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Grupo Pitangueiras

Quarta-feira, 27 de junho de 2018

Soja: cultivares e manejo para alta produtividade

Um evento realizado pela primeira vez em Guarapuava apresentou uma visão atual e geral sobre novas tecnologias de soja, com alta produtividade, e sobre manejos de solo e pragas. Promovido pela Fundação Meridional e a EMBRAPA, o 3º Fórum Tecnológico da Soja aconteceu durante a manhã do dia 15 de maio, no Spazio Vecchia, reunindo produtores rurais e profissionais do agronegócio.  

Na abertura, o gerente executivo da Fundação Meridional, Ralf Udo Dengler enfatizou que o perfil dos materiais que seriam mostrados provém do trabalho da EMBRAPA, com a qual a fundação mantém parceria. Na sequência, a programação trouxe palestras de três especialistas convidados, que abordaram temas técnicos para o dia a dia da lavoura de soja: desde cuidados para com o solo que vão além da calagem, como a atenção à compactação e aos efeitos dos nutrientes, passando pelos materiais de soja Top 5000 da EMBRAPA (desenvolvidos para o patamar de 5 mil kg/ha), até o manejo de pragas.

Ao falar com a REVISTA DO PRODUTOR RURAL, Dengler detalhou que o perfil genético dos lançamentos da EMBRAPA é resultado de uma gama de opções de que a empresa dispõe: “A EMBRAPA possui hoje um banco ativo de germoplasma (BAG), localizado em Londrina, totalmente informatizado, que tem mais 55 mil acessos – o maior em variabilidade do planeta. Não tem nada igual, nem nos Estados Unidos. Só foi possível fazer esta grande mudança da genética da soja graças a este banco ativo de germoplasma”, enalteceu. Ele também assinalou que, entre os diversos materiais de alta produtividade, existem aqueles que podem ser cultivados em áreas altas e frias, como o centro-sul paranaense: “Dentro da região de abrangência da Meridional, na parte média do país, que fica do grau de latitude em torno de 16° ou 17°, até 28°, temos variedades com este desempenho. É o caso da BRS 1003, que mostrou isso, e a própria BRS 511, que é Shield, uma soja convencional que lançamos neste ano”.

Em 2018, o roteiro do Fórum Tecnológico da Soja abrangeu Maringá, Palotina e Pato Branco, além de Campos Novos (SC), Uberlândia (MG), Birigui (SP), Itumbiara (GO), Chapadão do Sul e Maracaju (ambos no MS). Em Guarapuava, a organização do evento homenageou parceiros no encerramento. O Sindicato Rural local foi um dos apoiadores do fórum, distribuindo os convites gratuitos.  

 

Palestras

Os palestrantes convidados também conversaram com a REVISTA DO PRODUTOR RURAL. Confira:

“Nutrição e Fertilidade” (Estratégias para alta produtividade)

César de Castro – Agrônomo (Universidade Federal Rural-RJ), doutorado em solos e nutrição de plantas (Escola Superior de Agricultura Luíz de Queiroz) e pesquisador da EMBRAPA-Soja.

“Sem um solo adequado, em relação a PH, cálcio, magnésio, e todos os outros nutrientes, é bastante difícil que se tenha alta produtividade, mesmo com cultivares de alto potencial genético. A prática da calagem busca não só elevar PH, como colocar cálcio e magnésio em quantidades adequadas. Se forem inadequadas, posso causar a deficiência de outro nutriente. O impedimento químico (no solo) posso resolver com calcário e com gesso. Mas a questão física é importante, para que a raiz possa crescer, absorver nutriente de um grande volume de solo, consequentemente água. E lembrar que se tem os macronutrientes, mas também os micronutrientes. Não é porque o nome é ‘micro’ que eles deixam de ser importantes. Sem eles, a planta produzirá de forma deficiente”.

“Genética e Melhoramento” (Novos patamares de rendimento)

Milton Dalbosco – Agrônomo e Coordenador Técnico de Transferência de Tecnologia da Fundação Meridional

“A EMBRAPA está vindo com materiais extremamente competitivos. A régua básica, hoje, dos novos materiais, é que tenham potencial de 5 mil quilos por hectare. É claro que existe genética para cada tipo de solo. Mas a EMBRAPA faz lançamentos de cultivares com responsabilidade, de maneira que o agricultor que utiliza material da EMBRAPA não corra risco. Ou seja, ela não lança se a cultivar não tiver um bom comportamento para as doenças, principalmente. Nos últimos cinco anos, a EMBRAPA tem focado a região fria, acima de 800 metros, que envolve a região de Guarapuava. É justamente para fazer fenótipos, materiais que venham a atender a exigência e a necessidade desses agricultores, que têm propriedades nessas regiões”.

“Insetos-Praga” (Manejo e estratégias de controle)

Samuel Roggia – Agrônomo (UFSM), com doutorado em Entomologia (USP) e pesquisador da EMBRAPA-Soja  

“Ao longo do tempo, se teve muitos avanços em termos de tecnologias na soja. E o MIP (Manejo Integrado de Pragas) também avançou. Ele é flexível, se adequa também às novas cultivares de soja, às que têm hábito de crescimento indeterminado, as que têm uma taxa de colheita maior. A principal vantagem disso, com relação à redução na aplicação de inseticidas, é exatamente para algumas pragas de difícil controle. A base fundamental do MIP é fazer monitoramento. É, no mínimo, uma vez por semana percorrer a lavoura e fazer amostragem das pragas. A partir disso, o agricultor vai ter três informações importantes: quais pragas estão ocorrendo, se precisa ou não fazer controle e a distribuição das pragas na lavoura, se elas estão concentradas em uma área ou generalizadas”.

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