Mulheres do Campo

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Sexta-feira, 28 de abril de 2017

Mulheres do Campo

A partir desta edição, a REVISTA DO PRODUTOR RURAL apresenta a série de reportagens Mulheres do Campo, com o objetivo de homenagear mulheres que contribuem para o desenvolvimento da agropecuária regional.

As primeiras homenageadas da série são: Zeni Aparecida Padilha Muzzolon, Vânia Elisabeth Cherem Fabricio de Melo, Geny Lima, Adriana do Rocio Passos de Lacerda Martins e Matilde Elisa Weber Schneider.

 

Geny Lima 

Nascida em Guarapuava, filha dedicada de dona Cota com seu Manoel. Está casada há 30 anos com Rui, mãe de sua única filha, Paola e avó coruja do Frederico, o qual se derrete ao contar suas travessuras. Adora artesanato e viajar. Divide seu tempo entre cuidar da propriedade e a atenção especial à sua mãe. Assim conhecemos a intimidade de uma mulher que, por trás de uma aparência doce e frágil, revela ser forte e batalhadora.

A aposentadoria precoce, inquietude e o entusiasmo fizeram Geny Lima procurar novos caminhos, após 25 anos de trabalho como educadora. O exemplo paterno, de amor pela natureza e gosto pelas lidas do campo, foi primordial nessa escolha. Desde criança, demonstrava interesse em acompanhar as atividades rotineiras de manejo dos bovinos na fazenda. Mas só concretizou quando adulta e, principalmente, com o apoio e colaboração do marido, que sempre a incentivou para colocar seus sonhos em prática. O casal iniciou a criação de ovinos de corte com 20 borregas da raça Hampshire Down. Foi complicado, mas eles contaram com a orientação de bons profissionais nessa fase.

Para Geny, o papel do produtor rural é de grande responsabilidade nos dias atuais. Ele deve administrar sua propriedade como se administra uma empresa.

“Penso que a família é nosso porto seguro. Se existe alguém ou algo em que podemos depositar toda a nossa confiança, é na nossa família. E na relação familiar é onde se dá e recebe amor incondicional”, observa Geny.

 

Vânia Elisabeth Cherem Fabricio de Melo 

Vânia Elisabeth Cherem Fabricio de Melo nasceu em 1948. Filha de Alfredo Cherem e Evany Queiróz Cherem, é casada com Lauro Augusto Fabrício de Melo (magistrado) e mãe de três filhos: Simone Cherem Fabrício de Melo, Lauro Augusto Fabrício de Melo Filho e Fernando Augusto Fabrício de Melo. Detalhe: os três são juízes de direito. "Nosso orgulho”, revela. Vânia também é avó de Leonardo Fabrício de Melo Portella e Isabela Cherem Fabrício de Melo.

Atualmente, é produtora rural, proprietária da Fazenda Limoeiro (Candói/PR), uma das 10 fazendas pertencentes ao seu tataravô, Frederico Guilherme Virmond. “Sou a quinta geração na fazenda”, explica.

Vânia diz que desde criança apreciou a vida no campo. Apesar de morar na capital do Estado - Curitiba, ela conta que gostava de passar as férias na casa do seu avô, onde hoje é a sede da Fazenda Lagoa Seca.

“O cotidiano da fazenda era o rodeio de gado. Como eu gostava desta lida, ia com o meu avô e seus colaboradores reunir os animais. Lembro-me de minha mãe querendo me proibir de cavalgar junto aos cavaleiros e meu avô intercedendo a meu favor, para ela me deixar participar do trabalho”.

A produtora assumiu a Fazenda Limoeiro após o falecimento do seu pai, em 1985. A propriedade de Alfredo Cherem foi desmembrada e dividida entre os três irmãos. Dos três filhos do casal, Vânia é a única mulher; seus irmãos são Carlos Alberto Queiróz Cherem e Alfredo Cherem Filho.

Hoje, Vânia administra a produção de ovinos e bovinos de corte. A produtora é cooperada e faz parte da atual diretoria da Cooperativa de Carnes Nobres CooperAliança. Com as ovelhas, faz o ciclo completo (cria, recria e engorda) e vende os cordeiros para a cooperativa de carnes. "Conjuntamente com as ovelhas tenho uma criação de gado, angus e cruza com canchin e charolês. Vendo meus bezerros para um parceiro, Herbert Schlafner, também cooperado, que faz a terminação através de confinamento e vende o boi pronto para a CooperAliança”, explica.

O rebanho de ovinos é formado por 600 matrizes, contando também com borregas para venda e descarte e cordeiros em cochos. O plantel de bovinos é de 400 cabeças, que são feitos somente IATF. 

Vânia acha importante estar à frente da atividade. Ela conta que está sempre junto com os colaboradores nas atividades realizadas na propriedade. “Quando estou na fazenda, faço de tudo. Acordo bem cedo,vou aos apriscos dos carneiros. O que tiver de fazer eu faço, como vacinar, tatuar, colocar borracha nos rabos. Se identifico algum animal doente, eu medico. Como o rebanho é muito grande, preciso analisar também se há problema de verme ou de casco. Quando vou lidar com o gado, eu mesma faço a vacinação. Quando tem que fazer inseminação, também estou junto. Todos os dados dos rebanhos também sou eu que faço o registro”.

Apesar das dificuldades que Vânia diz ter enfrentado no começo como produtora rural, por ser mulher, ela diz que fica feliz por atualmente o cenário estar diferente. “Hoje não encontro dificuldade na atividade por ser mulher, mas encontrei bastante na época em que comecei a trabalhar, pois não era nada comum mulheres tomarem a frente dos negócios em fazendas. Porém, sempre levando a sério o meu trabalho, soube conquistar o meu espaço e ter o respeito das pessoas com quem tenho contato”, diz orgulhosa.

 

Zeni Aparecida Padilha Muzzolon

         Fomos recebidos por uma senhora muito simpática e falante. Olhos claros, ar de nobreza, mas de uma simplicidade que nos apaixona à primeira vista.  Mulher batalhadora, mãe de três filhos e com seu jeito espontâneo, nos convida para ouvir um pouquinho da sua vida.

         Nossa entrevistada, Zeni Aparecida Padilha Muzzolon é produtora de leite na região de Cantagalo, casada com Jayme Muzzolon há 25 anos.

         Cuida com muito zelo e carinho da sua propriedade e da criação. Além dos animais, também possui lavoura de soja, de responsabilidade do seu esposo, e um belo pomar com frutas diversas, de onde retirou algumas delas para servir um delicioso refrigerante caseiro, feito por ela mesma.

         Mas de todas as atividades, o que Zeni realmente sente prazer em fazer é a ordenha, todas as manhãs.

         No início, 15 anos atrás, o leite retirado das vacas era apenas para o consumo da família e para produção de queijos e natas que era vendido na cidade. Com o tempo, a produção de leite aumentou, ela se associou a uma cooperativa e profissionalizou seu negócio.

         Segundo Zeni, hoje esse trabalho é uma paixão. Ela não precisa acordar de madrugada para retirar o leite das vacas. Ela acorda um pouco mais tarde e como um hobby, ordenha seu rebanho. Ela deixa os terneiros se alimentarem com o leite no restante do dia. “Precisamos respeitar a natureza, pois é dela que retiramos nosso sustento e somente ela nos permite, todos os dias, essa benção em nossas vidas”. Em poucas palavras, Zeni nos faz refletir, que são nas coisas mais singelas que encontramos a verdadeira felicidade.

 

Adriana do Rocio Passos de Lacerda Martins 

Adriana do Rocio Passos de Lacerda Martins nasceu em 1962. É filha de Oemelson Faria de Lacerda e Maria Helena Passos de Lacerda. Sua família sempre foi ligada ao campo, sendo proprietária da Fazenda Capão da Lagoa, que fica na divisa de Guarapuava/Goioxim e Candói.

Por ser casada com o neurocirurgião Reinaldo Rocha Martins, Adriana acabou se envolvendo com área da saúde e fez graduação em enfermagem, seguindo carreira neste setor. “Trabalhei em hospitais e ajudo meu marido na administração da clínica dele. Além disso, também tenho uma metalúrgica”.

Adriana nunca tinha se envolvido diretamente com as atividades da fazenda antes de seu pai falecer. Quem auxiliava na coordenação da propriedade era seu irmão Cícero Lacerda.

Mas depois do falecimento do seu pai, em 2014, Adriana sentiu necessidade de se envolver mais com as atividades da fazenda. “Meu pai nunca me incentivou a trabalhar na propriedade. Como meu irmão sempre ajudou a cuidar de tudo, eu também achava melhor não me envolver. Mas quando meu pai faleceu, o Cícero acabou ficando sozinho e eu me ofereci para ajudar. Ele mesmo acabou me dando a ideia do cultivo de erva-mate, porque eu sempre gostei de preservação do meio ambiente. E a erva-mate permite conciliar uma atividade rentável e preservação da mata. Tinha uma área que era nativa e já com alguns pés de erva-mate, então dei início à atividade”.

Como nunca havia tido contato com o cultivo de erva-mate, ela buscou conhecimento. “Procurei aprender tudo sobre a cultura. Tive muita sorte, porque encontrei apoio de muita gente que já está nesse ramo há mais tempo. Hoje, tenho uma assistência técnica excepcional, que tem me ajudado muito”. Além disso, no ano passado, o Sindicato Rural de Guarapuava iniciou os trabalhos da Comissão Técnica de Erva-Mate e, por meio dessa participação, estou tendo a oportunidade de aprender ainda mais. Na propriedade, seu irmão, Cícero, é responsável pela produção de grãos e um dos três filhos de Adriana, Matheus Martins, cuida da pecuária de corte. Os outros dois filhos de Adriana são ligados à área de saúde: Lucas Martins é médico e Marina Martins é fisioterapeuta.

São, em média, 30 alqueires dedicados à erva-mate atualmente na Fazenda Capão da Lagoa, sendo 60 mil pés entre nativos e plantados. “Ainda não colhi os frutos, pois a erva-mate exige paciência. É uma cultura que demora mais a produção, mas estou com muita expectativa. Além disso, quanto mais eu aprendo, mais eu gosto”.

 

Matilde Elisa Weber Schneider 

Com jeitinho tímido e sereno, uma mulher de sorriso cativante e de muita fibra. Assim é Matilde Elisa Weber Schneider, que aos poucos foi se “soltando” e contando como se tornou produtora de ovinos na região de Guarapuava.

Apesar do grande compromisso com o trabalho, Matilde que é casada há 31 anos com Daniel Schneider, sempre esteve rente com o marido na lida dos negócios da família.

Nascida e criada na cidade de Turvo, foi para o campo após se casar e começou a cuidar da pequena criação de ovelhas que seu marido já tinha em uma propriedade próximo a Pinhão.

Esposa, mãe e administradora do lar, ela conta que não foi nada fácil no início da sua vida de casada. Precisava se dividir entre os afazeres domésticos, as filhas e o trabalho no campo com seu esposo. Saudosa, recorda que as condições financeiras da época não permitiam contratar funcionários para os serviços rurais, então ela e o marido “tosqueavam” as ovelhas no galpão da propriedade. Foram tempos difíceis, mas que com muita determinação e trabalho conseguiu superar juntos as dificuldades que hoje lhe servem de inspiração para o crescimento pessoal e profissional.

Graças ao trabalho árduo, os negócios cresceram consideravelmente, e hoje em dia, ela pode contar não só com a ajuda de maquinários e funcionários, mas também com suas filhas Elisa e Damaris, que futuramente terão um grande desafio: substituir a mãe e tentar seguir os seus passos com a mesma competência.

 

 

 

 

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