O Agro em busca de um trilhão de dólares

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Grupo Pitangueiras

Sexta-feira, 27 de abril de 2018

O Agro em busca de um trilhão de dólares

Guarapuava recebeu, no último dia 9 de abril, no Vittace Centro de Convenções, mais uma palestra da CBN Agro, promovida pela Rádio CBN Londrina, realizada pela Rádio T com diversos apoios, e voltada a todos os interessados no setor rural: “O Agro em busca de um trilhão de dólares”, com o agrônomo Marcos Fava Neves.

Formado pela Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz, mestre e doutor em Administração, ele é também pós-graduado em Agribusiness e Marketing de Alimentos na França e em Canais de Distribuição de Alimentos na Holanda, tendo sido coordenador do PENSA – Programa de Agronegócios da USP, de 2005 a 2007. Fava Neves é ainda professor titular da FEA/USP em Ribeirão Preto e livre-docente em Planejamento e Gestão Estratégica Dirigidos pela Demanda, autor e organizador de 55 livros publicados no Brasil, Argentina, Estados Unidos, Inglaterra e China entre outros. Sua experiência profissional e o tema atraíram ao centro de convenções um público de centenas de pessoas, entre produtores, empresários, profissionais e estudantes de carreiras ligadas à agropecuária em geral.

Ao analisar o Brasil a partir da situação atual, Fava Neves defendeu que o país seja capaz de reduzir os elevados custos do próprio Estado e que passe a apoiar mais os empreendedores. No agronegócio, avaliou que o quadro no momento permite uma visão mais positiva da atual safra do que no final de 2017. Segundo observou, os números da economia apontam, agora, para preços de commodities também um pouco melhores. Para os próximos 10 anos, comentou que o Brasil deverá produzir mais grãos e carnes e aumentará sua participação no mercado mundial. Mas ponderou que o setor rural ainda enfrenta, hoje, sérios problemas com falta de espaço para armazenagem e logística, que precisam de solução urgente.  

Fava Neves argumentou que o passado recente do agronegócio brasileiro mostra a capacidade do setor de alcançar um crescimento significativo. Como exemplo, recordou números das vendas externas de alguns produtos no ano 2000: “A soja saiu de 4 bilhões para 31 bilhões de dólares. Olhem nosso desempenho nas carnes: fomos de 1 bi para 11 bi”. A China também se tornou um grande importador: “Quanto os chineses compravam do Brasil, em 2000, por ano, de produtos do agro? 500 milhões de dólares. Quanto os chineses compraram em 2017? 26 bilhões de dólares”. Exemplificando o aumento de consumo naquele país asiático, comentou que de 2007 a 2017, só na suinocultura, os chineses passaram a consumir 200 milhões de cabeças a mais.

Nos próximos anos, pontuou, também vão se tornar importantes importadores de produtos do agronegócio brasileiro países emergentes, como Tailândia, Vietnam, Bangladesh, Índia, Coreia do Sul, Egito, Arábia Saudita e Emirados Árabes: “Todos esses países não compravam quase nada e hoje compram, em média, 2 bilhões de dólares do Brasil”.

Neste mesmo período, como apresentou em uma tabela, a produção de grãos deverá pular de 232 milhões para um patamar entre 288,2 milhões e 343,8 milhões de toneladas. Na carnes, considerando frango, boi e suíno, a produção deve passar de 26,8 milhões, em 2016/2017, para um total entre 34,3 milhões e 40,3 milhões de toneladas em 2026/2027.

Fava Neves mencionou ainda que notícia veiculada num jornal dos Estados Unidos aponta que o Brasil aumentará vendas externas de produtos importantes: “Os americanos disseram que, em 2027, o Brasil vai vender ao mundo, somente de soja, milho, algodão e as carnes, 28 bilhões de dólares a mais”.

Ele lembrou que as exportações do agronegócio do Brasil representam atualmente, por ano, em torno de 96 bilhões de dólares. Conforme disse, em 10 anos, se este valor for somado à estimativa de crescimento das exportações durante todo o período, o setor canalizaria ao país mais de 1 trilhão de dólares: “É o que a agricultura brasileira vai trazer nos próximos dez anos,  se ela ficar do tamanho que está, mais o que os americanos disseram que nós vamos crescer”.

Em sua 3ª edição, o CBN Agro incluiu também palestras em Umuarama, Toledo, Maringá, Londrina, Cascavel, Carambeí e Campo Mourão. O Sistema FAEP foi um dos apoiadores. Com isso, nos dias anteriores à palestra, o Sindicato Rural de Guarapuava disponibilizou a seus associados e parceiros convites de cortesia.

Entrevista: perspectivas do agro brasileiro

A REVISTA DO PRODUTOR RURAL entrevistou Marcos Fava Neves quando o palestrante esteve em Guarapuava. Com ele, nossa reportagem conversou sobre perspectivas do agro.

RPR – Como você, para este ano, a perspectiva de crescimento do PIB do agronegócio?

Fava Neves – Este ano, começamos bastante conservadores, tanto em produção esperada quanto em preços, não é? A produção esperada, da safra 17/18, era 5% menor do que a safra 16/17. Como o clima está repetindo o ano passado, está sendo bom, a soja, provavelmente, este ano, bate o recorde em relação ao ano passado: deve passar das 114 milhões de toneladas. Os preços estão melhores, um pouco. Nós temos agora uma situação de dólar, também melhor, hoje (9 de abril) chegou a quase R$ 3,40. Agora, nossa grande preocupação é com a segunda safra de milho. Se o clima ajudar, nesta segunda safra, como foi o ano passado, a gente pode voltar a bater o recorde outra vez. Acho que a renda do campo tem condições de, este ano, surpreender e pelo menos igualar ao ano passado, que foi um número recorde.

RPR – Você acha que a crise econômica do país se reflete também em cima do agronegócio ou, o contrário, você acha que o agronegócio pode ajudar o país a sair dessa crise?

Fava Neves – As duas coisas estão corretas. A crise afeta menos o agronegócio, do que outros setores, porque a última coisa que uma pessoa corta quando ela tem uma restrição orçamentária em casa é a comida. O Brasil voltou a crescer em 2017 – a gente deve voltar a crescer mais aceleradamente em 2018, mesmo com a crise política que vivemos – principalmente por causa da agricultura. No ano passado, o Brasil cresceu 1% porque o setor agrícola cresceu 12,5%. É o motor da economia brasileira e a gente tem que fortalecer cada vez mais esse setor.

 

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