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Biotrigo

Quarta-feira, 29 de agosto de 2018

Oportunidade de crescimento profissional, pessoal e cultural

Guilherme Borazo Silveira, 23 anos, é engenheiro agrônomo. Ainda quando estava na universidade teve a oportunidade de realizar um intercâmbio. Silveira exerceu a função de trainee no grupo Andresen Farms, em Wolf Point (Montana), atuando principalmente na área de mecanização. Confira como foi essa experiência:

“Durante a minha graduação sempre tive a ideia de fazer um intercâmbio agrícola, a fim de amadurecer meu inglês e também buscar novos conhecimentos sobre o sistema produtivo. Então, no ano de 2016, tomei a iniciativa de concretizar essa ideia e através de uma empresa intermediadora (CAEP) fui trabalhar em uma fazenda situada em Wolf Point – Montana, no extremo norte dos Estados Unidos.

O grupo Andresen Farms possui 6.000 acres destinados à agricultura e o mesmo é coordenado pelo proprietário Butch Andressen. O principal uso da área é para o cultivo do chamado Spring Wheat, que é o trigo semeado durante a primavera, depois do derretimento da neve. Além disso,na fazenda também é cultivada cevada, alfafa e quando estava lá se iniciou o cultivo de lentilha, devido ao fomento do governo norte-americano. Na propriedade, eu desempenhava a função de trainee, o qual era responsável pela parte de mecanização, assim participando de todas as operações (semeadura, tratos culturais, colheita e transporte dos grãos).

Butch, o meu host, faz parte do diretório agrícola da Montana State University (MSU) e também é um dos conselheiros da United States Departament of Agriculture (USDA/MT). Sendo assim, tive a oportunidade de ir a alguns dias de campo e uma série de seminários sobre a agricultura local. O que me chamou atenção foi o grande fomento de culturas leguminosas (lentilha, ervilha, feijão-de-fava) para opção de rotação com o trigo. Também percebi que o sistema de plantio direto, mesmo tardiamente, está se instalando na região.

Fui o terceiro brasileiro a trabalhar na fazenda, e depois de mim já passaram mais dois na mesma função. Nossa equipe de trabalho era formada por quatro funcionários e o proprietário da fazenda, sendo todos os integrantes originados de culturas diferentes: Proprietário – Butch (EUA); Mecanização agrícola – Guilherme (Brasil); Motorista de caminhão – Tonny (Inglaterra); Mecânico – Reginald (África do Sul); e Diarista – Reymond (Nativo Americano/Tribo Sioux). Todos possuíam suas respectivas funções, porém o trabalho sempre era realizado um ajudando ao outro, o que possibilitou um grande intercâmbio de conhecimentos, história e cultura.

Fato curioso sobre o sistema produtivo da região é que ele tem uma baixíssima necessidade do uso de defensivos químicos. Por exemplo: dos 3.500 acres de trigo cultivados, apenas em um talhão de 400 acres foi feita uma aplicação preventiva de fungicida, nos demais não foi feita nenhuma aplicação, seja ela preventiva ou curativa. Para inseticidas, não foi realizada nenhuma aplicação. Vale ressaltar que todas as áreas tiveram uma alta produtividade. O rigoroso inverno que a região possui contribui para isto também. Os campos ficam cerca de quatro meses abaixo de neve e o frio intenso faz com que a grande maioria dos patógenos e insetos não consigam completar o seu ciclo reprodutivo.

Acredito que essa oportunidade de intercâmbio foi um divisor de águas em minha vida e um grande amadurecimento profissional, pessoal e principalmente cultural. Serviu para que eu conseguisse visualizar de perto todos os detalhes do sistema de produção agrícola norte-americano, e com isso valorizar ainda mais a agricultura brasileira. Convivemos com o constante aparecimento de novas pragas e doenças, porém estamos sempre buscando maiores produtividades. Isto prova o quão técnico e profissional é o produtor brasileiro”.

 

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