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Paran Silos

Quarta-feira, 27 de junho de 2018

Mais uma campanha contra febre aftosa

O Paraná realizou, neste mês de maio, a primeira das duas etapas do ano da Campanha de Vacinação contra Febre Aftosa de 2018, imunizando bovinos e bubalinos entre 0 e 24 meses.

Em Guarapuava, na Unidade Local de Sanidade Agropecuária (ULSA) da ADAPAR, a veterinária e fiscal de Defesa Agropecuária, Liziane Cogo dos Santos, ressaltou que, depois da vacinação, é necessária a comprovação, que deve ser realizada ainda durante a vigência da campanha. “Na legislação está a obrigação do produtor vacinar e comprovar.  Às vezes, ele realiza a vacina e acaba não trazendo o comprovante e pode estar passível de autuação”, observou. A fiscal explicou que o procedimento tem ainda uma importância a mais: no formulário há um campo para o pecuarista informar dados sobre seus rebanhos, como a quantidade de animais, o que fornece à agência uma visão sobre o plantel local, regional e estadual. “Através da comprovação é que a gente vai fazer a estimativa de rebanho, a estatística de animais existentes e a de animais vacinados. Então, além de ser uma obrigatoriedade, é uma forma de levantamento de dados no município ou no Estado”. Ela acrescentou que, durante a campanha, a comprovação pode ser feita em qualquer ULSA do Paraná, tornando esta obrigação mais fácil para o bovinocultor que possui fazendas em mais de um município. Após a data final, só é possível comprovar na ULSA cuja área de abrangência inclua o local da propriedade.

Também na equipe de fiscais da ADAPAR em Guarapuava, a veterinária Ana Paula Kurschaidt complementou que agora, encerrado o período da campanha, a agência começa a fiscalizar os criadores que deixaram de apresentar a comprovação. Aqueles que não imunizaram seus plantéis recebem multa calculada em UPF (Unidade Padrão Fiscal do Paraná): até 10 cabeças não vacinadas, o valor é de 10 UPFs. Acima daquele patamar, a multa corresponde a 10 UPFs mais uma UPF por cabeça não vacinada. Tomando como exemplo o valor da UPF no dia 3 de maio, que era de R$ 98,73, a fiscal observou que, apenas para um total de até 10 animais não vacinados, a penalização chegaria a R$ 987,30. O montante, enfatizou, é muito maior do que o preço da dose de vacina por animal, em torno de R$ 1,25 nas casas agropecuárias. Mas Ana Paula frisou que, muito mais importante do que os valores, é a consciência de que a sanidade animal traz benefícios para o criador e para todo o Estado. Deixar de vacinar sai caro, apontou, por dois motivos: “Primeiro, porque o produtor estará com o gado sem imunização. Segundo, porque vai ser penalizado”. Ainda conforme recordou a fiscal da ADAPAR, há outro detalhe a considerar: a partir de 1º de junho, o bovinocultor só poderá obter autorização para adquirir a vacina contra aftosa na ULSA cuja área de abrangência inclua o local da propriedade onde será feita a imunização do gado.

Enquanto a Campanha de Vacinação contra Aftosa seguia sendo divulgada pela ADAPAR, no campo, os criadores de bovinos participavam mais uma vez deste esforço conjunto para manter a sanidade do rebanho. Das fazendas na beira de rodovias até aquelas mais distantes das sedes de municípios, vacinar foi o principal momento na lida do mês de maio. A REVISTA DO PRODUTOR RURAL acompanhou este trabalho em uma propriedade situada na região do Rio Piquiri, no interior de Turvo (PR). Ali, na tarde do dia 15 de maio, a família dos proprietários, com ajuda dos colaboradores da fazenda, começava a trazer o gado do pasto para o tronco. O produtor Gilson Cordeiro reafirmou seu engajamento: “A cada campanha, a gente está vacinando”. Segundo estimou, nesta etapa, seriam imunizados em torno de 200 bovinos. “É bastante trabalho”, disse com um sorriso bem humorado. O pecuarista avaliava que, com a ajuda de todos, a vacinação seria concluída em algumas horas: “Até a tarde, a gente consegue fazer tudo”.

E já que o gado estava reunido, destacou, a ideia era cuidar também de outros aspectos da saúde dos animais: “A gente já aproveita a passagem no tronco para vacinar contra carbúnculo”, completou, acrescentando que era o momento também de utilizar o desverminante. “Tem que cuidar”, resumiu.

No total, nos números da agência, só no município o rebanho bovino gira em torno de 55,5 mil cabeças.  

 

Brasil: 218 milhões de cabeças de gado bovino

Assim como no centro-sul do Paraná, em outras regiões do Estado e no Brasil, a criação comercial de bovinos é um dos segmentos importantes no agronegócio: de acordo com o IBGE (28/9/2017), o país possui 218 milhões de cabeças. A marca é considerada a maior desde o início da série histórica, em 1974. Ainda de acordo com o instituto, o Centro-Oeste concentrou 34,4% do rebanho nacional, com destaque para o Mato Grosso, que possui 30,3 milhões de cabeças (13,9% do total). Minas Gerais, Goiás e Mato Grosso do Sul representaram, respectivamente, 10,8%, 10,5% e 10,0% do efetivo brasileiro. Num setor com estas dimensões, que tem considerado as possibilidades de negócios também no mercado externo, questões como a sanidade e o bem-estar animal vêm ganhando importância ano a ano (Na foto: propriedade de bovinos de corte no município de Candói-PR).

Calendário de vacinação

No dia 3 de outubro de 2017, o MAPA informava que aprovou versão definitiva do Plano Estratégico do Programa Nacional de Erradicação e Prevenção da Febre Aftosa (PNEFA), por meio da Portaria nº 116, publicada no dia anterior, no Diário Oficial da União. O conjunto de normas traz as ações que serão desenvolvidas nos próximos dez anos para o Brasil tornar-se área livre da doença sem vacinação a partir de 2023. No Paraná, governo estadual e entidades do setor rural defendem uma antecipação da declaração do Estado com área livre sem vacinação. Atualmente, o calendário nacional de vacinação dos bovinos e bubalinos contra a febre aftosa 2018, disponibilizado pelo MAPA em seu site, listando os estados que devem vacinar e as fases da campanha, inclui o Paraná entre as demais unidades da Federação. Na tabela do MAPA, estão previstas para o Estado as tradicionais etapas de maio e novembro. 

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