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Biotrigo

Segunda-feira, 19 de março de 2018

Difusão de tecnologia e informação sobre as culturas de verão

Evento que já faz parte do calendário técnico de Guarapuava e região, o Dia de Campo de Verão, realizado pela Cooperativa Agrária, foi realizado nos dias 28 de fevereiro e 1º de março, nos campos da Fundação Agrária de Pesquisa Agropecuária (FAPA).

Nos moldes tradicionais, a programação permite que os participantes durante os dois dias tenham uma gama diversificada de informações sobre as culturas de verão tradicionais na região, sendo soja, milho e feijão: palestras de convidados de renome nacional do agronegócio, divulgação das pesquisas da FAPA por meio das estações e ainda expositores que trazem ao público as mais recentes tecnologias. Este ano foram 32 estandes de diversas empresas.

Na abertura do evento, o secretário de Estado da Agricultura, Norberto Ortigara esteve presente. Durante seu pronunciamento, ele elogiou o dia de campo, dizendo que “velhas feiras tradicionais viraram muita festa. Mas, felizmente eventos técnicos existem em todo o Paraná. Criou-se consciência de que precisamos nos dedicar a ganhar conhecimento e é isso que se faz aqui”.

Confira o resumo da programação dos dois dias do Dia de Campo de Verão:

 

Conservação de Solos

Tiago Pelini, diretor de Pesquisa do IAPAR

“O Paraná tem bastante diversidade em termos de solo, clima, chuvas, discutindo conservação de solos e a incidência de fenômenos de erosão, só faz sentido numa perspectiva local ou regional. Não há solução geral, precisam ser feitas ações em cada região, pontualmente. Nas décadas de 1970 e 1980 fomos pioneiros em discutir a erosão e conservação dos solos, os agricultores saíram na frente, percebendo que a erosão não era típica dos nossos solos, já que estamos em um clima tropical. Em seguida veio a pesquisa tentando responder as perguntas. E diversas mudanças foram acontecendo. Voltaram algumas coisas comprometedoras, como a volta do plantio pendente, a retirada dos terraços achando que o plantio direto e a cobertura eram suficientes para conservar, a sucessão de culturas e com isso voltou a erosão. Por isso, precisamos rediscutir e achar novas respostas para voltar a solucionar o problema que já estava no caminho da superação”.

 

Perspectivas Políticas e Econômicas para o produtor rural

Miguel Daoud – Agro Advisor

Daoud resumiu em sua palestra que o Brasil vive um momento difícil em sua totalidade, mas o agronegócio continua puxando a economia brasileira para frente. Segundo ele, são várias questões que o país enfrenta: Estado inchado, burocracia e ineficiência, problemas de infraestrutura, crise politica, crise econômica, sistema tributário injusto e previdência. E mesmo sendo a agropecuária a responsável por levantar os números econômicos no Brasil, ela sofre vários entraves, como questões ambientais, questões de trabalho escravo, demarcação de terras indígenas, custos de produção, fornecimento de energia, invasões de terras (MST), logística e armazenagem, Funrural e custos e tendências de preços. “Infelizmente a tendência de preços para a agropecuária é estável e custos em alta. Por isso, é importante que os produtores estejam cada vez mais unidos e organizados para sobreviverem”, afirmou.

 

Cenário macro-econômico e perspectivas para 2018

José Mendonça de Barros – MB Associados

“Independente do cenário político, que é uma incerteza, nós (o país) devemos crescer bem. Projetamos 3,5%, que é um crescimento muito robusto, puxado pelo consumo interno e por um aumento de investimentos. Do lado da produção, todos os segmentos passarão a crescer de novo. Especialmente a construção civil, que é o que mais sofreu neste período recente. O dólar, até bem próximo da eleição, provavelmente vai ficar nesta faixa em que está: R$ 3,20, R$ 3,25. Mais próximo da eleição, vai refletir a expectativa de quem será eleito”.

 

Perspectivas para o feijão 2018

Marcelo Eduardo Lüders – Instituto Brasileiro do Feijão (IBRAFE)

“Como o mercado do Brasil é importador – além do preto e do carioca, importamos vermelho, rajado, branco e o próprio preto – é interessante que o produtor tenha em mente esta possibilidade, que não feche as alternativas que existem de feijão. Qual feijão ele vai plantar? Ele pode decidir com base no mercado. Ele não vai deixar de plantar feijão dentro do seu planejamento, mas vai ter oportunidade de buscar um mercado melhor. Entendemos que a grande oportunidade para o mercado do feijão do Brasil é diversificar”.

 

Estações FAPA

Durante o evento ocorreram diversas apresentações simultâneas em seis estações da FAPA, que divulgaram as mais recentes pesquisas, desenvolvidas pela fundação, na área de culturas de verão. Confira:

Estação Manejo e Fisiologia da Cultura do Feijão

Eduardo Stefani Pagliosa e Noemir Antoniazzi

Antoniazzi – “Cada vez mais, temos adequação de manejo e genética que sustentam e que têm uma melhor estabilidade dentro das anomalias climáticas. O que se espera é que o produtor olhe para a média dos anos e que inclua o feijão como uma cultura de rotação dentro do seu sistema produtivo. Sempre digo também: naquelas áreas onde o trigo sai mais tardiamente, lá para dezembro, e a soja vai decair muito em produtividade, esta é a área para se entrar com feijão. Por que? É a melhor época, na nossa região, para plantar feijão: entre 10 e 25 de dezembro, temos um período ideal no qual a planta de feijão consegue extrapolar o seu máximo potencial produtivo”.

 

Impacto das Doenças e Pragas na Produtividade da Soja

Alfred Stoetzer e Heraldo Feksa

Stoetzer – “Nossa ideia era realmente trazer este assunto em conjunto: manejo de pragas e doenças, porque de certa forma esses assuntos interagem. A gente sabe que o manejo é separado: inseticida para controle de pragas e fungicidas para o de doenças. Mas de uma forma geral, precisamos manejar a cultura. Nós focamos basicamente em manejo de lagartas, qual a influência da desfolha na produtividade, como conseguimos manejar esta desfolha, em diferentes cultivares. Temos cultivares com hábito de crescimento determinado ou indeterminado. Isso muda um pouco este perfil de controle”.

Feksa – “Hoje, os produtos, de forma geral, não estão tendo toda aquela performance que precisaria ter, porque houve uma mudança na característica da ferrugem. Isso faz com que o produtor preste mais atenção e antecipe sua aplicação em algumas situações, que ele observe qual é a característica da soja: se é de hábito determinado, indeterminado, ou semi-determinado. Isso define as estratégias de manejo e faz com que o produtor coloque os produtos de forma adequada e mantenha o seu potencial produtivo”.

 

Estação Soja Convencional – Cultivares, potencial de Rendimento e Posicionamento Fitotécnico

Sandra M. V. Fontoura e Vitor Spader

Spader – “Estou enfocando a soja convencional. O interesse do público é muito bom. Ontem e hoje, de manhã, tivemos um público bastante grande na estação. Embora a soja convencional não venha sendo plantada na região, há interesse por parte do produtor em uma nova opção de negócio”.

 

Qualidade de Aplicação – Acerte no Alvo

Paulo José Alba (FAPA) e Leandro Rampim (Unicentro)

“A gente buscou mostrar ao cooperado a importância de inspeções de pulverizadores, que pode levar numa melhoria de qualidade, no aspecto produtivo, e no retorno econômico. Em parceria com a Unicentro, buscamos juntar as informações de tecnologia de aplicação para ter uma maior assertividade nesse processo. A tecnologia de aplicação assertiva ajuda e muito a reduzir o impacto econômico do produtor”. 

 

Inoculação na cultura da Soja

Sandra Mara Vieira Fontoura (FAPA)

“Trouxe um tema que não é recente, mas eu acho importante. É um assunto que tem sido debatido nos últimos anos, existem ganhos de produtividade com a reinoculação e são esses números que trouxemos. Como uma média geral, nós temos conseguido ganhos de, ao redor de 3%, que se o produtor olha não é muito, mas hoje os ganhos no nível de produtividade que nós estamos não são muito grandes. Com o custo muito baixo, que é o inoculante, se traz um ganho significativo para o produtor”.  

 

Manejo de Milho para Alta Produtividade – Ênfase em época de plantio

Celso Wobeto (FAPA)

“Na estação milho, nós apresentamos três temas: época de plantio, onde fizemos uma análise conjunta mostrando qual a melhor época de plantio nos híbridos que estávamos mostrando. Separando em dois grupos: o primeiro, onde a melhor época é entre 28 e 30 de setembro; e o outro grupo, que a época não é tão importante, ou seja, plantando na primeira, segunda ou terceira época, eles tem o mesmo potencial produtivo. O segundo tema foi uma avaliação entre os locais da nossa rede interna de experimentação. Essa rede é composta por quatro locais em três épocas de plantio, perfazendo 12 ambientes todos os anos. Mostramos que, de uma forma geral, pegando um grupo de variáveis bem grandes não precisaríamos ter essa rede tão grande de ambientes. Mas quando a gente abre a análise para explorar só rendimento, só doenças e outras variáveis, a análise mostra que é importante mantermos essa rede experimental para termos um conjunto mais confiável de informações para o produtor. E o terceiro tema foi a análise de estabilidade dos híbridos. Ficou muito claro que existe diferença de estabilidade, que a gente chama de estabilidade fenotípica nesse grupo de 16 híbridos que avaliamos. Mas as diferenças não são muito grandes”.

 

Estande do Sindicato Rural

Mais uma vez, o Sindicato Rural de Guarapuava e o Sistema FAEP/SENAR estiveram entre os apoiadores do Dia de Campo de Verão da Agrária. O sindicato divulgou seus serviços aos produtores rurais e o SENAR-PR apresentou seus cursos aos visitantes. O estande novamente se tornou um ponto de encontro de lideranças rurais, de agropecuaristas, parceiros comerciais, profissionais e estudantes de cursos ligados ao agronegócio. Um espaço de amizade e de troca de experiências.

 

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