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Segunda-feira, 19 de março de 2018

Manejo da ferrugem asiática da soja em um cenário crescente de resistência aos fungicidas

Carlos Alberto Forcelini

Eng.Agr, Ph.D. em Fitopatologia

Universidade de Passo Fundo

A cultura da soja é afetada por diversas doenças foliares e radiculares. A mais importante no Brasil, dada à sua possibilidade de reduzir a produtividade em mais de 50%, é a ferrugem asiática da soja, causada pelo fungo Phakopsorapachyrhizi. Em cultivares suscetíveis, o seu controle depende fundamentalmente da aplicação de fungicidas, realizadas entre três e quatro vezes por safra. Atualmente, Phakopsora acumula resistência parcial (ou redução na sensibilidade) aos principais fungicidas específicos (triazóis, estrobilurinas e carboxamidas) indicados para seu controle. A obtenção e aprovação de novos ingredientes ativos é processo caro e, principalmente, demorado, o que nos remete à utilização racional das ferramentas que dispomos hoje. Caso contrário, o controle da ferrugem e a sustentabilidade da soja estarão ameaçadas.

A resistência de Phakopsora aos fungicidas vem se agravando. Primeiramente foram afetados os triazóis (2008), depois as estrobilurinas (2014) e, recentemente, as carboxamidas (2016). À medida que isso acontece, cai o nível de controle e aumentam as perdas econômicas associadas à doença. O caso da ferrugem no Brasil, de resistência múltipla e tripla, é gravíssimo, dada à dimensão de cultivo da soja no Brasil, aproximadamente 33 milhões de hectares. Contudo, ele pode ficar pior, considerando que já há relatos de resistência a até seis grupos químicos de fungicidas em outros fungos.

Na safra brasileira de soja 2016/17, a ocorrência da ferrugem asiática foi moderada, mesmo assim, falhas no seu controle foram observadas. Fica uma grande preocupação sobre seu manejo nesta safra e nas próximas que virão. Como enfrentar as epidemias da ferrugem, com fungicidas mais ou menos comprometidos pela resistência, sem novas ferramentas sendo disponibilizadas? Com certeza, a solução passa por uma maior integração das estratégias de controle disponíveis.

Uma das principais ferramentas é a maior inclusão dos fungicidas multissítios nas aplicações. Embora o Brasil tenha uma média de 3,3 aplicações de fungicidas por safra, os multissítios são utilizados em menos de 50% das áreas, e, nestas, apenas 1,5 vez por safra. Essa frequência é insuficiente para lidar com o problema da resistência e suas consequências negativas sobre o controle da ferrugem e a produtividade da soja.

Ajustes no posicionamento das aplicações e dos fungicidas também são importantíssimos. Embora os sintomas da ferrugem sejam mais frequentes no enchimento de grãos, suas infecções podem se iniciar na fase vegetativa, paralelamente às manchas foliares, antracnose e oídio. Uma primeira aplicação antes do fechamento das entrelinhas, com fungicidas eficazes, resulta em diferenças de rendimento de 4 a 6 sc/ha. Atrasos nesta primeira aplicação podem resultar em diferenças de 0,5 a quase 1,0 sc/ha/dia (projeto De primeira sem dúvida, Bayer/UPF). Também é importante observar intervalos seguros para as próximas aplicações, até 15 dias, em cultivares suscetíveis, ou 20 naqueles com resistência à ferrugem (Inox).

É fundamental considerar também a importância das outras estratégias de manejo, como a resistência genética, o vazio sanitário e a eliminação da soja guaxa/tiguera na entressafra, assim como tecnologia de aplicação que realmente permita boa distribuição dos fungicidas.

Cada safra tem suas particularidades e desafios. É prudente estar bem preparado.

 

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