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Quarta-feira, 12 de setembro de 2018

Fazesc levanta atributos do solo para balizar pesquisas

Conhecer as respostas de uma cultura a diferentes manejos é fundamental para se determinar qual deles é o mais indicado para uma determinada região. Mas numa época de tecnologias em constante desenvolvimento, os pesquisadores dedicam uma atenção cada vez mais global ao processo produtivo, considerando importantes todas as etapas do trabalho: do solo à colheita. Com esta visão, a Fazenda Escola (Fazesc) do curso de Agronomia da Unicentro, criada há apenas três anos numa área da Estação do IAPAR em Guarapuava (BR 277, km 350), deu neste ano mais um passo para a evoluçãode trabalhos que já acontecem no local. Segundo comentou o diretor, professor Marcelo Mendes, em entrevista à REVISTA DO PRODUTOR RURAL, o setor realizou, entre maio e junho, um segundo levantamento de solo de suas áreas de pesquisa. Obter dados e gerar uma série histórica de informações, explicou, é uma condição necessária às tomadas de decisão nas atividades ali conduzidas.

Para isso, recordou Mendes, já em 2016 havia ocorrido uma primeira iniciativa neste sentido. Na época, foi estabelecida uma grade amostral, com dezenas de pontos georreferenciados sendo marcados em todo o local. Em cada um deles, se procedeu a coletas de amostras de solo, analisadas em seguida para se verificar seus atributos físicos e químicos: “Esse projeto teve como intuito contribuir na fase inicial, de desenvolvimento da fazenda, visando conhecer melhor a área e principalmente fazer um levantamento e caracterização dos solos”.

Na segunda etapa, que aconteceu neste ano, assinalou o diretor da Fazesc, o foco foram os atributos químicos. De acordo com ele, a Fazenda Escola contou com a colaboração de uma empresa de agricultura de precisão, que se dispôs a realizar, sem custos, a coleta de solo e a produção de mapas. Segundo completou, os técnicos utilizaram a mesma grade amostral de 2016. O objetivo foi gerar informação atualizada sobre pontos fortes e fracos e verificar se houve modificações em relação ao quadro inicial nas diferentes zonas de manejo definidas. Ele ressaltou que, mesmo em áreas de menor tamanho, podem existir, de um lugar para outro, diferenças a ser consideradas quando se pensa em implantar uma determinada pesquisa: “Esses 18 hectares têm uma heterogeneidade”.

O resultado deste trabalho na prática, resumiu o professor Marcelo Mendes, são diversos mapas da Fazesc, onde áreas com características distintas aparecem em cores diferentes, apresentando parecer técnico para cada zona de manejo. “Esse levantamento vai servir para embasar a evolução também dessas áreas, pensando na sequência das atividades a serem realizadas lá”, enfatizou. Assim que os dados estiverem totalmente computados, informou o diretor da Fazec, serão disponibilizados a pesquisadores e professores. Ele sublinhou ainda que conhecer o solo é importante não só para instituições de pesquisa, mas também para o agricultor em geral: “Ressalto ainda a importância dos produtores realizar este tipo de levantamento em suas áreas de produção, visando aumentar a lucratividade do sistema de produção agrícola de forma mais sustentável”, acrescentou.

Na Fazesc, contextualizou, os dados obtidos contribuirão para os trabalhos gerados atualmente e os que serão desenvolvidos futuramente: “Hoje, a Fazenda Escola tem 12 planos de atividades, com diferentes pesquisadores, ressaltando a área de manejo do solo e associação com a mecanização; temos o desenvolvimento da área de fruticultura, de horticultura, com planos e em fase de implementação; manejo de plantas daninhas; a parte de fitotecnia, com vários projetos em desenvolvimento; e a participação da área ligada a melhoramento de plantas”.

Ao lado da pesquisa, a Fazenda Escola da Unicentro vem divulgando informações técnicas por meio do dia de campo Unicentro Rural, realizado pela segunda vez, em março deste ano, no local. Na ocasião, também em entrevista, o professor Marcelo Mendes sublinhou que a Fazesc, em paralelo, tem o papel da extensão e por isso o dia de campo, além de ter a participação de acadêmicos, é aberto, voltando-se a todos os produtores rurais interessados nos temas apresentados (Em 2018, o evento aconteceu em conjunto com a Proec [Pro-reitoria de Extensão Cultural] e direção do campus Cedeteg/Unicentro, com apoio do Sindicato Rural de Guarapuava, AEAGRO, Alunos do grupo PET Agronomia, Prefeitura Municipal, Coamig e IAPAR).

Série de mapas fornece uma visão em detalhes

O levantamento de solo na área de pesquisa da Fazesc, realizado entre maio e junho de 2018, teve como objetivo gerar dados atuais dos atributos químicos, para estabelecer uma comparação com as informações de um primeiro levantamento realizado no local em 2016 (naquele ano, foram enfocados também os atributos físicos). O resultado deste segundo trabalho éuma série de mapas que destacam a variação da presença de diversos elementos (micro e macronutrientes, entre outros fatores) nos talhões analisados: cobre, zinco, ferro, manganês, enxofre, boro, cálcio, magnésio, alumínio, hidrogênio + alumínio, potencial de hidrogênio, além de soma de bases, matéria orgânica, capacidade de troca catiônica, saturação por bases e potássio. O levantamento gerou também mapas de fertilidade de solo. Essas amostragens foram direcionadas em função da delimitação de unidades de mesmo potencial produtivo, sendo que foram usadas imagens históricas de NDVI ou Índice de Biomassa para tal delimitação.

 

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