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Quarta-feira, 29 de agosto de 2018

Agrinho reuniu 400 professores em Pitanga

Um dia para pensar sobre os métodos de ensinar em sala de aula e sobre a influência das novas realidades trazidas pelo século XXI na comunicação entre professores e alunos: assim foi mais uma edição do 2º Seminário Regional de Formação de Professores do Agrinho (FAEP/SENAR-PR), realizada dia 18 de junho, em Pitanga.

À abertura oficial compareceram e realizaram pronunciamentos os supervisores regionais do SENAR-PR em Guarapuava, Aparecido Grosse, e em Campo Mourão, Josiel do Nascimento; o presidente do Sindicato Rural de Pitanga, Luiz Carlos Zampier; o secretário municipal de Educação e Cultura de Pitanga, Alfredo Luiz Schavaren; e o chefe do Núcleo Regional da Secretaria de Estado da Educação em Pitanga, Jonas Crensiglova. Estiveram presentes ao evento cerca de 400 professores, de municípios abrangidos pelos núcleos regionais de Educação de Pitanga e Ivaiporã.

Antes das palestras dos três convidados, a pedagoga responsável pelo Agrinho, Josimeri Grein, contextualizou o programa dentro da escola. Entre vários outros tópicos, ela assinalou que nos estabelecimentos de ensino, o importante é mostrar aos alunos que os meios urbano e rural são igualmente importantes e que vivem numa interdependência. “Um não existe sem o outro”, ressaltou.

Em seguida, na primeira apresentação do dia, o sociólogo e professor da UERJ Marcos Silva, enfocou o que chamou de “paradigma comunicacional” da relação entre professor e aluno na sala de aula. De acordo com ele, a atual forma de comunicação que predomina no ensino provém de uma época anterior à Internet, em que uma pessoa fala e a outra apenas escuta. O sociólogo considera a TV uma mídia típica deste modelo, com um emissor que comunica informação e um receptor que somente assiste. No século XXI, apontou, os jovens já têm outro padrão de comunicação, que pode ser observado nas redes sociais, em que uma pessoa fala e outras comentam e debatem as informações ou opiniões. “Historicamente, estamos acostumados com o professor orador, explicador. Este professor conferencista, palestrante, explicador, está em questão. Não se joga fora um professor nem um livro, jamais. Mas esse professor precisa de formação continuada, para repensar sua docência, sua didática”. Silva defende que as aulas incorporem a lógica da comunicação atual, vista na cibercultura da Web 2.0, que conforme listou inclui autoria, compartilhamento, conectividade e colaboração. Por outro lado, enfatizou que na prática o professor não precisa ter na escola equipamentos de informática, como tablets ou smartphones, para implementar este método: “Se aventurar por este universo não é necessariamente ter o equipamento em sala. Se tiver, será maravilhoso. Mesmo assim, ali, você pode fazer dialógica, colaboração, participação, coautoria, grupos de trabalho, projetos de trabalho. As crianças precisam sair de suas cadeiras, ir ao quadro, se posicionar, falar publicamente, colaborar com os colegas”.

Na segunda palestra, o professor português Rui Trindade, da Universidade do Porto (Portugal), falou sobre como gerir as salas de aula como comunidades de aprendizagem. Em entrevista, ele detalhou como vê a questão. “O que pretendi aqui foi trazer uma mensagem sobre a possibilidade dos professores pensarem o seu trabalho muito em função da organização social do trabalho de aprendizagem entre os alunos”, comentou. Para Trindade, o atual modelo em que se espera que todos os alunos aprendam um mesmo conteúdo num mesmo tempo precisaria ser revisto. “Esta de fato é a mudança que temos de fazer. Seja ela dentro da sala de aula, seja através dos meios virtuais. A questão da tecnologia é muito importante, mas a minha questão não tem a ver com a tecnologia. Tem a ver com a organização do trabalho de sala de aula”, completou. Trindade avalia que o ensino está muito focado na figura do professor: “O professor faz tudo dentro da sala de aula. Muitas vezes é este excesso de focalização que está na origem dos problemas de indisciplina”. 

No encerramento do dia, uma professora paulistana que mora na Inglaterra destacou a importância da participação dos alunos no processo de aprendizagem. Alexandra Okada pontuou que seu trabalho é focado em inovação e pesquisa responsáveis. Para o professor ajudar o estudante a mudar o mundo, sublinhou, é necessário fazer com que o estudante possa ter um olhar científico para o mundo: “Para que ele possa realmente entender o que está acontecendo, com uma lente mais acurada dos problemas, entender as fontes que têm credibilidade e buscar aquilo que a sociedade precisa, compreender as inovações tecnológicas com uma visão mais global, dos riscos e benefícios, e ter um caminho de desenvolver suas próprias habilidades para fazer aí as mudanças necessárias”.

Ao final do seminário, o supervisor regional do SENAR-PR em Guarapuava, Aparecido Grosse, em entrevista, fez um balanço positivo do evento. Para ele, as mensagens deixadas pelos professores convidados ajudam a balizar o trabalho daqueles que participam do Agrinho em suas escolas: “O seminário teve como importância trazer a experiência de um professor da Inglaterra, um de Portugal e um do Rio de Janeiro. Uma experiência vivenciada em outros ambientes”. Grosse completou que a participação da responsável pelo projeto, Josimeri Grein, contribuiu também para divulgar mais o que é o próprio Agrinho e as formas de participação das escolas, em concursos como os de redação, entre alunos, ou de experiência pedagógica, entre professores. “Acho que o evento serviu para troca de informações, até para alguns professores conhecerem o SENAR, como um todo, e o projeto Agrinho", comentou. O supervisor enalteceu ainda a participação de outras instituições: “Dá para ressaltar, como um ponto bastante importante, as parcerias, junto aos núcleos regionais de Educação, secretarias municipais, o Sindicato Rural de Pitanga, que foi o sindicato representante do Sistema FAEP do município que estava sediando”.

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