conta que seus três filhos trabalham juntos. Flávio é engenheiro ambiental, Daniel estuda Engenharia Elétrica e Erikson é agrônomo. "Sempre fomos muito unidos. Desde o início, meu marido e eu trabalhamos juntos e passamos essa união aos nossos filhos, que são bastante trabalhadores e dedicados à atividade”. Verônica, além de apaixonada pela família, é apaixonada pelo campo. Ela afirma que não há lugar que ela esteja mais feliz. “Sou produtora rural com muito orgulho. E como mulher, acredito que temos a mesma capacidade dos homens. Com esforço e dedicação, não há dificuldades. Podemos administrar a fazenda, plantar, colher, cuidar dos animais. A mulher pode fazer o que quiser e chegar longe”.

Rosita Praetorius de Lima Malinoski

Nascida no Rio Grande do Sul, no município de Sirico, próximo a Passo Fundo, Rosita Praetorius de Lima Malinoski, mora há 42 anos no Paraná. Casada com Vicente Malinoski há 28 anos, é mãe de cinco filhos (5 homens!) e está à frente da administração dos negócios de erva-mate na região do distrito de Guará há 26 anos. Uma gaúcha batalhadora, extrovertida e de muita personalidade. “Vim para Guarapuava, com 16 anos, logo me casei e fomos morar na propriedade do meu sogro. Na época, nem imaginava a riqueza que ele tinha em suas terras. Ele lidava com pecuária e não tinha planos de trabalhar com erva-mate”. Mas com um olhar empreendedor, o casal, ainda jovem, enxergaram uma perspectiva diferente de ampliar os negócios. Começaram então a comercializar a erva nativa, que há anos estava ignorada na fazenda. Com o passar do tempo, além de plantar, colher e vender o produto, resolveram dar um passo ainda maior, firmando parceria com um familiar da cidade de Turvo, para o beneficiamento da erva-mate, comercializando Sitro Mate até os dias atuais.

 

 

 

 

 

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