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Paran Silos

Sexta-feira, 24 de março de 2017

Depois de cair em fevereiro e março, preços internos de soja sobem forte em abril e maio

Os preços domésticos da soja oscilaram de forma homogênea pelo país durante os últimos meses, primeiro com desvalorização geral nos meses de fevereiro e março, e depois com elevação também geral durante abril e maio. Considerando que as variações da taxa de câmbio oscilaram para baixo nesses últimos dois meses, o suporte aos preços internos veio da combinação de elevação das cotações no mercado de futuros da Bolsa de Mercadorias de Chicago (CBOT na sigla em inglês), juntamente com a firmeza dos prêmios de exportação.
Tomando algumas das principais praças de negociação do país, durante abril tivemos altas nos preços oscilando entre 2 e 6% sobre as bases de março. Já em maio, os preços avançaram de 11 a 18% sobre abril. No comparativo com igual período do ano passado tivemos variações amplamente positivas, oscilando entre impressionantes +26 e 35% nas cotações em reais. Já em dólares temos recuo variando entre 1 e 3%. 
Para chegar a esse melhor desempenho médio durante abril, tivemos como responsável direto a elevação das cotações nos contratos futuros da Bolsa de Mercadorias de Chicago (CBOT na sigla em inglês). Somado também ao aumento nos prêmios de exportação. Porém o movimento foi limitado pelo recuo na taxa de câmbio:
*Na CBOT a média parcial de maio ficou em US$ 1057.18 cents/bushel, subindo 10% sobre os US$ 962.89 cents do mês anterior. Depois de mais de 6 meses com os preços travados entre US$ 850.00 e US$ 900.00 cents, tivemos finalmente a ruptura da forte resistência dos US$ 900 cents, a barreira psicológica dos US$ 1000 cents, e neste início de junho superando também a resistência dos US$ 1100 cents. E as razões principais foram: perdas que vão sendo contabilizadas no Brasil; perdas que vão sendo contabilizadas na Argentina; manutenção de firme demanda global em todo o complexo soja; queda do câmbio e elevados valores de prêmios no Brasil, favorecendo o aumento da demanda por produto dos EUA; provável decréscimo na área nos EUA na safra cujo plantio está iniciando, e, em condições de clima regular, trazendo a tendência de retração nos estoques; possível retração da área a ser plantada na Argentina no final do ano; e no lado financeiro, pelo retorno gradativo dos investidores na ponta compradora. E para junho, em cima desse conjunto de fatores acreditamos que as chances maiores apontam para valorização das cotações sobre as bases atuais.
*Em relação ao câmbio, a taxa recentemente perdeu parte de seu patamar depois de ter atingindo o pico de quase R$ 4,20, passando agora para a faixa de R$ 3,40 a R$ 3,60. Em maio a média ficou em R$ 3,5392, com recuo de 0,3% sobre mês anterior. A pressão aconteceu basicamente pela combinação das seguintes variáveis externas e internas: Externas - queda do dólar no mercado internacional; Internas - pelo avanço do processo de impeachment da presidente Dilma. Mas acreditamos que as dificuldades políticas que o país ainda irá enfrentar e o estado lastimável da economia devem impedir um recuo muito mais pronunciado do que o já ocorrido. Inclusive com a possibilidade de novos repiques.
*Em relação aos prêmios de exportação, tivemos de abril para maio a alta de +US$ 52 cents para +US$ 57 cents/bushel, incorporando ágio sobre a valorização na CBOT. O suporte ficou por conta do firme interesse comprador combinado com a baixa disponibilidade da oferta por conta das perdas registradas na produção brasileira e argentina. E a tendência continua sendo a de trabalhar com valores próximos ou superiores a igual período do ano passado durante toda a temporada.

 

Por Flávio Roberto de França Junior
Economista e Consultor em Agronegócios da França Jr Consultoria

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