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Segunda-feira, 19 de março de 2018

Holandeses conhecem agricultura na região

Eles produzem leite, flores, frutas e hortaliças numa realidade bem diferente da brasileira. A começar pelo cenário natural de seu país, marcado por planícies e muitas áreas com altitude zero ou até abaixo do nível do mar. No entanto, para estes produtores, visitar outros lugares, com outras condições e alternativas de produção, como o Brasil, é uma atitude importante para ampliar conhecimentos e avaliar seus próprios sistemas produtivos. Vindos em um grupo, em sua maior parte da Holanda, mas também de países como Bélgica e Canadá, eles estiveram no Paraná, no início deste ano, para um giro de visitas técnicas em propriedades voltadas a grãos e bovinocultura, de corte e de leite. Com um roteiro que incluiu Guarapuava, Candói e Castro, entre outros locais, a atividade foi realizada pela CAEP Brasil (São Paulo-SP), empresa com foco em viagens técnicas no setor da agropecuária.

Durante a manhã do dia 6 de fevereiro, no distrito de Entre Rios, em Guarapuava, os visitantes conheceram a Agrária, fundada em 1951 por imigrantes vindos também da Europa, os suábios do Danúbio. A cooperativa produz e industrializa culturas de verão, como soja e milho, além de cereais de inverno, como trigo e cevada cervejeira.  

Já na parte da tarde, numa etapa organizada pelo Sindicato Rural de Guarapuava, o grupo seguiu para o vizinho município de Candói, para conhecer, na Fazenda Capão Redondo, a modalidade de produção conhecida como Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF). Pertencente à família do presidente da entidade sindical, Rodolpho Luiz Werneck Botelho, a fazenda é uma das várias da região que adotou a ILPF.

Após recepção com almoço, Botelho, ao lado de seu pai, Rodolpho Tavares de Junqueira Botelho, e da esposa, Adriana, conduziu o grupo para um giro pela fazenda. A visitação incluiu a área de bovinocultura (voltada à produção de carne, com a raça angus a pasto), onde estão também situados eucaliptos; o setor de armazenagem (silos e secadores); o escritório, onde o presidente do sindicato e agrônomos explicaram as tecnologias de agricultura de precisão atualmente utilizadas; e um galpão de maquinário agrícola.Troca de experiências de mão dupla: o anfitrião detalhou a produção. Os holandeses tiraram dúvidas e comentaram sobre os sistemas produtivos em sua terra natal.

A REVISTA DO PRODUTOR RURAL esteve presente a esta etapa da viagem e conversou naquele momento com participantes.  “Este grupo de holandeses, que a CAEP está trazendo, tem o objetivo de conhecer a agricultura brasileira de uma maneira bastante global: as culturas que plantamos aqui na região Sul, as formas como são conduzidas, as produtividades, as instalações nas fazendas e o que há de mais moderno utilizado hoje na agricultura brasileira. Além, claro, de conhecer os desafios que o produtor rural brasileiro encontra atualmente”, disse em entrevista Cláudio Resta, da CAEP Brasil.

O produtor rural Laus Stiekema, da região das pradarias, no Canadá, era um dos mais interessados nos detalhes técnicos. “Acho que todo mundo no grupo quer ver como as coisas são feitas no Brasil. Não é só viagem de férias. É intercâmbio de informações, em ambas as direções, como habitualmente. Estamos tentando aprender uns com os outros”, declarou. Sobre o que havia visto até então, ele destacou as possibilidades locais: “O Brasil tem um grande potencial. É um país enorme, com muito espaço livre, muitas árvores. Mas existem alguns desafios. O transporte é um deles”.

Porém, acrescentou, na comparação entre as realidades brasileira e canadense, o produtor vê algumas questões semelhantes. “Somos um país grande como o Brasil. Então temos o mesmo problema com transporte. É um pouco melhor do que no Brasil, porque temos transporte por trem até a costa, mas é um desafio também”, comparou. Produtor de batata, sementes de canola e de alfafa, beterraba (para açúcar), trigo e milho, ele observou que por outro lado seu país enfrenta no campo uma condição determinada pelo clima, com apenas uma temporada anual de safras agrícolas: “Nós só temos uma estação, então só podemos produzir uma vez por ano”. Água, no entanto, segundo relatou, não é problema: “Temos um bom sistema que traz água até a nossa área”, afirmou, assinalando que utiliza irrigação com água de derretimento de gelo e de lagos.

Após a visita, o presidente do Sindicato Rural fez um balanço do encontro. “Acho que este grupo de holandeses que veio nos visitar é eclético no seu trabalho, porque tinha agricultores, produtores de leite, pessoal que trabalha com flores, hortifruti, mas ao mesmo tempo muito técnico”, disse Botelho. “Houve perguntas muito interessantes, principalmente na comparação entre sistemas produtivos de regiões temperadas e o nosso sistema, de regiões tropicais, que têm diferenças muito marcantes”, sublinhou. A realidade brasileira, para Botelho, é para muitos uma descoberta: “O que chama a atenção é a própria surpresa dos agricultores europeus em relação ao sistema produtivo e à agricultura no Brasil. Acho que eles chegam com uma perspectiva, de agricultura de subsistência, de baixa tecnologia, e acabam encontrando também agricultura de alto nível, sistemas produtivos diferenciados dos deles, mas com capacitação, com treinamento, com tecnologia interessante”.

O encontro e a troca de idéias entre pessoas de situações tão diversas, complementou o presidente do Sindicato Rural, é a seu ver o mais importante nas visitas técnicas de caráter nacional ou internacional: “Esta troca de informação entre visitantes e visitados sempre é positiva no sentido de visões diferentes. Nem tudo pode ser adaptado, para uma ou para outra realidade, mas acho que abre a mente. Conhecimento nunca é demais. Estas visitas, acho que sempre trazem benefícios para todos”, concluiu.

 

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